Missionários desafiam igrejas a se envolver na evangelização dos povos indígenas do Brasil

Missionários desafiam igrejas a se envolver na evangelização dos povos indígenas do Brasil

Atualizado: Quarta-feira, 30 Junho de 2010 as 4

Ronaldo e Rossana Lidório falam sobre a evangelização indígena como uma desafiadora tarefa inacaba no Brasil. Ainda há 147 etnias sem presença missionária, sendo 95 conhecidas. Há 121 etnias que foram pouco ou nada evangelizadas, 38 línguas sem nenhuma porção da Palavra do Senhor, 99 etnias com igreja indígena presente, mas sem liderança própria ou curso bíblico disponível.

Ronaldo Lidório e Rossana são missionários da APMT, Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, iniciando um trabalho em Gana, na África, no ano de 1994, com um trabalho intenso desenvolvido com tribos Konkombas e Chakalis. Foram anos de muitas lutas e conquistas, mas todas norteadas por Deus, como revelam os missionários, que hoje estão no Brasil, trabalhando em novo campo missionário, com tribos indígenas.

"Em 2001 percebemos que, pela graça de Deus, a Igreja Konkomba já caminhava com uma liderança própria que amava a Cristo e norteava o rumo do crescimento da igreja. Eram 87 líderes a frente de 30 igrejas locais. Por um lado nos alegramos e, por outro, sentimos a necessidade de pensar nos próximos passos. A APMT e AMEM (A Missão de Evangelização Mundial) sinalizaram interesse em investir esforços nos povos indígenas do Brasil e, assim, voltamos ao nosso país para iniciar algumas pesquisas de campo e avaliar as reais necessidades. Logo na primeira pesquisa de campo Rossana e eu nos deparamos com um grande campo ainda não evangelizado na região do Rio Negro" expresou Ronaldo.

Com a volta do casal ao Brasil, iniciaram o Projeto Amanajé, formando uma equipe com outros missinários. Hoje o projeto conta com 40 missionários atuando em 12 diferentes etnias indígenas. Ronaldo e Rossana trabalham com grupos indígenas onde outros missionários atuam em diferentes regiões, mas em algumas localidades, os missionários do Amanajé são os primeiros a chegar em aldeias que nunca teve a presença de missionários.

De acordo com Lidório, a equipe é sempre encorajada pelo trabalho já realizado entre indígenas no Brasil nas últimas décadas, e entre esses exemplos está Sophia Muller, missionária que atuou entre os Baniwa e Kuripako junto à Missão Novas Tribos. "Durante décadas Sophia Muller dedicou sua vida para evangelizar estes dois povos, em lugares remotos da floresta, transitando com canoas a remo visitando as aldeias de dia, e de noite, durante as viagens traduzia o Novo Testamento para a língua Kuripako, à luz de lamparina", declaram Rossana e Ronaldo. Certa vez, quando a missionária Sophia foi interrogada a respeito do seu chamado missionário, respondeu: "Comigo não aconteceu nada especial, eu só li uma ordem 'ide por todo o mundo' e obedeci".

Por Cibele Lima e Emma Castro

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