Chile depois do terremoto

Chile depois do terremoto

Atualizado: Terça-feira, 6 Abril de 2010 as 12

No dia, 27 de fevereiro, o Chile foi assolado por um forte terremoto que registrou 8,8 graus na escala Richter. No mesmo dia um tsunami invadiu a costa na região centro sul do país destruindo o que encontrou pela frente, como casas, escolas, vilas e igrejas. De lá para cá outros inúmeros terremotos de magnitude inferior são registrados no país - para conferir os terremotos que ocorrem no mundo em tempo real acesse: http://neic.usgs.gov/neis/bulletin/bulletin_esp.html - .  Com os terremotos recorrentes, os problemas enfrentados pelos chilenos, desde a reconstrução do país até as necessidades da igreja chilena, também aumentaram sensivelmente. Por isso, entrevistamos (via internet) Carlos Díaz, um dos pastores da Iglesia Cristiana La Roca, que nos contou um pouco da situação da nação pós-terremotos e ainda sobre as dificuldades enfrentadas pela igreja no país. Esperamos que após ler essa entrevista, você se sinta motivado a interceder ainda mais pela reconstrução e pela igreja do Chile.

Lagoinha.com: Qual o panorama do país no momento?

Pr. Carlos Diaz: A verdade é que tudo está melhorando pouco a pouco, muita ajuda têm chegado aos lugares necessitados. Temos recebido muitas roupas e também mantimentos para as áreas mais afetadas, contudo a dor permanece, principalmente, para aqueles que perderam um ente querido e também os que perderam suas casas, suas propriedades. Apesar da incerteza de que a qualquer momento possa haver outro tremor, temos que admitir que o Chile se encontra num lugar propício aos abalos sísmicos. Mas mesmo respirar o mesmo sentimento que a qualquer momento vem outro terremoto ou tsunami. Ainda sim temos essa sensação de que a qualquer momento poderá vir outro terremoto ou tsunami.

Lagoinha.com: Qual a situação dos terremotos secundários no país?

Pr. Carlos Díaz: Têm ocorrido uma infinidade de tremores secundários, fenômeno que chamamos de Réplica, algumas de maior intensidade, de 6.9 a 6.7 (Escala Richter), e menor intensidade, de 5.5 a 5.9 (Escala Richter), na região Metropolitana, na região de O'Higgins, bem como nas regiões de Maule e Bío-Bío. O que levou apreensão à população local. Os tremores são constantes no Chile, mas depois do terremoto tornaram-se muito mais fortes e mais perceptíveis à população. Dizem também que as réplicas ocorrem por que as placas tectônicas começam a se acomodarem. Pois bem, assim é o Chile, um país que sofre um terremoto mais ou menos a cada 25 anos.

Lagoinha.com: Quais as necessidades mais urgentes?

Pr. Carlos Diaz: O que mais precisamos agora é de apoio, principalmente do governo, em prol da reconstrução das casas e restauração de vários lugares, especialmente nesta época em que nos aproximamos do inverno. Ainda há lugares onde a água e a electricidade não chegam, considerando também que a reparação desses serviços ainda é lenta. Esperamos em Deus na esperança de tudo vai se acalmar e que será a oportunidade para que venha sobre a nação um glorioso e maravilhoso derramamento do Espírito Santo. Como disse, ajuda tem chegado de lugares distintos no que diz respeito à roupa, alimentos, entre outros itens como remédios, mantimentos, mas agora precisamos ter uma visão mais macro, necessitamos urgentemente de material de construção para reconstruirmos as casas, escolas etc, e isso leva tempo e obtenção de mais recursos.

Lagoinha.com: Como está a alimentação e a assistência médica no país?

Pr. Carlos Díaz: Logo após o ocorrido vivemos um caos, mas agora está melhor. Passado já cerca de um mês, muita ajuda desse tipo chegou, muitos países e muitas pessoas têm cooperado, assim tudo vai melhorando. Levará mais tempo para as pessoas se recuperarem o ânimo.

Lagoinha.com: Como está a igreja chilena nesse momento?

Pr. Carlos Diaz: Eu diria que a Igreja em geral foi mobilizada. As denominações, as igrejas de um modo particular, têm se mobilizado e embora eu esteja na Capital chilena, Santiago, e não na região mais afetada, soube que em outros locais também houve mobilização da igreja. Estamos verificando, por exemplo, se há algum pastor que tenha perdido sua casa para podermos ajudar. Esperamos também pela unidade da igreja, o que no Chile é um dos fatores determinantes para que aconteça um avivamento. Um dos problemas da igreja chilena é a falta de unidade.

Lagoinha.com: Vocês continuam fazendo visitas pelas regiões mais atingidas?

Pr. Carlos Díaz: No momento nós não estamos fazendo visitas. Fomos uma vez ao sul, um percurso de um dia, para levarmos a ajuda a alguns lugares, ajuda a qual arrecadamos em nossa igreja. Mas esperamos estar prontos a ir a algum lugar para ajudar algum pastor que tenha perdido sua cada, por isso estamos verificando bem.

Lagoinha.com: Qual a situação da população chilena no que tange o emocional?

