Igrejas enfrentam dificuldades na Angola

Igrejas enfrentam dificuldades na Angola

Atualizado: Quinta-feira, 6 Maio de 2010 as 12:55

São várias as igrejas radicadas em Angola que têm as suas raízes fora do país, principalmente na Europa. Por isso, é bom registar que as seitas de origem nacional não são as únicas a responder aos anseios e ao vazio que muitos compatriotas sentem. Das congregações missionárias, é justo realçar também a "igreja Exercito de Salvação", que se define como uma comunidade cristã. Foi fundada em 1865, em Inglaterra, chegou a Angola em 1976, e foi reconhecida através do Decreto 12/92 do Ministério da Justiça.

Penetrou em Angola de uma "forma prodigiosa", através da República Democrática do Congo, onde entrou em 1934. Com o regresso de muitos compatriotas ao país, depois do "exílio" naquele território, alguns deles trouxeram as suas convicções religiosas professadas nesta igreja, que segue um esquema semelhante à hierarquia militar. Assim sendo, nas suas fileiras, conta com soldados, sargentos, capitães, coronéis, etc., tendo apenas um general, que é o Secretário-Geral a nível mundial.

Em Angola, os fiéis vivem a sua fé com muita alegria, como garantiu o capitão Timóteo Ndobasi, responsável pela Paróquia Central, situada no bairro Palanca. Com uma disposição impar, num "domingo solene" devido à festa que a comunidade celebrava -  a do "Lar da Liga Júnior", dia consagrado aos jovens desta igreja, o pároco recebeu a equipa do Jornal de Angola com muita simpatia, proferindo estas palavras: "Estamos felizes porque Deus continua a abençoar a nossa comunidade. Hoje, a igreja do Exercito de Salvação, em Angola, está implantada nas províncias do Uíge, Zaire, Moxico, Benguela, Lubango e, naturalmente, Luanda". Trata-se de uma informação que confirma a expansão, embora que tímida, desta confissão religiosa.

Continuando na mesma sequência, o capitão avança mais pormenores, contrariando o que muitos têm pensado e dito acerca da sua comunidade: "Nós, os da igreja de Exercito de Salvação, não complicamos nada e ninguém, como muitos pensam. Pregamos apenas a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador. Quer com isto dizer que pregamos a verdadeira doutrina de Cristo, seguindo o Evangelho à letra. Não tiramos nem acrescentamos nada. Gostaria de sublinhar esta vertente: a Boa Nova de Cristo está no centro da fé que professamos".

Estas palavras, segundo o que se pode verificar no terreno, correspondem à realidade, pois os fiéis desta congregação concentram-se mesmo no Evangelho, e tudo está preparado para que não faltem homens para ensinar aos outros. Por isso, também aqui, a formação dos "obreiros" é uma prioridade. O capitão confirma esta visão: "Estamos atentos quanto à formação dos nossos pastores, pois é importante que haja gente bem preparada para realizar a missão de pregar a Boa Nova. Neste sentido, temos a nossa escola de formação que funciona no bairro da Corimba, aqui em Luanda. Recebemos muitos candidatos que assumem a sua vocação de pregadores. Os mesmos vêm de vários pontos do país e são recebidos com muita alegria. A direcção da igreja cria as mínimas condições para garantir a sua formação, pois sabemos que o sucesso do seu apostolado depende muito da qualidade da escola. Por isso, temos tido muita cautela para não falhar neste ponto, que é muito importante para a vida da nossa congregação".

Afinal, a formação não tem apenas a ver com os candidatos ao ministério pastoral. Também a juventude tem sido muito bem tratada, pois dela depende a vitalidade e o futuro da congregação. "Temos muitos jovens nos nossos núcleos, e temos aplicado uma pedagogia adequada para que os mesmos se sintam muito bem na nossa igreja. E eles têm tido uma participação muito activa, através da Liga de Lar Júnior, um movimento juvenil que desempenha um papel muito importante na nossa pastoral. Tem colaborado em várias vertentes e com muito entusiasmo. E isto nos anima", assegurou ainda o nosso interlocutor.

O mesmo não relega para o segundo plano a questão do ecumenismo, que, infelizmente, não agrada a todos os que se declaram cristãos. O Exército de Salvação, tendo no seu centro Jesus Cristo - o Salvador, encara o ecumenismo com um notável sentido de responsabilidade. O capitão tem de novo a palavra: "Compreendemos e vivemos de uma forma viva o ecumenismo, um movimento com muita consideração a nível de Angola. Para nos sentirmos realmente como filhos de Deus, a nossa igreja achou por bem caminhar com outras confissões cristãs, tendo consciência daquilo que devemos realizar de modo que todos sejamos num só em Jesus Cristo. Como o CICA (Conselho de Igrejas Cristãs em Angola) existe no País para ajudar todos os cristãos a viverem unidos, tivemos que alinhar com ele neste desafio para darmos o nosso contributo aos esforços que se têm realizado para unir os cristãos em Angola. Por isso, somos membros do CICA".

Pelos vistos, ultimamente a promoção social tem surgido como uma meta quase de todas as igrejas, pois todos querem que a sua mensagem seja "encarnada" e produtiva. Nesta linha, o Exercito de Salvação não se limita a pregar a Boa Nova a nível teórico. Vai até à prática para salvar os homens já aqui na terra. No sentido de aplicar à letra a doutrina que prega sobre a "salvação integral", com ajuda que vem principalmente da sede internacional, a congregação gere alguns postos de saúde e escolas. Mas o projecto ambicioso que está a concentrar todos os esforços da comunidade tem como direcção a província do Moxico: "Estamos empenhados na concretização do projecto de água em Moxico, e apostamos na conclusão do referido plano, que é muito difícil para ser concretizado", disse para terminar o capitão Timóteo Ndombasi, que não escondeu a sua esperança na realização deste ideal.

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