Helene Londahl: uma mulher na rua Timbiras

Helene Londahl: uma mulher na rua Timbiras

Atualizado: Quarta-feira, 10 Fevereiro de 2010 as 12

No title Em um sábado, à noitinha, em 1936, uma moça solteira de 33 anos, vestida com o uniforme do Exército de Salvação, se viu, pela primeira vez na vida, em uma área de prostituição. Seu nome era Helene Londahl, missionária norueguesa. Ela estava vendendo o jornal Brado de Guerra pelas ruas de São Paulo. Demorou a perceber que chegara à rua Timbiras, à época lugar de prostituição. A reação de Londahl foi um misto de medo e compaixão. A compaixão venceu o medo.

Com a ajuda de Maria Josefina Anderson, uma jovem brasileira de 21 anos, também do Exército de Salvação, ela resolveu convidar as mulheres da rua Timbiras para uma ceia de Natal na Igreja Presbiteriana Unida da rua Helvetia. Elas convidaram cerca de trezentas pessoas. No dia da ceia, apenas quatro apareceram. A primeira idéia não deu certo, mas as duas moças não desistiram.

Em 12 de fevereiro de 1938 (mais de um ano depois daquele Natal) foi inaugurado o Lar das Moças, um projeto que atendeu 1.300 mães solteiras de 1938 a 1958. A missionária também lutou por leis que favorecessem o afastamento das mulheres da prostituição e o acolhimento das que precisavam de abrigo.

Nos seus anos finais, Helene Londahl concluiu o doutorado em sociologia na Universidade de São Paulo. Como reconhecimento por seu trabalho, recebeu a Medalha de Honra da Esso Brasileira de Petróleo e a Medalha de Santo Olavo, do Rei Olavo V, da Noruega. Helene morreu em 1973, aos 70 anos, e foi enterrada no cemitério do Getsêmani, em São Paulo. Seu enterro foi embalado por músicas em norueguês que lembravam o céu.

O Lar das Moças deu lugar ao Rancho do Senhor, reinaugurado em 2007. O programa orienta a prevenção da gravidez precoce, assiste as gestantes que precisam de serviços públicos, orienta famílias e abriga adolescentes grávidas em situação de risco social encaminhadas pelo Poder Público. (L.D.)

veja também