ONG une voluntários batistas no comprometimento social

ONG une voluntários batistas no comprometimento social

Atualizado: Terça-feira, 20 Julho de 2010 as 11:37

Distribuição de sopão às sextas-feiras, café da manhã aos domingos e alguns atendimentos com médicos e assistentes sociais em um espaço na igreja. Foi assim que voluntários da Igreja Batista do Povo iniciaram um trabalho de ação social que gerou a ABCP - Associação Beneficente & Comunitária do Povo.

A ABCP é uma organização não governamental de caráter filantrópico e sem fins lucrativos, criada em 2007, para dar continuidade a ações inicialmente desenvolvidas por voluntários da Igreja Batista do Povo.

Hoje, a sede da ABCP fica na Rua Afonso Celso, nº 1185, bairro da Vila Mariana, próximo a estação Santa Cruz do metrô. A ONG dispõe de cerca de 60 voluntários e oferece serviços e atendimentos a pessoas em situação de rua, com necessidade de acompanhamento médico, odontológico e psicológico, mulheres grávidas e tem projetos para ampliar o público atendido.

A média de atendimentos da ABCP, baseando-se em dados do primeiro semestre de 2010, é de 640 mensais.

Em entrevista ao GUIA-ME.com.br, Douglas Bordini, gestor da ONG, explicou as ações sociais da ABCP. Confira:

SOPÃO

Servido aos moradores de rua toda sexta-feira à noite por um grupo de voluntários

"Esse trabalho não tem simplesmente a conotação de entregar a comida, a ideia é uma aproximação com o morador de rua para trazê-lo para o café da manhã."

CAFÉ DA MANHÃ

Servido todos os sábados, a partir das 7h30, na nova sede da ONG, na Rua Afonso Celso, nº 1185, Vila Mariana   "As pessoas vêm, tomam banho, trocam de roupa, tomam café, recebem uma ministração da Palavra. Nesse momento elas também são atendidas de uma forma mais próxima".

Fachada da sede da ABCP na Vila Mariana

CASA DE APOIO

Localizado na Rua Tomasina, nº 81 (próximo da Av. Cupecê), o projeto visa atender homens em situação de rua e jovens prestes a saírem de abrigos devido a maioridade.

Os moradores saem às 8h para trabalhar e retornam às 17h para tomar banho, jantar e pernoitar. Ao todo são disponibilizadas 20 vagas (10 para homens em situação de rua e outras 10 para os jovens que já deixaram os abrigos).

"Quando os jovens completam 18 anos, têm que deixar o abrigo e muitos não têm pra onde ir, então, metade das vagas da casa serão voltadas para esse público". A casa fecha às 8hs da manhã. Após o café, os abrigados saem para o trabalho e retornam a partir das 17hs, para tomar banho, jantar e pernoitar. "O projeto da casa de apoio tem um tempo de atendimento no caso das pessoas em situação de rua que é de seis a nove meses. Ela não é uma clínica de recuperação. Nos casos de dependência química, buscamos encaminhar para tratamento e dependendo da situação, até ajudamos a custear. Após o tratamento, acolhemos na Casa para dar continuidade ao processo de reintegração". 

PROJETO AMAI

Com o objetivo de orientar grávidas, o projeto é feito em duas turmas anuais por uma equipe multidisciplinar que atua em todos os assuntos relacionados à gestação.

As mamães são informadas sobre os direitos que têm em relação ao SUS, participam de palestras com fonoaudiólogos e psicólogos. As mulheres atendidas pelo projeto AMAI geralmente são de famílias de baixa renda e situação de vulnerabilidade.  " O projeto visa proporcionar melhora nas condições de gestação e na relação mãe / bebê por meio de orientação multidisciplinar sobre saúde e planejamento familiar. E, a o final, fazemos um chá de bebê: doamos um kit para a mãe e outro para o neném."

A ideia da ABCP é inserir uma continuidade ao projeto, para dar uma assistência depois que a criança nascer.

CASA DA FAMÍLIA

É um núcleo da igreja Batista do Povo que disponibiliza um espaço para projetos da ABCP, como o Projeto AMAI e alguns atendimentos psicológicos.

Mantenedores

A Igreja Batista do Povo mantém a maior parte das despesas da ABCP, cerca de 85%. Há um grupo de pessoas físicas que doam valores a partir de R$ 20 mensais e outro pequeno grupo de empresas que ajudam tanto financeiramente quanto com doações de materiais como cestas básicas.

A ABCP ainda não tem parceria ou convênio com o poder público. Qualquer pessoa pode se tornar mantenedor. "Às vezes a pessoa fala  'ah, não posso doar muito', mas uma doação de R$ 20 mensais é muito válido para nós, ou pode doar outras coisas também, temos uma dificuldade muito grande com roupas masculinas porque a maioria das pessoas atendidas são homens e homem não doa muita roupa."  

Há também como ajudar tornando-se voluntário, doando tempo e capacitação para compor a equipe e somar no atendimento às pessoas.

Obstáculo

O GUIA-ME.com.br perguntou a Douglas Bordini, gestor da ONG, qual a principal dificuldade ou obstáculo que uma ONG de ação social enfrenta e ele não teve dúvida ao responder. "O pior obstáculo é a escassez de recursos, a gente depende realmente das doações. Precisamos de recursos para manter os projetos que temos e poder implantar outros. Não podemos pensar em implantar nada sem ter como manter o que já desenvolvemos, tudo o que você faz precisa de dinheiro, não tem jeito."

Douglas Bordini, gestor da ABCP

"Por isso, buscamos nos capacitar cada vez mais para alcançarmos os recursos disponíveis. Os recursos existem e precisamos estar sempre focados e direcionados para conseguir ter acesso a eles. É possível, temos bons projetos, bons serviços, temos causado efeito e mudado a vida de algumas pessoas."

Projetos Futuros A ABCP é uma ONG recente e muitos projetos ainda estão em fase de amadurecimento, mas alguns já estão prestes a serem iniciados.

"Tem um projeto que está em fase de viabilização, que é uma escola de educação infantil de 0 a 6 anos. Se tudo der certo, a partir do ano que vem teremos também essa ação voltada para crianças."

"O projeto da República Jovem, que será implantado na Casa de Apoio, ainda precisa de alguns recursos para o preenchimento das 10 vagas. A ONG já tem feito contatos com abrigos e pessoas da área para deixar tudo organizado."

Trabalho de Todos

Douglas falou sobre convênios com o poder público e sobre esperar a atitude apenas do governo. Para ele, o trabalho é de todos e quanto mais gente se mobilizar, melhor será o trabalho e também a sociedade.

"Vale a pena incentivar as empresas a investirem também financeiramente. Atualmente para uma empresa é importante estar ligada a alguma ação social, aí acontece uma troca, a empresa nos ajuda sendo mantenedora e ao mesmo tempo pode utilizar isso como ferramenta de marketing. Existe uma pesquisa que diz que os clientes, fornecedores e o público em geral preferem empresas que tenham alguma ligação no âmbito social."

"Não adianta só colocar a culpa no poder público, a gente tem que se mobilizar como sociedade civil e organizada para fazer alguma coisa para mudar a situação de pessoas que necessitam. Nós também temos a nossa parte". "Existe, sim, aquilo que está na constituição, que é papel do governo e que tem que ser feito, mas tem que haver uma parceria porque é para o bem de todos. Quanto mais a gente conseguir se organizar para desenvolver essas ações, melhor. Com cada um fazendo um pouquinho a gente consegue fazer uma sociedade melhor e acho que estamos caminhando para isso."

Por Juliana Simioni

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