Coluna Rev. Luís Alexandre Ribeiro Branco

Coluna Rev. Luís Alexandre Ribeiro Branco

Atualizado: Quinta-feira, 10 Abril de 2008 as 12

A missão entre os mais pobres

Infelizmente existem aqueles que classificam o pobre como uma pessoa "não abençoada". Chegam até a considerá-lo como um pecador sob a ira de Deus, como um desobediente. Mas esta interpretação do pobre não é verdadeira, embora, em última instância, a pobreza seja uma conseqüência da queda da humanidade no pecado, não podemos erradamente imputar esta desgraça humana somente sobre alguns. A pobreza é uma maldição sim, mas sobre a humanidade como um todo e não somente sobre aquele que suporta sobre sua carne os flagelos da pobreza.  

 A pobreza afeta toda a sociedade e não somente alguns. A pobreza tem efeitos sobre a economia, sobre a saúde, sobre a segurança pública, sobre a educação etc. É impossível haver desenvolvimento em uma sociedade que não reconhece que a pobreza é uma questão global, uma responsabilidade de todos, uma ignomínia de todos, e não somente do indivíduo que bate à nossa porta em busca de algo para satisfazer as suas necessidades.

Vejamos o que nos dizem as Escrituras em Deuteronômio 15:9-11: "Guarda-te, que não haja pensamento vil no teu coração e venhas a dizer: Vai-se aproximando o sétimo ano, o ano da remissão; e que o teu olho não seja maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado. Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão. Pois nunca deixará de haver pobres na terra; pelo que eu te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra". Há aqui pelo menos duas advertências importantes:

1. Que o teu olho não seja maligno para com teu irmão pobre: O texto quer dizer que nosso olhar não deve ser do tipo que não serve para nada, o olhar da indiferença. Esse é o tipo de olhar que finge não ver a dor alheia. Não podemos ignorar o pobre que vive entre nós.

2. Nunca deixará de haver pobres na terra: Isto porque a pobreza é uma punição, uma disciplina do Senhor sobre toda a humanidade. Não podemos deixar de exercer misericórdia, pois ela será sempre necessária. Em qualquer país do mundo e em qualquer cidade sempre haverá alguém menos afortunado.

O fato de o pobre sempre existir entre nós é também uma oportunidade dada por Deus para que possamos aprender lições importantes sobre a vida e também alcançar misericórdia: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" - Mateus 5:7.

A igreja deve buscar mecanismos que possam servir de apoio aos pobres, pois o cuidado com o pobre faz parte da nossa missão integral. Vejo esta responsabilidade missionária entre as mais importantes dos nossos dias. É uma missão que nem sempre exige de nós cruzar fronteiras geográficas, mas certamente exigirá o cruzamento das fronteiras do comodismo e do preconceito.

Coram Deo!

Luis Alexandre Ribeiro Branco é casado com Lidiane e tem uma linda filha, Micaela. É missionário da Junta Administrativa de Missões da Convenção Batista Nacional (CBN), enviado pela Igreja Batista Central de Petrópolis. Trabalhou por alguns anos com implantações de igrejas na Índia e treinamento de obreiros nacionais pela CBN. Em 2002 foi convidado pela North Sea Baptist Church na Noruega, para assumir a função de pastor adjunto, onde residiu até dezembro de 2005. Em janeiro de 2006 assumiu o pastorado da Igreja Evangélica Baptista de Cascais. Contatos: www.igrejabaptista.org / www.jami.com.br

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