Missões com amor

Missões com amor

Atualizado: Segunda-feira, 25 Outubro de 2010 as 11:29

Amor por missões é um dos componentes mais frequentes e visíveis no cenário missiológico. Não se participa de um culto missionário, não se ouve um testemunho do campo, não se entrevista um candidato sem se ouvir muitas vezes falar sobre amor. Entretanto, em que consiste este amor em missões?

Estive várias vezes na África do Sul. É um país maravilhoso, de uma riquíssima diversidade cultural e belas paisagens. Tinha ótimas recordações daquele país e poderia dizer que o amava. Mesmo assim eu nunca havia conhecido um sul africano. Sempre que estive naquele país foi em visita a missionários brasileiros. De que vale este tipo de amor em missões?

Amar missões assim, é como amar qualquer profissão, esporte ou hobby. Ninguém fará nada de relevante por amar missões. Qualquer pessoa, de qualquer religião, pode amar um país. Trata-se de um fascínio pela estética, história e costumes. Viajar e conhecer outras culturas é mesmo algo muito desejável, mas ninguém deve usar amor por missões como desculpa para isto.

Um domingo desses, indo para o culto matutino, meu filho João, de nove anos, apontou para o carro da frente e disse que havia algo de errado com seu dono. O carro tinha dois adesivos, um dizia: "Jesus, meu melhor amigo"; outro, logo ao lado, e um pouco maior, dizia: "Deus deu a vida para cada um cuidar da sua". Eu quis saber o que meu filho estava vendo de errado e ele explicou que aquele motorista devia estar enganado. Se realmente fosse amigo de Jesus, ele se importaria com a vida das outras pessoas.

De fato, amor em missões só tem sentido quando cumpre o maior mandamento. É primeiro amor a Deus sobre todas as coisas; é ter um desejo tão grande de agradá-lo, que me levará até mesmo a um lugar que eu não admiro, a uma cultura com a qual não me identifico. Semelhantemente é amar ao próximo: um que tenha rosto, nome, necessidades, dúvidas, tristezas, alegrias e sonhos. Alguém que eu conheça o suficiente para me importar com sua vida, ao ponto de deixar as escolhas que eu faria para meu próprio bem, para escolher aquilo que beneficia meu próximo.

Em recente viagem à África do Sul eu fiquei cheio de verdadeiro amor missionário por aquele país. O mesmo amor que me movimenta e me torna produtivo em meu ministério pelo Brasil. Fui para lá mesmo sem poder, porque entendi que, se fosse, agradaria ao Senhor que amo. Desta vez conheci pessoas maravilhosas, cristãos e não cristãos. Soube de suas necessidades, suas lutas, seus sonhos, vi seu sorriso, ouvi sua voz e orei com eles. Agora posso dizer que amo a África do Sul, porque amo pessoas que formam aquela nação, e este amor me impulsiona a fazer algo por eles.

Precisamos de um verdadeiro amor em missões. Os indianajones cristãos fariam melhor por si mesmo e pelos outros se procurassem emprego como guia turístico.

*Este artigo foi originalmente publicado na revista Igreja

José Bernardo , 46, casado com Vasti e pai de João Marcos e Isabella, é pastor, escritor e conferencista. Depois de uma significativa carreira em marketing, e bem sucedido pastorado, fundou, no ano 2.000, a missão AMME Evangelizar, com o propósito de ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir a Grande Comissão. Sob sua liderança a AMME já ajudou mais de 30.000 igrejas a apresentar o Evangelho a mais de 90.000.000 de pessoas e agora avança para os outros países de língua portuguesa.  

Site:   www.evangelizabrasil.com .

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