Com acordo de paz, Sudão do Sul consegue trégua em conflitos internos

Com acordo de paz, Sudão do Sul consegue trégua em conflitos internos

Atualizado: Sexta-feira, 24 Janeiro de 2014 as 9:08

Com acordo de paz, Sudão do Sul consegue trégua em conflitos internosIniciado em dezembro, o conflito mais recente no Sudão pode chegar ao seu fim, com a assinatura de um acordo de paz, na última quinta-feira, 23/01. A trégua foi anunciada em um encontro, na capital da Etiópia, Addis Abeba e está sendo mediada pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad).
 
A organização é formada por oito países africanos (Djibuti, Eritréia, Etiópia, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Quênia e Uganda), que se uniram com objetivos comerciais.
 
As delegações do governo do Sudão do Sul e dos partidários do ex-vice-presidente, Riek Machar estão negociando acordos desde o início de janeiro, na capital da Etiópia.
 
O acordo de paz assinado na última quinta-feira prevê um cessar-fogo e uma solução para a libertação de presos do início do conflito.
 
O início do conflito em Juba (capital do Sudão do Sul) foi motivado pela demissão do ex-vice-presidente. Com o conflito, o presidente do país, Salva Kiir, acusou Riek Machar de tentar conduzir um golpe de Estado.
 
Segundo um dos colaboradores da Missão Portas Abertas na região, os conflitos têm afetado bastante a população local. O representante pediu orações pelo país neste momento.
 
"As pessoas têm sido muito afetadas. Eu ouvi no rádio da ONU, ontem à noite, uma criança explicou que não podia ir à escola por causa da guerra. Ela deveria estudar, mas foi incapaz de fazê-lo, porque teve de deixar todos os seus cadernos, quando fugiu com sua família para um local mais seguro. A criança disse que seus pais estavam chorando o dia todo por conta de seus parentes que morreram e que isso a fez muito infeliz. Ouvindo-a falar assim, sem qualquer esperança para o futuro, senti-me muito triste. Ore! Por favor, ore pela paz", comentou. 
 
Contextualização
A questão da guerra civil Sudão do Sul tem fortes motivações étnicas. O atual presidente é da tribo "Dinka", inimiga da "Lou Nue" - tribo do ex-vice-presidente. Este fator agrava ainda mais os conflitos.
 
Segundo estimativas de organizações não governamentais, o conflito causou aproximadamente 10 mil mortes e mais de 500 mil pessoas estão refugiadas e deslocadas. Outro dado alarmante é que esta guerra civil tem colocado aproximadamente 4,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.
 
Com informações da Agência Lusa / Missão Portas Abertas

veja também