Pastor brasileiro fala dos desafios da evangelização no sul da África

Pastor brasileiro fala dos desafios da evangelização no sul da África

Atualizado: Sexta-feira, 25 Junho de 2010 as 10:05

O desafio de evangelizar uma grande população em 25 países com predominância de religiões como o islamismo, animismo e crenças tribais é constante na Divisão Sul-Africana e do Oceano Índico, com sede em Pretória, na África do Sul. Somente nestes países africanos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, que soma 2 milhões e meio de membros, tem a tarefa de pregar o evangelho a um povo que fala em três idiomas oficiais (inglês, francês e português) e mais de 400 dialetos locais. Quem conhece mais sobre esta realidade e falou com a reportagem da Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN), durante a Assembleia Mundial de Atlanta, nos EUA, foi o pastor brasileiro Gilberto Araújo, que é vice-presidente desta divisão e mora no continente africano há 23 anos.

Araújo, de 51 anos, casado com dois filhos, atua como vice-presidente da Divisão Sul-Africana e do Oceano Índico há sete anos e tem a noção clara da razão de haver um crescimento, nos últimos cinco anos, de 40% do número de membros. Na sua avaliação, apesar das barreiras linguísticas, religiosas e étnicas, o desenvolvimento adventista na região se dá por uma firmeza de princípios da liderança da igreja. "Em todos os países, onde atuamos de maneira que se chama de conservadora, experimentamos crescimento", comenta o líder. Um bom exemplo destes números favoráveis é a nação de Zâmbia. Naquele país, há 600 mil adventistas do sétimo dia e, em relação à população local, a proporção é de um adventista para apenas 19 habitantes, uma das melhores taxas no mundo atualmente.

Estratégias

Evangelizar uma parte de um continente que convive com tantas diferenças históricas não é fácil e exige mais do que criatividade. Conforme o pastor Gilberto Araújo, um dos segredos é a capacidade de saber lidar especificamente com cada grupo que se espera alcançar com a mensagem adventista. Os muçulmanos, por exemplo, que representam cerca de 15% de toda a região alcançada pela Divisão são atraídos à Bíblia Sagrada de diferentes formas. O grupo chamado de radical costuma ser impressionado pelo testemunho pessoal, ou seja, a experiência cristã prática dos adventistas.

"Claro que tomamos cuidado para a religião não seja apenas baseada na experiência, mas, também, na revelação através da Palavra de Deus", acrescenta Araújo. Nas tribos indígenas, com manifestações culturais diferentes e divergentes entre si, ele diz que Deus tem trabalhado através de provas irrefutáveis da atuação do Espírito Santo na vida das pessoas. É uma metodologia pouco usual em relação às culturas ocidentais onde predomina a evangelização com foco mais racional.

Na maioria dos países que compõem a Divisão, apenas as autoridades de Ilhas Comores oferecem dificuldades para a pregação do evangelho. Neste país, é proibido oficialmente se exercer qualquer atividade religiosa que não seja a islâmica, totalmente abrangente e que influencia a grande maioria da população.

Postado por: Felipe Pinheiro

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