Igreja Adventista realiza encontro sobre liberdade religiosa

Igreja Adventista realiza encontro sobre liberdade religiosa

Atualizado: Sexta-feira, 7 Fevereiro de 2014 as 8

Ultimamente os conflitos étnico-religiosos têm ido além das páginas de agências missionárias, alcançando assim espaço nas pautas de grandes grupos de comunicação em todo o mundo. Na última quarta-feira, 05/02, diversas autoridades conceituadas no combate à perseguição religiosa pelo mundo se reuniram na sede da Igreja Adventista para América do Sul, em Brasília.
 
Entre os convidados para o encontro, estava o sociólogo Brian Grim, presidente da "Religious Freedom & Business Foundation" ("Fundação Liberdade Religiosa e Negócios") - primeira organização dedicada a conscientizar empresas sobre a importância da liberdade religiosa nos países.
 
Durante anos, Grim se dedicou a pesquisas pelo "Pew Research Center" - instituto mundialmente conhecido por fornecer informações sobre tendências e temas que moldam o desenvolvimento do mundo. Pesquisas como de opinião pública, demográfica, análise de conteúdos de mídia e de ciência social empírica também são realizadas pelo grupo.
 
Ao comentar o problema da perseguição religiosa pelo mundo, Grim elogiou práticas adotadas pelos brasileiros.
 
“Nós sabemos qual é o problema, mas também sabemos qual é a solução: o Brasil. O país tem uma história para compartilhar com o mundo”, destacou. 
 
O pesquisador trabalha com a ideia de que grandes empresas podem contribuir bastante no combate à perseguição religiosa quando descobrirem o quanto são prejudicados por este tipo de intolerância.
 
Diálogo necessário
Presidente da Igreja Adventista para a América do Sul, Erton Köhler ressaltou a importância de a busca pela liberdade religiosa não estar exclusivamente ligada a uma denominação específica.
 
“É uma luta que envolve todos aqueles que professam alguma fé. É por isso que precisamos unir forças em prol de um ideal comum, bem como parcerias para que continuemos a ter o direito de professar aquilo que acreditamos”, esclareceu.
 
O líder ainda declarou que a Igreja Adventista está disposta a avaliar e contribuir com os projetos que o "Religious Freedom & Business Foundation" quer desenvolver no Brasil.
 
O discurso de Köhler também foi reforçado pelo Pastor Rafael Rossi - diretor de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para oito países da América do Sul - que citou as igrejas locais como núcleos de defesa da liberdade religiosa em potencial.
 
“Cada igreja local deve ser um núcleo de defesa da liberdade de culto onde está inserida, ajudando os seus membros a entenderem que o ataque à liberdade religiosa é um ataque à dignidade humana”, explica.
 
Rossi ainda destacou que alguns dos posicionamentos da "International Religious Liberty Association" (IRLA) servem de norte ao se tratar da questão. São eles:
 
a. Chamar o povo brasileiro a promover ativamente os princípios da liberdade de religião ou crença, como desenvolvida no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do corpo de instrumentos internacionais de direitos humanos, através de Fóruns, Congressos e Festivais de Liberdade Religiosa;
 
b. Instar o governo brasileiro para que fique atento e proporcionando um ambiente positivo para a liberdade religiosa de acordo com padrões internacionais;
 
c. Encorajar os que supervisionam os processos constitucional e legislativo para oferecerem proteção à liberdade religiosa que não beneficie uma fé em particular, em detrimento daqueles que praticam outras religiões ou nenhuma religião;
 
d. Identificar formas concretas de se envolver na defesa da liberdade religiosa e garantir que tal defesa seja sensível tanto ao contexto quanto à situação;
 
e. Incentivar as pessoas, inclusive jovens, a tomarem a iniciativa de se tornarem defensores da liberdade religiosa, local e internacionalmente;
 
f. Manter a liberdade religiosa como um direito humano único e fundamental e resistir à pressão para aceitar argumentos reducionistas que afirmam já existirem outros direitos como a liberdade de expressão, de associação e igualdade, tornando assim, desnecessária, a liberdade religiosa;
 
g. Reafirmar a Separação entre Estado e Religião, devendo o Estado permanecer neutro e não hostil quanto às religiões, reconhecendo que estas contribuem positivamente na sociedade, garantindo nos termos da Lei a Liberdade Religiosa de todos e a proteção do fato religioso.
 
Também participaram da reunião o desembargador Flávio Cooper, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região; Doutora Damaris Moura, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP); Doutor Gregory Clark, advogado internacional; Doutor Fábio Nascimento, advogado; Ney Garcia, jornalista; Samuel Gomes de Lima, presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (Ablirc); Doutor Marcos Tavares, secretário de assuntos jurídicos do município de Cesário Lange, no interior paulista; Pastor Luís Mário, assistente da presidência da Igreja Adventista para a América do Sul; Doutor Luigi Braga, diretor jurídico da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, e doutor Vanderlei Vianna, assessor jurídico assistente da Igreja Adventista na América do Sul.
 
Com informações da Agência Adventista Sul-Americana de Notícias
 
Imagens: Agência Adventista Sul-Americana de Notícias

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