Pr. Carlos Diaz: Presume-se que devíamos estar atentos a isso, mas no inconsciente coletivo nos esquecemos que habitamos num país propício aos abalos sísmicos, aos tremores. Mesmo diante da falha das entidades de alerta e emergência, o que é terrível, tivemos tempo para saber do tsunami que viria, contudo não fomos informados, na realidade diziam que não havia ameaça de um tsunami. E isso foi um terror, pois as pessoas que moram na costa acreditaram e ficaram em suas casas e ali ocorreu o tsunami, foi um erro grave que o governo está investigando. Em relação ao aspecto emocional, acho que a população ainda tem medo e a incerteza de que ocorra outro forte tremor. Há especulações de que virá outro forte tremor e isso atemoriza a muitos, pois gera insegurança. Muitas pessoas foram afetadas e precisarão de muito tempo para se recuperarem, creio que será um período de oportunidades para que a igreja se mova nesse aspecto, pregue o amor.

Lagoinha.com: O que a igreja chilena precisa fazer?

Pr. Carlos Díaz: A maior necessidade da igreja no Chile, na minha opinião, é promover maior unidade e também retomar a voz profética que nunca deveria ter perdido, mas que se perdeu diante das situações da vida, que se deixou seduzir muitas vezes pela política, deixando de ser relevante. Somos uma igreja religiosa, mas sem voz profética. Creio também que a Igreja chilena deve se voltar em humilhação diante do Senhor, e clamar para que Ele sare a nossa terra. Na verdade, o Chile é um país elitista, arrogante e individualista e precisa voltar-se para o Senhor. Precisamos reconhecer que somos frágeis, impotentes sem Deus, precisamos voltar nossos olhos ao Deus dos Céus e da Terra, para que esse sentimento de incerteza, de desesperança e de temor se acabe, e que o bom Deus o transforme em consolo, paz e esperança para o futuro.

Lagoinha.com: Qual a extensão do Cristianismo na nação?

Pr. Carlos Diaz: Há muitos evangélicos, contudo muito religiosos, preocupados com usos e costumes, práticas religiosas, esquecendo então de algo fundamental, a vida de Deus em nós e o testemunho de dentro para fora. Necessitamos de uma conversão genuína, autêntica, real e verdadeira. Acredito que cerca de 30% da população (agora somos como 16 milhões de chilenos) é evangélica. Destes 30% que se declararam evangélicos estão os cristãos e os religiosos, embora o governo diga que somos um pouco mais de 15% .

Lagoinha.com: Qual a sugestão para que os evangélicos do país possam experimentar essa unidade?

Pr. Carlos Díaz: Bastam que sejam como Jesus. Algo que denomino como voltar para um “cristianismo cristão”, verdadeiro, onde predomina o perdão, o negar-se a si mesmo, e sermos simplesmente como o Senhor. E isso é algo que escolhemos viver individualmente. Eu posso pregar em minha igreja sobre isso, mas cada crente deve tomar a iniciativa voluntária de ser e viver como Deus nos ensina. Eu, como pastor posso ajudar, posso falar, mas cada um toma a decisão com base naqueles que se dizem líderes da igreja, muitos deles são partidaristas do governo e têm omitido sua voz profética. Preciso ressaltar que isso é uma opinião de um pastor de uma simples igreja local, nossa igreja é relativamente pequena em relação a tantas outras igrejas, com pastor de voz mais forte, que podem pensar diferente de mim, mas é o que eu e outros pastores que compartilham da mesma visão que eu pensam.

Lagoinha.com: Qual a atuação da Iglesia Cristiana La Roca?

Pr. Carlos Díaz: Nós pertencemos a Assembléia de Deus. Nossa igreja local em Santiago tem cerca de 250 membros, mas também estamos abrindo uma igreja numa cidade a uma hora de Santiago, que será liderada pelo pastor Alvaro Retes. Temos uma igreja em um lugar ao sul do Chile, chamado Rio Negro Hornopiren, temos uma em Uyuni, na Bolívia, e uma em Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha. Por enquanto somos um pequeno número de membros, mas a nossa visão é grande: ter uma Igreja Cristã A Rocha em cada capital regional de nosso pais, e uma igreja em cada país.

Lagoinha.com: As igrejas maiores têm aproximadamente quantos membros?

Pr. Carlos Diaz: As grandes igrejas eu diria cerca de 3 a 4 mil membros. Destas há poucas, podemos contar nos dedos das mãos, logo o número de membros cai para mil, 800, 700 membros. Algumas se dizem grandes, mas são consideradas uma denominação e não uma igreja local.

Lagoinha.com: Qual a visão atual do governo com relação ao cristianismo?

Pr. Carlos Diaz: Na minha opinião nos vêem como um grupo cheio de divisão e sem voz única. Eu acho que pareço um grupo cheio de divisão e sem uma única voz. Há uma entidade que supostamente representa os evangélicos perante o governo, mas não sei quem os elege. Assim com há outras organizações que não estão de acordo com essa entidade. No final das contas podemos encontrar muitas organizações que se dizem representar o povo evangélico, mas para o governo somente a primeira que citei, cujo nome não me lembro. Por isso mesmo, vejo que o governo não nos leva muito a sério, exceto em época de eleições.

Ore pela restauração do país, pela unidade da igreja e também pelos pastores e missionários da nação, para que o Espírito Santo promova um reavivamento da Igreja de Cristo no Chile.

Para saber mais sobre o país e abençoar os pastores mande um e-mail para:

Carlos Diaz Gore - [email protected]

Francisco Retes - [email protected]

Álvaro Retes - [email protected]

Por Thalita Daher

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