Países que perseguem a Igreja: como vivem os cristãos em Brunei

Depois da implantação total da sharia no país, em 2019, muçulmanos que se convertem ao cristianismo são vistos como apóstatas.

fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas

Atualizado: Quinta-feira, 18 Fevereiro de 2021 as 9:22

Para suportar a pressão vivida em Brunei, os cristãos necessitam de orações. (Foto: Portas Abertas)
Para suportar a pressão vivida em Brunei, os cristãos necessitam de orações. (Foto: Portas Abertas)

POPULAÇÃO: 445 mil
CRISTÃOS: 52 mil
RELIGIÃO: Islamismo, cristianismo, budismo
GOVERNO: Monarquia absolutista
LÍDER: Hassanal Bolkiah
POSIÇÃO: 38º na Lista Mundial da Perseguição

Enquanto no Brasil mudar de religião é algo comum, em Brunei é uma ação ilegal. A religião do Estado é o islã e abandoná-la é considerado crime. Muçulmanos que conhecem a Cristo e decidem abrir seus corações para viver o Evangelho podem ser rejeitados pela família. Cristãos ex-muçulmanos casados podem ser expulsos e também perdem a custódia dos filhos. 

A lei do país é regida pela sharia (conjunto de leis islâmicas) e toda a sociedade é afetada por ela. A implementação total dessa lei, com base em fundamentos islâmicos, em 2019, levantou preocupação internacional sobre o que isso significaria para Brunei.

Qualquer muçulmano que declarar "outra pessoa" como deus, profeta ou mensageiro deve ser levado à morte, se houver pelo menos duas testemunhas. Se não houver testemunhas, mas outras evidências que provem os “crimes”, então a sentença máxima é de 30 anos na prisão e 40 chicotadas. As mesmas punições são possíveis quando alguém comete apostasia.

Proibição de igrejas cristãs no país

Uma comunidade cristã não pode ser registrada como igreja, em vez disso, é registrada como empresa, organização ou centro familiar. Assim, pode ser tratada como entidade empresarial secular. Nessa condição, é obrigada a submeter anualmente seus relatórios financeiros e operacionais ao governo.   

Apesar disso, há ainda algumas igrejas que estavam registradas e qualquer uma delas pode ser fechada facilmente por uma ordem do sultão. Muitas são toleradas enquanto os vizinhos não reclamarem, mas uma denúncia é o suficiente para a polícia fechar a igreja. 

O que mudou para os cristãos após a implementação total da sharia?

Segundo a Portas Abertas, os cristãos no país enfrentam novos dilemas e desafios. Os preceitos vindos, principalmente, do Alcorão e das palavras do profeta Maomé, são aplicados a todos os cidadãos, sejam eles muçulmanos ou não, incluindo expatriados. As únicas pessoas que não são afetadas pela sharia são as da família real.

Com isso, muitos os cristãos estão preocupados. Alguns disseram que vão continuar seus trabalhos como igreja, mas da porta para dentro, onde ainda é permitido ensinar a Bíblia, caso não haja denúncia. Outros querem evangelizar fora, mesmo que paguem um alto preço por isso. Segundo a lei, é absolutamente proibido divulgar qualquer outra religião além do islamismo. Compartilhar o evangelho com um muçulmano e pessoas sem religião é expressamente proibido. 

Opressão islâmica e paranoia ditatorial

Essas são as duas principais formas de perseguição aos cristãos. Aqueles que desobedecem à lei, são particularmente visados e podem ter os direitos negados. Quando isso acontece, os bruneanos preferem ir para o exterior em vez de viver com pressão forte e constante.

Como vivem as mulheres e os homens cristãos em Brunei? 

Debaixo da sharia, todas as mulheres são obrigadas a usar um hijab [véu islâmico] em escolas e locais de trabalho e são punidas pelas autoridades religiosas quando se recusam a usá-lo. 

Mulheres e meninas cristãs são repudiadas pela família quando a conversão se torna conhecida, daí vivem isoladas ou podem ser conduzidas a casamentos forçados com muçulmanos. Homens e meninos geralmente são renegados pela família quando se convertem ou, se casados, são forçados a se divorciar e deixar a casa da família. 

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