Evangelho transforma machismo de índios xerentes

Evangelho transforma machismo de índios xerentes

Atualizado: Sexta-feira, 12 Fevereiro de 2010 as 12

A Sociedade Xerente sempre foi bastante machista, com todo o respeito, e as mulheres simplesmente acompanhavam, de longe, com raras exceções, o desenrolar dos acontecimentos sociais e políticos. Mas, as coisas estão mudando.

Na aldeia Brejo Verde (Mrãirê) a 80 km da cidade, por exemplo, onde trabalha nosso colega Pr. Mário L. G. Moura e onde teve início uma nova igreja sob a liderança espontânea de José Kumr&>97;zdazê, com cultos todos os sábados e domingos, as mulheres resolveram fazer também sua própria reunião todas as terças-feiras.

Na aldeia Salto, onde trabalhamos, uma mulher dirigiu o culto, pela primeira vez, na ausência do Dirigente e seu Vice. E ela, Betânea Kuzadi, o fez com desenvoltura. Não somente dirigiu, mas usou da oportunidade para exortar os irmãos sobre como viver a vida cristã. Tudo isso sob o ''pano de fundo'' da crença Xerente de que a geração de uma criança, no ventre materno, depende apenas da semente masculina.

A mulher é somente o invólucro onde a criança é gerada, diz a crença. Há, inclusive, uma expressão popular, um tanto depreciativa em relação ao sexo feminino, que diz: ''Pikõ tô sakukrê si'' (''A mulher é somente a vasilha''). E essa ''sentença'' sobre a mulher Xerente sempre a deixou para trás, em termos de liderança. Com a nova consciência, elas estão aprendendo que ''Waptokwazawre Damã, pikõ sakukrê si kõdi''. ''Para Deus, a mulher não é, de modo algum, somente a vasilha''. Elas estão entendendo que Deus chama homens e mulheres para o seu trabalho. E esse é um novo sinal no desenvolvimento da igreja Xerente e, por que não dizer, um sinal também de resgate da dignidade feminina. Louvado seja Deus!

Por Rinaldo de Mattos

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