Cristãos saem às ruas na madrugada para orar por prostitutas

Um grupo vinculado à Igreja Batista se reúne duas madrugadas por mês para orar por prostitutas e ajudar a conduzi-las para uma nova vida.

fonte: Guiame, com informações da Baptist Press

Atualizado: Sexta-feira, 31 Maio de 2019 as 9:57

Valerie Carter Smith (segunda à esquerda) orienta voluntários do ministério antes de ministrar prostitutas em Richmond. (Foto: Pam Henderson/WMU)
Valerie Carter Smith (segunda à esquerda) orienta voluntários do ministério antes de ministrar prostitutas em Richmond. (Foto: Pam Henderson/WMU)

Um pequeno grupo de voluntários se reúne duas madrugadas por mês no sul de Richmond, na Virgínia (EUA), para percorrer a cidade e levar o amor de Deus às prostitutas.

Os voluntários se encontram no estacionamento de um fast-food, por volta de 23h, para um breve momento de orientação e oração antes de saírem, dois em dois, ao longo de uma rua repleta de motéis antigos.

Em cerca de 90 minutos caminhando ao longo do percurso, os cristãos param para orar pelas mulheres e pela vizinhança em geral.

Recentemente, os membros do ministério souberam que houve um tiroteio no início da noite e se depararam com carros da polícia e uma ambulância em frente a um dos motéis. A situação levou os cristãos a orar pelos envolvidos, inclusive pelo gerente do motel.

Valerie Carter Smith, diretora da União Missionária da Mulher em Virginia (WMU, na sigla em inglês), vinculada à Igreja Batista, iniciou o ministério de rua há dez anos. Pat Eggleston juntou-se ao ministério alguns anos depois, ajudando a coordenar e liderar o esforço voluntário.

Uma idosa de fala mansa e cabelos brancos, Eggleston não combina com a imagem de alguém que caminha pelas ruas da zona de prostituição à meia-noite ou 1 da manhã. Mas ela vê isso como uma vantagem.

“A idade às vezes é uma oportunidade maravilhosa”, disse ela à Baptist Press. “Eu sou avó e consigo abordar as pessoas dessa maneira. Muitas vezes há pessoas que pensam que eu sou velha demais para fazer certas coisas, mas nós temos que usar as vantagens que temos. Deus deu uma vantagem real a velhice, e acredito que temos que usar isso”.

Abordagem nas ruas

Nas conversas, os voluntários buscam transmitir um senso de dignidade às mulheres. “Minha introdução geralmente é: ‘Oi, como você está esta noite? Você está segura? Somos da igreja e gostaríamos de ter um minuto e conversar com você. Há algo sobre o que possamos orar com você?’”, conta Eggleston.

Ela ainda observa que a maioria das prostitutas são viciadas em drogas e muitas estão nessa condição para sustentar seu vício. “Muitas dessas jovens realmente querem sair. Elas não queriam nem começar. Muitas estão procurando uma saída”, afirma Eggleston.


A voluntária Pat Eggleston ministra prostitutas e outros nas ruas de Richmond. (Foto: Pam Henderson/WMU)

O papel da igreja é oferecer a saída que as prostitutas procuram. “Nosso objetivo é ser sal e luz para um mundo escuro”, disse ela. “É um estilo de vida muito perigoso. Nós vamos lá e conhecemos as pessoas, falamos com elas, oferecemos oração. Nosso objetivo é levar esperança e oferecer recursos”.

“Nós não vamos lá para castigar ninguém. Não estamos lá para julgar ou dar uma correção. Estamos lá apenas para erguê-las em oração e amá-las, pegar suas mãos e abraçá-las”, destaca.

Eggleston tem a dolorosa lembrança de um jovem que pediu uma oração. Duas semanas depois, ele foi assassinado. “Eu sinto que nosso testemunho é através do que eles nos ouvem orar. Nós não vamos corrigi-los, mas quando eles ouvem nossa oração por eles e os conduzimos ao Senhor, esperamos que a esperança seja semeada em seus corações e que eles sintam a graça de Deus”.

Smith explica que os voluntários oram pelo que chamam de “encontros divinos”, perguntando a Deus quem eles devem abordar. “Não precisa ser os que estão na prostituição, falamos com qualquer pessoa que passamos”, conta.

Resultados eternos

Entre as ferramentas do ministério, os voluntários distribuem luvas no inverno e garrafas de água no verão. Eles também distribuem panfletos que fornecem números de telefone para quem quer buscar aconselhamento, programas de recuperação e um alojamento de transição.

“Se ligarem para o meu número, eu os acompanho até o fim. Eu não os deixo ir”, disse Smith. “Eu vi garotas se recuperando das drogas e prostituição porque as mulheres do ministério oraram por elas”, celebra.

Embora os resultados não tragam números massivos ao longo dos anos, Smith afirma: “Deus disse: ‘Seu chamado é estar nas trincheiras’. Seja luz na escuridão, para ser obediente a esse chamado. Estou aqui para compartilhar as boas novas do Evangelho de Jesus Cristo”.

“É um ministério em que você tem que estar satisfeito por não saber se fez a diferença. Eu posso nunca mais ver essa pessoa, mas eu tenho dois ou três minutos, talvez, para amá-la e colocar algo encorajador em seu coração”, disse Eggleston. “Você faz a sua parte e então Deus cuida do resto”.

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