Dos pés descalços da favela a líder carismático do beisebol em SP

Dos pés descalços da favela a líder carismático do beisebol em SP

Atualizado: Quinta-feira, 1 Outubro de 2009 as 12

"O importante não é ter a liberdade, mas sim o que fazer com ela". Essa foi uma das frases que mais marcou a vida de Agnaldo. E para ele essa frase tinha um sentido único, pois quando a leu num livro do Billy Graham, ele estava preso numa unidade da FEBEM.

Há uma imagem que Agnaldo guarda até hoje em sua memória. Crianças correndo sem rumo em meio aos tiros vindos do confronto com policiais. E o pior é que nessa cena, ele mesmo estava atirando.

Agnaldo nasceu numa família muito pobre e numerosa, o que não trouxe muita expectativa para uma vida de oportunidades. Criado numa favela em São Paulo, ele vagava pelas ruas de terra e já conhecia desde menino o mundo do crime, e dentro da sua própria família.

Quando seu irmão mais velho foi morto, ele acabou se envolvendo com drogas e daí para o crime foi um pequeno passo. Começou a assaltar mansões, chegando até a praticar seqüestros. Envolveu-se com tráfico de armamento pesado e sua vida parecia rumar para o mesmo fim de muitos jovens das ruas de São Paulo: a morte.

Agnaldo foi encaminhado para a FEBEM [atual Fundação CASA] quatro vezes entre 1986 e 1989, e o que ele não sabia é que os muros que significam prisão iriam levá-lo ao encontro da liberdade verdadeira, a que encontramos na vida com Jesus Cristo.

Foi durante a sua última internação na FEBEM [atual Fundação CASA] que um dia Agnaldo participou de uma reunião do Ministério JEAME. Naquele dia ele ouviu testemunhos de jovens como ele, condenados pela sociedade, pela lei, mas que tinham encontrado a graça e o perdão no amor de Deus. E mais, haviam deixado tudo para trás, eram novas criaturas!

Depois daquele dia, seu comportamento mudou radicalmente! Tornou-se exemplo de conduta para muitos que estavam presos ali com ele, e cada vez mais se aprofundou na palavra de Deus.

A diferença foi tanta que ele chegou a receber o benefício de passar o Natal com sua família, mas optou por ficar ali e passar com os amigos e irmãos do Ministério JEAME.

Agnaldo voltou então para as ruas, as mesmas ruas que antes eram palco de guerra, mas agora com outra intenção: levar a Palavra de Deus e esperança aos que estão perdidos.

Voltou a estudar e junto com o Ministério JEAME influenciou e ajudou muitos jovens a deixarem a vida do crime.

Uma das formas que encontrou em ajudar sua comunidade foi através do esporte: o Beisebol. Fundou a Associação do Beisebol em Pirituba, em 1999, e hoje lidera a popularização do Beisebol no município de São Paulo, ele já treinou mais de 400 adolescentes. Este trabalho tem livrado muitos iniciantes nas drogas e prevenido a entrada de outros.

A associação atende mais de 60 crianças a partir de sete anos, revelando jogadores em nível de seleção brasileira. Em 2006, conseguiu levar uma de suas equipes de Beisebol infantil para disputar as eliminatórias sul-americanas na Guatemala. Um momento de muita alegria para ele.

Olhando para vida de Agnaldo, podemos ver uma grande transformação. Dos pés descalços da favela a um líder carismático e capaz.

Mas sem dúvida, a grande mudança em sua vida foi encontrar a liberdade em Cristo e usá-la para levar esperança e paz por onde passa.

"Se um homem mal parar de pecar, se guardar as minhas leis e se fizer o que é certo e bom, não morrerá: é certo que viverá". Todos "os seus pecados serão perdoados, e ele viverá porque fez o que é certo".

Ezequiel 18:21 e 24.

Após quatro passagens pela FEBEM, Agnaldo Veríssimo conheceu a verdadeira liberdade que há em Jesus e hoje ajuda crianças através do Beisebol.

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