Autoridades chinesas controlam liberdade religiosa

Autoridades chinesas controlam liberdade religiosa

Atualizado: Sexta-feira, 13 Janeiro de 2006 as 12

Missionários na China enfrentam problemas para pregar

o evangelho a nação mais populosa do mundo

Ingrid Cicca

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A China é a nação mais populosa do planeta, possui 1,3 bilhões de habitantes. O país está na área conhecida como “janela 10x40” – expressão utilizada para indicar as linhas imaginárias entre o paralelo de 10º e 40º ao norte, acima da linha do Equador, cobrindo a área que se estende da África Ocidental, passando pela Ásia até o Japão. É nessa área que estão concentradas o maior número de povos não alcançados pelo evangelho. Nestes países, a pregação do evangelho é restrita ou proibida e os cristãos são alvos constantes de perseguições.

No caso da China, especificamente,  existem leis e regulamentações que controlam a liberdade religiosa da sociedade. Em 2004, segundo informações da EWTN Notícias, agência Internacional de Notícias,  a liberdade religiosa do povo chinês sofreu uma série de violações. Apenas as associações aprovadas e registradas pelas autoridades estaduais, por meio de seus Comitês religiosos nacionais, recebem permissão para exercerem suas atividades. As pessoas que praticam a sua fé fora dessas instituições são tidas como criminosas e estão sujeitas a intimidações, perseguições e até mesmo a detenções.

Apesar das perseguições, o protestantismo - introduzido na China depois da Guerra do Ópio, nos primeiros anos do século 19 - tem se difundido em grande escala. São quase 10 milhões de protestantes, com dezoito mil pastores, doze mil igrejas e mais de 25 mil pontos de pregação simples para suas atividades.

Em entrevista a revista Defesa da Fé, Johnny Li, representante e conferencista internacional da Missão Portas Abertas, afirma que “Ainda há muito trabalho a ser feito na China. É insuportável saber que inúmeros vilarejos têm somente dois exemplares da Bíblia para que as crianças possam aprender de Deus”, disse.

O maior problema está na maneira como o comunistas chineses  (sistema econômico e social baseados no interesse comum da sociedade onde há ausência de propriedade privada) enxergam a religião como uma ameaça ao poder, por isso tanta severidade e restrições quanto a liberdade religiosa no país. A falta de liberdade religiosa, é sem dúvida um dos maiores desafios do crescimento do evangelho na China.

Estatísticas

China

Capital: Pequim

Hora local (em relação a Brasília): +11h

Idioma: mandarim (oficial), dialetos regionais (principais: min, vu, cantonês)

Moeda: iuan

Nacionalidade: chinesa

Religião (% de cada religião): sem religião 42,2%, crenças populares chinesas 28,5%, budismo 8,4%, ateísmo 8,1%, cristianismo 7,1% (independentes 6,4%, outros 0,7%), crenças tradicionais 4,3%, islamismo 1,5% - dupla filiação 0,1% (2000)

Composição étnica: chineses han 92%, grupos étnicos minoritários 7,5% (chuans, manchus, uigures, huis, yis, duias, tibetanos, mongóis, miaos, puyis, dongues, iaos, coreanos, bais, hanis, cazaques, dais, lis), outros 0,5% (1990)

População (milhões hab.): 1,313.3

Religiões da China

A China é um país de cultura milenar. Em relação à religião, faz parte de suas raízes o confucionismo, que foi a doutrina oficial da China durante quase 2 mil anos (do século II ao incício do XX), o taoísmo e algumas linhas do budismo.  O confucionismo baseia-se na busca pelo equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu. É  conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios). Já o taoísmo, prega a sabedoria do Tao. Toda a vida é regida pelos elementos yin (feminino) e yang (masculino), que se complementam e se transformam em eterno movimento, equilibrados pelo Tao. O taoísta aspira a fundir-se ao Tao e atingir a imortalidade. Para isso, precisa viver em harmonia e equilíbrio com o próprio corpo e com a natureza e desapegar-se do mundo material.

Apesar de existirem na China muitas religiões como o islamismo, catoliscimo, cristianismo, o  budismo é a religião de maior influência entre o povo chinês e tem se difundido intensamente pela Ásia. Têm como filosofia a reencarnação após a morte e o carma. Os preceitos de Buda ensinam que somente após o homem alcançar a evolução do espírito, feito por meio de meditações, é possível encerrar o número de vezes de reencarnações. Atualmente, existem mais de 13 mil templos budistas e 200 mil monges e monjas na China.

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