Manifestação contra o abuso sexual

Manifestação contra o abuso sexual

Atualizado: Quinta-feira, 27 Maio de 2010 as 5:22

Cerca de mil crianças participaram no dia 16 de maio da Mobilização geral pelo 18 de maio - Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O encontro, que é realizado há dez anos, aconteceu no Parque da Cidade e reuniu também autoridades, representantes de projetos sociais das regiões administrativas de Ceilândia, São Sebastião, Paranoá e Taguatinga e comunidade em geral. Na programação, apresentações culturais e a tradicional revoada de balões.

Promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), por meio da Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, com apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do DF (Sedest), a campanha tem como símbolo uma flor. O slogan: "Faça bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes".

Para a Secretaria Executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, cada vez mais as pessoas têm que falar sobre o assunto, importante de ser destacado. "Nossa intenção é de dar visibilidade ao tema e convencer a sociedade a denunciar. As pessoas sabem que existe o problema, mas às vezes não sabem o que fazer", frisa. Segundo Karina, o resultado é visto através do aumento de ligações no Disque Denúncia, através do número 100. "Assim como a flor, símbolo da campanha, que precisa de proteção e cuidados para se desenvolver, as crianças e adolescentes também", disse.

De acordo com ela, a principal dificuldade para acabar com a violência sexual é a impunidade. "Os agressores sexuais, normalmente, ficam impunes. Muitas pessoas dizem: pra quê vou denunciar, não adianta nada. A grande questão é fazer cumprir a lei", completa.

Cícera Morais, da Secretaria de Direitos Humanos, especifica que a secretaria apoia a manifestação desde 2000. "Entendemos que o momento é da sociedade. Precisamos nos unir para combater esse mal. É um tema difícil de ser tratado. Uma violência silenciosa, que acontece, muitas vezes, dentro de casa", relata. Cícera diz que normalmente os agressores são padastros e vizinhos, pessoas próximas que conhecem a rotina das vítimas.

A representante da comissão distrital de Enfrentamento à Violência Sexual, Adriana Miranda, diz que é preciso chamar a atenção das pessoas. "É um fenômeno que está em todas as classes sociais, entre pessoas de grupos religiosos e etnias diversas. Um problema difícil, mas não impossível", ressalta. Para ela, na medida em que a sociedade tem informação sobre o fenômeno, as possibilidades de enfrentamento aumentam.

A auxiliar de sala Edna Tomaz de Aquino, 46 anos, foi ontem ao Parque da Cidade participar da mobilização. "A iniciativa é interessante. Os direitos das crianças e adolescentes estão sendo violados e é preciso fazer algo".

A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o "Crime Araceli". Esse era o nome de uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi raptada, drogada estuprada, morta e carbonizada por jovens da classe média alta daquela cidade. O crime prescreveu impune.

Por por Emanuelle Coelho

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