Coluna Cláudio e Rosana Pita

Coluna Cláudio e Rosana Pita

Atualizado: Segunda-feira, 28 Abril de 2008 as 12

Coluna Cláudio e Rosana Pita

  

O Trigo e o Joio x a Filantropia e a "Pilantropia"

 

Ao longo da história da humanidade, o mundo tem se perguntado: "Como fazer o que é certo sendo que há tanta coisa errada sendo feita?" Certamente essa pergunta não é fácil de responder, principalmente se a basearmos nos modelos e conceitos de certo ou errado que temos visto em nossa sociedade. Sem entrarmos muito no campo da ética e da moral, mas numa analise mesmo que superficial do pensamento humano, percebemos que cada pessoa tem suas próprias idéias sobre o comportamento do homem no mundo.

Como dizia o Pr. Ed René em uma exposição num encontro "Café Acadêmico": "Antes você dizia: Cristo é a verdade! A outra pessoa dizia: Prove. Hoje você diz: Cristo é a verdade! E a outra pessoa pode dizer: Isso é a sua verdade". Pelo que vemos as pessoas não têm muito interesse de investigar a respeito do que é verdade ou mentira, certo ou errado. A humanidade está vivendo a triste experiência de viver cada um na sua, sem se envolver diretamente com o próximo. É a mesma cena que vemos na parábola que Jesus contou a respeito do homem que descia de Jerusalém a Jericó e foi assaltado, ficando quase morto.  Algumas pessoas importantes daquela sociedade passaram por aquele homem e não se importaram com o que havia acontecido com ele.

Dessa forma a humanidade segue no caminho em que cada um é por si e Deus por todos. Isso é terrível, pois gera no ser humano total desinteresse pelo próximo, é a filosofia do "tô nem aí! Cada um na sua!". Trabalhando com obras sociais há mais de 15 anos, percebemos que a cada dia que passa as pessoas desacreditam mais e mais que alguém possa se importar com os outros, de sentir a dor do próximo da mesma forma que ele sente para que possa estender a mão e ajudá-lo a sair do sufoco. Certamente podemos dizer que grande parte desse problema é o crescimento da chamada "pilantropia" (segundo o Prof. Oceano Zacharias que se diz criador do termo - http://www.quality.eng.br/publicar2.asp?idartigo=100  - para mostrar a diferença entre aqueles que fazem o bem e aqueles que se aproveitam do sofrimento alheio para se dar bem)  em nossa sociedade que é formada por uma parcela de pessoas que ainda são muito solidárias com o sofrimento alheio.

Em contrapartida, temos também aquelas pessoas que estão inseridas em nossa sociedade engajadas na prática do bem. Esse grupo de pessoas está inserido no chamado, hoje, Terceiro Setor, cujo princípio básico é ser solidário com os menos favorecidos, ou seja, aqueles que, sem interesse próprio, estão dispostos a pagar o preço para ajudar ao próximo com suas ações filantrópicas (nesta concepção, Filantropia é a ação continuada de doar dinheiro ou outros bens a favor de instituições ou pessoas que desenvolvam atividades de grande mérito social. É encarada por muitos como uma forma de ajudar e guiar o desenvolvimento e a mudança social, sem recorrer à intervenção estatal, muitas vezes contribuindo por essa via para contrariar ou corrigir as más políticas públicas em matérias sociais, culturais ou de desenvolvimento científico. http://pt.wikipedia.org/wiki/Filantropia)

Certa vez, Jesus contou a seus discípulos uma parábola muito interessante que aqui recuperamos para fazer um paralelo com aquilo que acontece em nossa sociedade em relação  à filantropia e à pilantropia. Em  Mateus, capítulo 13, a partir do verso 24, Jesus começa comparando o Reino dos céus a um homem que plantou boa semente em seu campo, mas um inimigo plantou junto ao trigo, sementes de joio. Conforme o trigo crescia, crescia também o joio. Vendo os servos daquele homem que crescia o joio junto com o trigo, ficaram indignados e queriam logo arrancar o joio do meio do trigo. Mas o dono da plantação disse aos seus servos que eles não deveriam arrancar o joio do meio do trigo ainda, pois certamente eles corriam o risco de arrancar também o trigo junto com o joio, disse aos seus servos esperassem até o momento da colheita para que  pudessem separar o trigo do joio sem medo de errar.

Na sociedade em que vivemos hoje, temos dois tipos de sementes plantadas nesse solo: a Filantropia e a Pilantropia.  Olhando de fora, elas parecem iguais, não tem o que por e nem o que tirar uma da outra,  mas será mesmo que é tudo igual? É possível que você fique confundido, mas a verdade é que você só vai saber a diferença entre o trigo e o joio, a filantropia e a pilantropia quando eles estiverem no tempo da colheita. Dizem os plantadores de trigo que quando está na época da colheita, os  frutos pesam sobre o trigo e ele fica envergado como um "u" para baixo, já o joio não é assim, ele fica todo em pé firme e forte, mas o seu fruto não serve pra nada.

Para saber a diferença entre a pilantropia e a filantropia, não basta ficar de fora observando, você precisa examinar de perto e ver quais os frutos que uma e outra produzem. A pilantropia produz apenas o fruto do oportunismo, onde seus idealizadores estão em busca de se dar bem, aproveitando-se da boa vontade do povo generoso da sociedade e do sofrimento alheio. Esses, como o joio que é arrancado do meio do trigo para ser lançado no fogo, devem ser denunciados e levados para a cadeia, para conhecerem a mão pesada da lei.

Já a filantropia produz bons frutos tais como: recuperação de vidas da miséria, do caminho das drogas e da morte, alegria para as famílias que passaram por momentos críticos em suas vidas, transformação da sociedade, proporção de ajuste à humanidade entre tantas outras coisas.

Você vai encontrar no campo fértil da sociedade brasileira milhares de entidades sociais. É  preciso haver uma investigação básica e conhecimentos dos frutos produzidos por elas para se fazer diferença entre as apenas chamadas instituições filantrópicas das que realmente o são. Fique de olhos bem abertos para que você não seja enganado. Jesus disse às árvores frutíferas: "Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?" - Mateus 7 : 16.

No site do Ministério da Justiça (www.mj.gov.br) pode-se encontrar entidades que pelos menos em termos documentais estão de acordo com o que a lei reconhece com seriedade, mas isso não basta, você precisa ir conhecer cada entidade em que pretende investir seus donativos.

Cláudio Pita é missionário, ex-interno da Febem, Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, diretor presidente e fundador do Lar Nefesh.

www.larnefesh.org.br.

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