Famílias dependem de doações para sobreviver

Famílias dependem de doações para sobreviver

Atualizado: Sexta-feira, 18 Fevereiro de 2011 as 12:12

Aos poucos os moradores da passagem Vila Rica, atingida por um incêndio no dia 1º deste mês, tentam organizar a vida. Acomodados em casas de parentes e até em uma igreja do bairro de Canudos, as 34 pessoas que perderam suas casas para o fogo dependem das doações para reconstruir o que foi perdido. Na manhã de ontem, a Defesa Civil Municipal entregou às vítimas cerca de 100 quilos de alimentos não perecíveis e 300 quilos de roupas.

Desde que teve a casa consumida pelo fogo, a babá Ana Paula Monteiro está vivendo nos fundos de uma igreja que fica na passagem Roso Danin, onde também estão abrigadas mais duas famílias. Em um espaço de um cômodo, ela e os parentes dormem, se alimentam e tomam banho. Quase tudo o que eles têm para viver é fruto de doações. “A única coisa que é nosso são esses shampoos, o resto é tudo doado”, explica, mostrando os quilos de alimentos não perecíveis que receberam.

Ana Paula afirma que não é fácil viver nessa situação. “A gente tá tentando fazer o que pode, mas não é fácil. As roupas têm que ficar dentro de sacos e os colchões todos no chão”, conta. “Ficamos aqui com duas crianças de quatro anos e eles reclamam muito. Falam o tempo todo que querem ir pra casa”.

A vizinha de Ana Paula, Luzia Silva de Araújo, que também perdeu o lugar onde morava, é mais otimista. Na sua casa moravam sete pes-

soas, mas, depois do incêndio, a família foi distribuída pelas casas de parentes. Ela está morando com o neto e com mais três pessoas e no momento só pensa em reconstruir sua casa. “Depois que recebermos o cheque-moradia vamos poder fazer a fundação da casa que é o mais caro”, planeja. “A gente trabalha, ganhamos o nosso dinheiro. Depois da fundação, a gente resolve, vai construindo aos poucos. Vamos começar a luta tudo de novo”.

CHEQUE-MORADIA

Segundo a técnica da Defesa Civil Municipal, Rosário de Sá Ribeiro, que esteve no local para entregar os donativos aos moradores, ainda não há previsão de quando o cheque-moradia vai ser liberado. “Nessas situações de incêndio, normalmente há perda total da documentação e o cheque-moradia só vai ser liberado depois da documentação e demora um pouco”.

Apesar de ainda não terem uma previsão de quando poderão receber o benefício, a vontade de reconstruir tudo o que foi perdido é grande entre os moradores. Olhando para o que restou de sua casa, a doméstica Norina de Araújo sonha com o dia em que vai poder reerguê-la. “O que eu queria era construir tudo de novo no mesmo lugar porque tudo o que eu tinha foi perdido”.

Desde o incêndio, ela está morando na casa do filho com mais seis pessoas. “A gente vai levando né? Eu perdi tudo, o resto que ficou foi assim”, fala, apontando para as cinzas. “Eles (a Defesa Civil) estão ajudando com alimentos, mas queria mesmo é a minha casa”.

Sobre a entrega das doações, Rosário Ribeiro afirma que o que os moradores mais pedem são utensílios de cozinha. “Viemos aqui tentar diminuir a perda que eles tiveram. Trouxemos sapatos, roupas, utensílios domésticos. Eles estão precisando muito de eletrodomésticos, são o que mais pedem”.

A dona de casa Helena Ferreira está abrigada na casa da filha, mas depende muito das doações. “Eu preciso de um botijão de gás. Doam alimentos, mas precisamos muito de toalhas, louças, lençóis. Na minha casa eu tinha tudo, mas de repente eu me encontrei apenas com a roupa do corpo”.

Mesmo após vários dias do incêndio, o entulho retirado das casas queimadas ainda se encontra nas laterais da passagem Roso Danin. Na manhã de ontem, quando foi feita a entrega dos donativos, um caminhão da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) estava retirando os pedaços de madeira queimados, mas a população afirma que já tinha entrado em contato com a prefeitura há bastante tempo.

Ela não teve a casa atingida, mas é uma das pessoas responsáveis pela organização e distribuição das doações na comunidade. Rosane conta que no último domingo os moradores, que já estavam cansados de esperar por uma providência, montaram um mutirão para levar o entulho até a rua.

COMO AJUDAR

A campanha para levar donativos aos desalojados da Vila Rica ainda vai durar uma semana. Quem puder ajudar pode entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 3242-5332 ou se dirigir à sede do órgão, na travessa Campos Sales, n° 33, entre Boulevard Castilhos França e 15 de Novembro. (Diário do Pará)

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