Ministro do Paquistão condena recompensa por morte de cristã

Ministro do Paquistão condena recompensa por morte de cristã

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 12:27

O Ministro Federal dos Assuntos de Minorias no Paquistão, Shahbaz Bhatti, condenou o recente anúncio de uma recompensa pela morte da mulher cristã presa no corredor da morte por blasfêmia, diz em relatórios Jawad Mazhar, Correspondente Especial para a ANS.

Segundo o jornal paquistanês Daily Times, ele disse que a recompensa deve ser desencorajada da maneira mais forte possível, porque ninguém tem o direito de emitir um decreto para matar outra pessoa. Bhatti também acrescentou que o Paquistão é um país civilizado e violação da regra da lei não é permitido.

"Todos os meios legais e constitucionais serão adotados no caso da Ásia Bibi", assegurou Bhatti, que estava encarregado de investigar o caso e informou que Bibi era inocente para o presidente Asif Ali Zadari.

Uma islâmica conhecida por fazer anúncios com recompensas similares por assassinato já ofereceu cerca de 6 mil dólares a quem matasse Ásia Bibi durante seu sermão na maior mesquita em Peshawar.

De acordo com a Asia News, Imam Maulana Yousuf Qureshi também ameaçou o governo de não alterar ou revogar as leis contra a blasfêmia, que oferecem proteção para a “santidade” do Profeta Maomé.

Qureshi, que também pediu a morte dos cartunistas dinamarqueses que desenharam caricaturas do profeta Maomé, disse que se o juiz do tribunal de apelações liberar Bibi ela será morta logo em seguida por extremistas muçulmanos.

"Há centenas de milhares de pessoas, incluindo mujahedin (guerreiros) do Taliban que estão dispostos a sacrificar suas vidas pela honra do profeta Maomé. Qualquer um deles poderia acabar com ela", disse Qureshi, de acordo com o grupo de direitos humanos no Paquistão, Alliance, do qual Bhatti anteriormente serviu como presidente.

Bibi, cristã mãe de cinco filhos, foi detida por 18 meses, e em novembro tornou-se a primeira mulher no Paquistão a ser condenada à morte de enforcamento por blasfêmia a Maomé.

Seu caso gerou protestos internacionais contra as leis de blasfêmia do Paquistão, que são muitas vezes utilizados contra as minorias.

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