Partido Comunista invade igrejas e declara que está proibida a leitura da Bíblia, na China

Nos últimos meses, igrejas têm sido invadidas por oficiais comunistas, que comunicam que a leitura da Bíblia está proibida.

fonte: Guiame, com informações da Bitter Winter

Atualizado: Sexta-feira, 13 Dezembro de 2019 as 9:52

A mando do Partido Comunista Chinês, policiais interrompem culto em igreja doméstica na China. (Foto: China Aid)
A mando do Partido Comunista Chinês, policiais interrompem culto em igreja doméstica na China. (Foto: China Aid)

A repressão da China ao crescente movimento de igrejas domésticas continuou neste segundo semestre de 2019, com oficiais do Partido Comunista Chinês invadindo cultos e até dizendo aos cristãos que agora está proibido ler a Bíblia.

Por lei, as igrejas na China devem se registrar junto ao governo e se unir ao Movimento Patriótico das Três Autonomias (se elas forem protestantes) ou à Associação Católica Patriótica Chinesa. Mas como essas denominações enfrentam severas restrições do governo para serem legalizadas, milhões de cristãos se juntaram às igrejas domésticas “ilegais” e não registradas.

Em outubro deste ano (2019), uma igreja doméstica em Jinan, província de Shandong, foi vigiada e atacada por um grupo de autoridades locais, de acordo com a agência ‘Bitter Winter’.

"De agora em diante, vocês não poderão mais se encontrar aqui, nem ler a Bíblia", disse uma autoridade do governo local aos membros da igreja. “De acordo com ordens do governo central, a Bíblia é proibida. Vocês foram designados como alvos da campanha para limpar crimes de gangues e eliminar o mal".

As igrejas domésticas "em toda a província de Shandong devem ser fechadas", disseram as autoridades aos membros da igreja.

"Que tipo de governo é esse?", Perguntou um cristão idoso, durante depoimento à ‘Bitter Winter’. "Eles fecham os olhos para os malfeitores e criminosos, mas nos perseguem por sermos cristãos".

Arquivo

Em agosto, policiais e funcionários do governo invadiram uma igreja doméstica na província de Yunnan e ordenaram que os membros se unissem a uma congregação das Três Autonomias, que estava “a milhares de quilômetros de distância”, de acordo com a ‘Bitter Winter’.

"Não tendo outra escolha, os frequentadores da igreja assinaram um documento que os proíbe de realizar reuniões religiosas [independentes]", relatou Bitter Winter.

Oficiais do governo pegaram os objetos de valor da igreja e disseram aos fiéis que seriam presos se continuassem a se reunir ali. Além disso, eles invadiram as casas de pelo menos oito membros da igreja, "confiscando livros religiosos e destruindo pinturas religiosas", disse Bitter Winter.

Em setembro, oficiais do governo invadiram outra reunião da igreja em Yunnan e confiscaram 100 livros religiosos publicados em outros países porque possuí-los "não estava de acordo com as leis chinesas".

No dia seguinte, os membros foram informados de que o pastor era culpado de "pregação ilegal" porque ele não tinha permissão para fazê-lo. Se eles se encontrassem com ele novamente, eles poderiam ser presos.

"O governo nos persegue porque teme que os membros crescentes e o rápido desenvolvimento da igreja sejam desfavoráveis ​​para eles", disse um membro de uma igreja doméstica de Yunnan. "Esses funcionários estão agindo como demônios."

As igrejas do Movimento Patriótico das Três Autonomias e da Associação Católica Patriótica Chinesa enfrentaram severas restrições nos últimos meses. Oficiais comunistas editaram sermões, ordenaram a remoção de cruzes e substituíram as exibições dos Dez Mandamentos por retratos de líderes chineses. A lei chinesa também proíbe a “proselitização” (evangelização) de menores de idade, por isso, crianças e adolescentes não podem frequentar as classes de escola bíblica dominical.

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