Ide e fazei amigos: a amizade na evangelização dos universitários

Ide e fazei amigos: a importância da amizade na evangelização dos universitários

Atualizado: Quinta-feira, 6 Fevereiro de 2014 as 12:36

amigosO brasileiro é reconhecido como um povo alegre, hospitaleiro, festeiro, e, principalmente, por fazer amizades de maneira fácil. Para a juventude atual, os amigos são muito importantes na formação de valores e opiniões, e eles estão abertos a conversar sobre qualquer assunto. Jesus ficou conhecido como amigo de publicanos e pecadores (Mt 11.19) e cabe aos universitários cristãos fazerem amizades dentro das universidades para assim pregar o Evangelho a tantos jovens que estão perdidos sem Cristo no meio acadêmico.
 
Jesus é o nosso modelo para interagirmos com os não cristãos ou com pessoas que não têm clareza sobre sua fé. A igreja primitiva, simbolizada na pessoa de Pedro, teve grandes dificuldades em interagir com os não cristãos, não seguindo o modelo de Jesus. A igreja evangélica – em especial, os universitários evangélicos dentro das universidades – tem adotado a mesma postura de Pedro e também enfrenta dificuldade em interagir com os não cristãos ou fazer amizades com eles.
 
Durante todo o seu ministério, Jesus interagiu com pessoas de má fama para que estes pudessem se relacionar com Deus e ordenou aos seus discípulos que fizessem o mesmo (Mt 28.18-20). Jesus ensinou,  assim, a superar preconceitos e qualquer forma de discriminação. Ironicamente, porém, seus discípulos, que eram rejeitados pelos fariseus nos dias de Jesus, começaram a agir mais como os fariseus, inclusive tendo muita dificuldade de pregar o Evangelho fora de Jerusalém (Atos 1.8). Os discípulos relutaram enquanto podiam para pregar aos não judeus. E quando o fizeram tiveram uma enorme dificuldade em interagir com eles, por causa de seu apego à religiosidade e às leis judaicas.
 
Os jovens universitários evangélicos apoiam-se em regras supostamente vindas de Deus, como os judeus fizeram com a tradição de não comerem sem lavar as mãos. Regras em relação às quais o apóstolo Paulo escreveu para não nos submetermos, pois “tem aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Cl 2.23). Com a desculpa de não escandalizar o próximo, esses jovens deixam de ir a certos lugares e ao encontro de pessoas, quando o próprio Jesus escandalizou a muitos (Mt 13.57) por causa do seu amor aos “perdidos”.
 
É preciso que os jovens universitários evangélicos deixem seus guetos eclesiásticos e penetrem na sociedade atual com um testemunho vibrante e convincente. A mulher samaritana somente se relacionou com Deus porque Jesus insistiu em passar por Samaria e tomar a iniciativa de conversar com ela, contra o que previa a lei judaica. O povoado onde aquela mulher morava somente se relacionou com Deus porque Jesus ficou dois dias dormindo, bebendo e conversando com eles. O leproso e a mulher com hemorragia só foram curados porque Jesus deixou ser tocado por eles. O rico Zaqueu somente se relacionou com Deus porque Jesus tomou a iniciativa de se hospedar em sua casa, correndo o risco de ser considerado conivente com a corrupção. Se Jesus desse ouvido às pessoas que o criticavam por agir dessa maneira, muitas pessoas continuariam sem oportunidade de se relacionar com Deus.
 
Os jovens universitários evangélicos não podem ter medo de se relacionar com não cristãos. Não podem ter medo de se sentar onde não cristãos sentam. Não podem ter medo de ir onde se encontram pessoas diferentes e com outras opções de vida e de fé. Se quiserem propagar o Evangelho, os jovens universitários evangélicos precisam fazer amizades com qualquer pessoa. Eles precisam aproveitar toda a sua brasilidade e ir, com toda a alegria, anunciar o Evangelho para que muitos universitários se tornem amigos de Deus.
 
 
• Maurício Jaccoud da Costa é pastor e missionário do Movimento Estudantil Alfa e Ômega – um ministério da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo. É mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Atualmente, exerce as funções de professor e coordenador do curso de Missiologia da Faculdade Teológica Batista Equatorial, em Belém (PA).

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