"O que Santa Catarina vive hoje é a África de todos os dias", afirma missionário

"O que Santa Catarina vive hoje é a África de todos os dias", afirma missionário

Atualizado: Quarta-feira, 17 Dezembro de 2008 as 12

"O que Santa Catarina vive hoje é a África de todos os dias", afirma missionário

Por Adriana Amorim

O missionário Issacar Chavda nasceu na República do Congo, mas tem percorrido o mundo em prol de seu continente. Integrante da "Missão África lavada pelo sangue", Chavda está no Brasil até fevereiro de 2009, para levantar fundos para projetos sociais em aldeias de Moçambique e Angola.

Presente no último café de pastores da igreja El Shaddai, no dia 11 de dezembro, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, a convite de um amigo, Chavda usava roupa colorida, tipicamente africana.

Com voz grave e um português carregado do sotaque francês, o missionário falou ao Portal Guia-me sobre os problemas das aldeias africanas, projetos para o continente e revelou que Santa Catarina, hoje, é como a África de todos os dias.

Guia-me: Como você tem trabalhado para arrecadar fundos aqui no Brasil?

Issacar Chavda: Aqui no Brasil, trabalho como itinerante, levando a palavra em várias igrejas, fortalecendo, avivando, dando testemunhos. Eu canto também na minha língua, a mesma música canto em português, às vezes, quando estou na Itália canto em italiano. Esse é o tipo de trabalho que eu estou fazendo aqui no Brasil: levar novidade da África para o Brasil, do Brasil para a África e para a Europa. E de todos os países que passo, levo novidades para a África.

Guia-me: Como é o projeto nas aldeias africanas?

Issacar Chavda: Na África, temos um projeto em Angola e em Moçambique, onde estamos instalando poços cartesianos, já que muitas águas nas aldeias transmitem cólera e outras enfermidades. Dessa forma, o povo africano pode ter água durante 50 anos. Outra visão nova é não levar somente remédios, porque nas aldeias isso não soluciona o problema, mas quando se começa a implantar postos de saúdes, aí o povo pode ter remédio a cada semana, a cada dia. Além disso, em cada aldeia a gente está plantando uma horta. Porque algumas delas, quando chove, não tem como visitá-las, mas quando há uma horta em cada aldeia, cada um vai saber plantar arroz, feijão, mandioca. Eles terão comida sempre por perto.

Em outras aldeias, as crianças andam 15km na ída e 15 km na volta a pé para a escola. Nós queremos colocar uma escola primária dentro das aldeias para facilitar. Esses são os novos projetos. Por isso sempre estou viajando para levantar fundos, estou vendendo meu DVD da pregação, do louvor, do testemunho e cada igreja que passo está levantando fundos para nós implantarmos esses projetos. Eu creio que, nós africanos, não vamos mudar a história da África, mas se cada um fizer alguma coisa dá para minimizar a situação difícil de lá.

Aconteceu a mesma coisa aqui no Brasil. A gente vê aquilo que aconteceu em Santa Catarina, ninguém vai dar de volta o que aquele povo passou, perdeu. Mas cada um está ajudando do jeito que pode para, pelo menos, minimizar a dor que eles passaram. É a mesma coisa essa visão para os africanos. Porque se cada um fizer alguma coisa, dá para minimizar muito a dor das aldeias da África.

Guia-me: Comparando ao Brasil, como são os problemas da África?

Issacar Chavda: Os problemas de lá são quatro vezes maiores. As pessoas vêem a situação de Santa Catarina e todo mundo fica preocupado. Mas na África, essa é a situação há mais de 20 anos. Em Santa Catarina aconteceu só agora, mas com a colaboração de muitos brasileiros, a ajuda está chegando. Eu ouvi há pouco que vão reconstruir as casas para eles, só que na África o povo dorme com esse problema e acorda com ele e não tem expectativa de mudança ou a esperança de ser alguém no futuro. O que Santa Catarina vive hoje é a África de todos os dias.

Por que meu projeto focaliza as aldeias da África? Tem aldeia onde há dois mil refugiados e dentro delas você pode alcançar 40 ou 20% do povo. 20% de 2000 quanto dá? Quatrocentas pessoas. Onde você já viu um missionário ir a um país e começar o trabalho já com 400 pessoas? Então, através da estratégia da assistência social, há como você arrancar muitos africanos refugiados que estão dentro das aldeias e que não conhecem Jesus.

Guia-me: Como os africanos recebem o Evangelho?

Issacar Chavda: A vantagem na África é que a pessoa, mesmo não concordando, pára para te ouvir. Você bate na porta, ele abre, pucha a cadeira, te dá água, pára para te ouvir e agradece. Isso já é bom, porque a Palavra é uma semente. Só no tempo que ele te dá para falar alguma coisa, você já lança a sua semente. Pode parecer esquecida, mas aquela palavra que você está lançando é uma semente. Lá na frente você vai ouvir: Aquele lá é pastor, aquele lá é evangelista. Mas quem lançou a primeira semente foi você.

Guia-me: Falta então oportunidade para que eles conheçam Jesus?

Issacar Chavda: Não quer dizer que ele não querem Jesus, mas muitos não tiveram a oportunidade de ouvir falar Dele. Tem pessoas em aldeias na África que sabem o que é Coca-Cola, quem é o Pelé, jogador do Brasil, mas desconhecem quem é Jesus. Aí um monte de gente pensa que é uma mentira, mas é uma realidade. Porque o povo nas aldeias da África não têm acesso à internet, não tem televisão, não tem rádio. Acontece alguma coisa e ele fica sabendo depois de um ano, até dois. Então, não quer dizer que o africano não quer Jesus, mas nunca teve a oportunidade de ouvir falar. Quando ele tem isso, a história é diferente. Jesus está trabalhando na África, muita gente fala de macumba, de fome, mas esquece que há o outro lado da África onde o nome do Senhor Jesus está sendo glorificado. Até existe africano que não tem comida, não tem alimento suficiente, mas ele quer ficar na igreja desde o início da manhã até às três horas da tarde. Por quê? Porque a igreja vai reduzir o tempo do dia e ele não tem nada para comer. Então, ele já ficou boa parte do dia na igreja, quando volta para casa o dia tornar-se curto.

Na igreja tem o café dele, tem o almoço. Não sei se você já ouviu falar, mas tem lugar na África que são três horas de louvor, três horas de pregação, mais testemunhos. O povo quer mais é ficar dentro da igreja, porque lá ele se sente bem. Na casa dele, ele tem necessidades. Dentro da igreja, ele sente que as necessidades dele são supridas.

Guia-me: Como foi a sua conversão?

Issacar Chavda: Eu nasci em berço evangélico, minha mãe era líder do ciclo de oração regional lá na África. Aí depois mais ou menos com dez anos eu aceitei Jesus, porque nascer dentro do berço evangélico é outra história, você tem que aceitar Jesus. Não quer dizer que se você nasce dentro do berço evangélico já aceita Jesus na barriga. Muita gente não entende isso. Você  precisa confessar e aceitar Jesus como único e suficiente Salvador.

Telefones para contato com o missionário:

(13) 8128-5985

(13) 3495-8364

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