Desafio dos preletores

Desafio dos preletores

Atualizado: Quinta-feira, 16 Setembro de 2010 as 1:47

O sociólogo Paul Freston enfatizou a virtude da humildade amorosa como desafio para a igreja evangélica brasileira. No primeiro dia, ele reforçou a ideia da humildade como a base para a construção das nossas virtudes e exercício de qualquer outro dom, e exortou os ouvintes a usufruir da oportunidade dada por Deus para amar. No segundo dia, ele fez uso da “parábola dramatizada” de Jesus no lava-pés para resgatar a identidade de Cristo, o nosso modelo de ser Igreja. "A humildade não se opõe ao poder (Jesus tinha poder), mas a questão é o que fazer com o poder", disse ele.

Orivaldo Pimentel Jr, pastor da Igreja Batista Viva, de Natal (RN), desafiou os ouvintes a entender a interface da igreja com a sociedade, porque “a igreja está o tempo todo fazendo trocas com o exterior”. Ele falou ainda sobre dois níveis essenciais de transformação: a individual e a social. “Não existe transformação social sem transformação individual, e nem individual sem social. A única interface capaz de gerar as duas é a evangelização integrada com a ação social”. Para ele, missão integral é “o uso da palavra e da ação para a transformação simultânea do indivíduo e da sociedade”.

Sérgio Lyra, pastor presbiteriano em Recife e Siméa Meldrum, pastora da Igreja Anglicana em Olinda (PE), chamaram a atenção dos presentes para o chamado de “sair da zona de conforto” e enfrentar a realidade difícil de muitas pessoas. “Uma situação sócio-econômica confortável em uma igreja local é também uma tentação para fazer adoecer a prática da misericórdia”, disse Lyra. “Jesus não pensou em si mesmo; pensou nos outros. Usou seus privilégios para abençoar os outros. Estamos tão confortáveis em nossa igreja que não enxergamos o que esta acontecendo no mundo. “Talvez tenhamos abandonado a cruz de Cristo, e nos apegado apenas à cruz do nosso trabalho”, exortou Siméa.

Maurício Cunha, diretor de programas da Visão Mundial, explicou a necessidade de uma cosmovisão cristã para atuar na sociedade. “Cosmovisão cristã é como um par de óculos. São os óculos da mente e do coração. Se Deus é criador de todas as coisas, a verdade crista tem que ter aplicabilidade em todas as áreas da vida. Uma igreja transformadora prepara seus discípulos para ser agentes de transformação em todas as áreas da vida”.

Os relatos de líderes de igrejas locais também encorajaram os presentes a trabalhar em favor do pobre dentro da sua própria comunidade cristã. Maruilson Souza (Exército de Salvação), Benedito Bezerra (Igreja Batista de Bultrins, em Olinda), John Medcraft (ACEV na Paraíba), e Isabela Brito, Adriane Isabel e Elizabete Oliveira (Igreja Batista do Pinheiro, Maceió, AL) contataram como suas igrejas locais lutam pela transformação da sociedade. “Nossa denominação mudou tanto que dá esperança para as outras igrejas”, afirmou Medcraft.

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