Espanha: Campanha anti-crucifixo revela ''perseguição religiosa oculta''

Espanha: Campanha anti-crucifixo revela ''perseguição religiosa oculta''

Atualizado: Sábado, 19 Setembro de 2009 as 12

O Bispo de Tarazona, Dom Demetrio Fernández, saiu ao encontro dos grupos que promovem o retiro dos crucifixos dos espaços públicos e advertiu que estas campanhas vêem a Deus como um estorvo, formam parte da ''perseguição religiosa oculta'' que afeta a Espanha e confundem o conceito de estado laico, porque pretendem fazer deste um país ateu.

O Bispo difundiu uma carta pastoral em que adverte que ''quando querem tirar Deus da praça pública, quando querem prescindir de Deus, como se Deus fora um estorvo, quando querem arrancar do coração de nossas crianças e jovens a Jesus Cristo, tira-se o crucifixo da escola, dos hospitais, de todo âmbito da vida pública''.

Do mesmo modo, respondeu a ''aqueles que pretendem tirar o crucifixo argumentam com razões de laicidade'' e explicou que ''essa laicidade, que tem que suprimir a Deus para afirmar-se a si mesmo, é uma laicidade sem futuro, é uma laicidade que não faz bem ao homem. É uma laicidade que tem que arrasar toda uma história, uns costumes, uma cultura cristã em suas raízes e em suas expressões''.

''Que o Estado é laico quer dizer que oficialmente não confessa nenhuma religião, mas ao mesmo tempo favorece a religião de seus cidadãos, porque considera a religião como um bem para o homem, para os cidadãos aos que serve. Mas quando suprime todo símbolo religioso, se adota uma postura direta de ataque ao religioso, que contradiz a sã laicidade'', esclareceu.

Neste sentido, assinalou que ''uma Estado verdadeiramente laico respeita as crenças e convicções de seus cidadãos, as favorece e as apóia sempre, porque a religião é uma dimensão fundamental da pessoa. Quando, pelo contrário, ataca as convicções religiosas de seus cidadãos (sejam os que sejam), deixa de ser um Estado laico para converter-se em um Estado confessionalmente ateu. Porque só aos ateus incomodam Deus e os símbolos religiosos''.

Dom Fernández considerou que ''na Espanha, encontramo-nos com uma situação de verdadeira perseguição religiosa oculta, com este e com outros muitos atos concretos. É uma perseguição que recorta a liberdade religiosa. Está gerando-se a nova lei de liberdade religiosa. Veremos por onde sai, mas, com estes preâmbulos, tememos o pior, sobre tudo no âmbito da objeção de consciência''.

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