Missionário relata triste história de mulher angolana

Missionário relata triste história de mulher angolana

Atualizado: Quinta-feira, 25 Fevereiro de 2010 as 12

Atuante há quase dois anos no Projeto Tenho Fome Angola, o missionário e líder da Cia. de Teatro Jeová Nissi, Caíque Oliveira tem vivido inúmeras experiências no país africano tão atingido por guerras.

Além de evangelizar milhares de pessoas em Angola, o projeto também está providenciando a construção de um orfanato para mil crianças (por enquanto). Em um post do blog oficial do projeto, Caíque relatou sua comoção ao conversar com uma das mulheres contratadas para trabalhar na cozinha da escola. Mãe de nove filhos, Anastácia falou as dificuldades e seu marido para arranjar emprego - devido aos estilhaços de bomba espalhados pelo corpo dele - e o difícil cotidiano de sua família.

Confira o post na íntegra:

Fatos reais...

Hoje foi como uma facada em meu peito aqui em Angola.

Contratamos há umas 2 semanas uma senhora muito sorridente que veio procurar emprego. Como temos agora 300 crianças a nossa cozinheira já não teria mais condições de cuidar de tudo sozinha. Por isso contratamos a tal senhora sorridente chamada Anastácia.

Os olhos brilharam quando aceitamos os serviços dela. Todos os dias vimos sempre Anastácia sorrindo. Às vezes, vencendo a timidez, dava uma forte gargalhada. Esta sempre foi a marca de Anastácia.

Hoje, na hora do almoço, comecei a perguntar sobre a família dela. Rimos quando ela disse que tinha 9 filhos. Perguntei sobre o marido e ela disse que ele não pode trabalhar porque tem estilhaços de minas explosivas em todo o seu corpo. Perguntei se algum filho trabalhava e ela disse que nenhum conseguia emprego. Fiquei instigado e fiz a pergunta que, devido a resposta, me calou por alguns minutos.

Eu perguntei: O que vocês geralmente comem?

Ela não entendeu a pergunta.

Novamente perguntei: O que vocês geralmente comem?

Ela respondeu ainda sorrindo: Geralmente nós não comemos... Hoje mesmo 3 de meus filhos vieram cedo na escola para perguntar se hoje seria mais um dia que passariam sem comer.

O silêncio tomou conta da sala onde todos os voluntários do Mão na Massa que estavam almoçando arroz, feijão e strogonoff de carne. A Weilla começou a chorar. Seguramos as lágrimas. A gargalhada da mulher foi interrompida pelo seu choro que nunca pensei ver.

Ela disse que ia fazer 3 dias que eles não comiam absolutamente nada!

Meu mundo desmoronou mais uma vez aqui em Angola.

Quando começo a me acostumar com a situação, o Senhor sempre permite que eu conheça mais uma historia de miséria de perto. O que pudemos fazer é oferecer um jantar hoje e fazer uma compra para suprir esta família, por este mês.

Em nome de Jesus vamos aumentar o salário dela e creio que esta família vai ver que Deus não se esqueceu deles. Vamos dar bastante amor para eles e creio que conhecerão o cuidado de Jesus e sua infinita graça.

Tire suas próprias conclusões desta história e analise como tem sido sua gratidão por tudo que você tem.

Nos ajude a sustentar mais esta família.

Agora fico até com medo de perguntar para nossos vizinhos e nossas crianças: ''O que você comeu hoje?''. Porque geralmente ouço a resposta: AINDA NÃO COMI NADA!

Caíque Oliveira

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