Assassino confesso de governador paquistanês diz que agiu sozinho

Assassino confesso de governador paquistanês diz que agiu sozinho

Atualizado: Terça-feira, 11 Janeiro de 2011 as 11:46

O assassino confesso do governador da província paquistanesa de Punjab afirmou ter agido sozinho, sem o apoio de uma organização radical islâmica, indicou nesta segunda-feira à AFP a polícia de Islamabad.

Qadri diz ter decidido assassinar Taser porque este se opunha à lei da blasfêmia, defendida pelos religiosos conservadores, que prevê a pena de morte em punição à blasfêmia contra o islã.

"Mumtaz Qadri fez sua confissão, na qual diz ter matado Salman Taser sozinho, sem a ajuda de uma organização religiosa ou extremista", declarou Haron Joya, chefe da polícia do bairro de Islamabad onde ocorreu o crime, na última terça-feira.

Qadri voltou a depor perante o juiz nesta segunda-feira, e retornou à prisão em seguida. Segundo Malik Waheed Anjum, um de seus advogados, a próxima audiência está marcada para o dia 24 de janeiro.

Os investigadores afirmam que Mumtaz Qadri, policial de 26 anos que fazia a escolta de Salman Taser, matou o governador na porta de uma cafeteria da capital paquistanesa, entregando-se à polícia em seguida. Ele confessou o crime.

Histórico

Salmar Taseer foi um dos advogados mais veementes para a Asia Bibi, mãe cristã condenada à morte por blasfêmia, e um oponente das leis de blasfêmia do país.

A secretária americana Hillary Clinton condenou o assassinato e chamou sua morte de grande perda.

“Eu tive a oportunidade de encontrar-me com o governador Taseer no Paquistão e admirei seu trabalho de promover a tolerância e a educação das futuras gerações do Paquistão,” disse ela.

Ela adicionou que os Estados Unidos está comprometido em ajudar o governo e as pessoas do Paquistão a trazer paz e estabilidade para o país.

Apenas no mês passado, Taseer denunciou as leis de blasfêmia do Paquistão, que preveem a morte por contaminar o islã ou seus profetas; prisão perpétua por profanação, danos, ou profanação do Alcorão; e 10 anos de prisão por insulto aos sentimentos religiosos de outra pessoa.

“Se você quer minha opinião pessoal, eu não gosto dessa lei,” disse ele para a revista Newsline. “A coisa importante a lembrar é que isso é uma lei feita por homens, não uma lei feita por Deus.”

Ele também expressou sua indignação para com a sentença de encarceramento e sentença de morte de Bibi. Ele chamou isso “um erro de justiça flagrante,” “cruel” e “desumano,” de acordo com o Newsline.

Ele pediu ao presidente Asif Ali Zadari pela libertação de Bibi.

Bibi foi encarcerada depois que ela teve uma pequena discussão com companheiras trabalhadoras de campo. Ela estava coletando frutas no campo com suas companheiras trabalhadoras muçulmanas e foi buscar água para o grupo. Ao voltar, as mulheres muçulmanas se negaram a beber a água porque o conteúdo havia sido tocado por um cristão.

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