Irã: A jornada para a liberdade de um casal

Irã: A jornada para a liberdade de um casal

Atualizado: Quinta-feira, 30 Julho de 2009 as 12

IRÃ (3º) - Azita e Ahmad Shafaghat tornaram-se cristãos no Irã islâmico há 10 anos e estão foragidos desde então. A longa jornada do casal para a liberdade terminou quando o avião em que viajavam aterrizou em Vancouver.

Para cumprimentá-los no portão internacional estava a defensora dos direitos humanos Nazanin Afshin-Jam, a antiga Miss Canadá, que deixou sua coroa de miss para se tornar uma defensora tenaz dos refugiados, de mulheres e crianças ao redor do mundo.

O casal parecia exausto, mas entusiasmado após o longo vôo. Eles sorriram ao encontrar a senhora  Afshin-Jam na multidão, e Shafaghat correu para os braços dela.

"Estou muito feliz", dizia Shafaghat repetidas vezes. "E obrigada Canadá, estamos muito felizes que o Canadá tenho nos aceitado".

Afshin-Jam, cujos pais deixaram o Irã e foram para o Canadá quando ela ainda era bebê, ouviu sobre a situação difícil do casal quando eles estavam presos na Turquia. Ela levantou a questão em Ottawa e isso logo caiu com o Ministro da Imigração e Cidadania Jason Kenney, que rapidamente localizou os refugiados e lhes deu permissão para entrar no Canadá em janeiro.

"Este era meu sonho", disse Afshin-Jam. "Eu tenho conversado com eles há 2 anos e meio".

No início, quando descrevia a experiência do casal ao longo de uma década, ela disse "Eu acho que este casal tem enfrentado muitas situações difíceis, mais que qualquer um poderia enfrentar em sua vida".

Os problemas de Shafaghat começaram há uma década, quando foram presos em um comício de estudantes anti-governamentais em Terã.

Ambos recém-convertidos ao cristianismo, Shafaghat usava uma cruz e seu esposo carregava a bíblia. A policia prendeu o casal por cinco meses e foram torturados.

O islamismo tem sido a religião oficial do Irã desde a revolução de 1979, mas milhares de cristãos e não-muçulmanos têm permissão de praticarem suas crenças com restrições. Contudo, o estado tem menos tolerância com pessoas que se converteram do islamismo.

No ano passado, o Irã estabeleceu uma "lei" tornando esse ato um pecado capital para o homem que deixar a fé islâmica. Para as mulheres, a pena é viver encarcerada.

Com Afshin-Jam traduzindo Shafaghat disse que ela e seu marido cresceram descontentes com o islamismo no Irã. "Em nome do islamismo eles matam pessoas, eles fazem disso uma prática obrigatória naquela região. Eu pratico a fé de minha escolha. Isso é algo que deveria vir do coração, mas eles escolhem a religião que está perto de seus corações".

A polícia iraniana libertou o casal após cinco meses, mas o casal temia por sua segurança e mudou-se para o interior, praticando sua fé clandestinamente.

Os pais e a irmã de Shafaghat já tinham deixado o Irã e ido para a Grécia. Em 2006, o casal decidiu fugir também. Eles deixaram o Irã a pé, fazendo seu caminho, atravessando o Iraque até a Turquia. Lá se juntaram a mais sete outros iranianos refugiados em um barco inflável com destino à Grécia, mas a polícia grega interceptou o barco e prendeu os ocupantes.

Afshin-Jam disse que as autoridades da Grécia enviaram o casal para a Turquia, onde ficaram encarcerados por 11 meses. A senhora Afshin-Jam ouviu a história deles e os tirou da prisão.

Finalmente, foram declarados refugiados das Nações Unidas, mas eles estavam entristecidos num vilarejo da Turquia, esperando por um país que os aceitasse. A princípio, a Finlândia parecia a melhor escolha, no entanto, recusaram o casal.

"Eu acho que este casal tem enfrentado muitas situações difíceis, mais que qualquer um poderia enfrentar em sua vida", disse Afshin-Jam.

"Às vezes, eles se sentiam deprimidos, como se nenhum país fosse aceitá-los, principalmente depois que a Finlândia os rejeitou. Eles estavam com o coração partido. Eles disseram: ‘Nazanin, nós não sabemos se seremos capazes de ter uma vida normal". Eu disse: "Não, não parem de crer. Mantenham suas esperanças vivas. Eu garanto que nós vamos encontrar uma saída’ ".

A senhora Afshin-Jam foi a 2° colocada no concurso de Miss Universo em 2003. Desde então, a Universidade da Colúmbia Britânica tem se concentrado nos direitos humanos ativistas.

Para os Shafaghat, Afshin-Jam é mais que um rosto amável e eles disseram isto a ela: "Eles disseram que a comunidade Persa me respeita muito".

Anteriormente, a sra. Afshin-Jam havia lançado uma campanha para salvar uma iraniana de 18 anos que havia sido sentenciada à morte no Irã por esfaquear um homem que tentou estuprar a ela e a sua sobrinha em 2005. A jovem iraniana finalmente foi dispensada da sentença.

O sr. Kenney, amigo de Afshin-Jam, contou aos repórteres em Ottawa que ele interviu no pedido de Afshin-Jam, porque a experiência do casal parecia terrível. "Este é um caso trágico de perseguição religiosa no Irã e eles foram presos em circunstâncias muito difíceis na Turquia, então, quando nós ouvimos este caso, decidimos oferecer proteção a eles".

O sr. Kenney elogiou os antecedentes de Afshin-Jam, minimizando o status de miss beleza. "A miss Afshin-Jam é uma das porta-vozes pelos direitos humanos das pessoas perseguidas no Irã, contra as execuções de crianças e pela liberdade religiosa. Ela está em contato com milhares de pessoas online no Irã e com iranianos refugiados fora do país. Ela faz trabalhos maravilhosos para defender os direitos deles".

Tradução: Eliane Gomes dos Santos

veja também