A luta contra o sacrifício de meninas

A luta contra o sacrifício de meninas

Atualizado: Terça-feira, 2 Agosto de 2011 as 1:46

O problema: sacrifício de meninas

Por centenas de anos, na região conhecida como Volta, em Gana, na África Ocidental, a prática do Trokosi oprime meninas a partir de cinco anos de idade. Elas são as virgens dedicadas aos deuses por meio de rituais sagrados que envolvem a escravidão e o abuso sexual. Uma vez dedicadas aos deuses elas perdem seu nome, o contato com a família, o direito a necessidades tão básicas como roupa ou comida, e passam a ser escravas dos feiticeiros. Elas passam a morar numa espécie de mosteiro, realizam todo o trabalho de lavoura para eles e são usadas por eles para atender aos seus impulsos sexuais. Muitas morrem, muitas ficam grávidas, todas vivem uma vida secreta de incalculável sofrimento.

A solução: erradicação da prática

Rev. Walter Pimpomg, ganense, diretor da IN Network Gana (uma organização social cristã pertencente à IN Network International) estabeleceu um trabalho na região para lutar contra esta prática desde 1987. Como resultado deste trabalho, ele e sua equipe conseguiram influenciar 31 mosteiros da região, o que significa a libertação de mais de 3.500 mulheres e meninas escravas. Com um trabalho sério de defesa de direitos a IN Network conseguiu influenciar o governo ganense para aprovar em junho de 1998 uma lei que criminaliza esta prática.

No entanto, é praticamente impossível garantir a intervenção da polícia na região porque o medo que eles têm da maldição dos feiticeiros é muito grande. Há ainda 2.000 meninas e mulheres em situação de escravidão e mais de 8.000 crianças filhas destas mulheres (fruto das relações sexuais com os feiticeiros) e que vivem a mesma situação desumana que suas mães. IN Network trabalha para erradicar esta prática e também para recuperar e reintegrar estas famílias à sociedade.

veja também