Pastor fala da luta pela recuperação de pessoas com problemas de álcool e drogas

Pastor fala da luta pela recuperação de pessoas com problemas de álcool e drogas

Atualizado: Terça-feira, 21 Setembro de 2010 as 11:21

A Conquista Comunidade Terapêutica é uma associação de caráter filantrópico e sem fins lucrativos que existe há cinco anos e tem como intuito a recuperação de pessoas com problemas relacionados a álcool e drogas.

Os atendidos pelo projeto são homens maiores de idade que ficam na chácara própria da Conquista, situada em Itapecerica da Serra-SP.

O Pastor Luís Gustavo, responsável pela associação, falou ao GUIA-ME sobre como é feito o trabalho e como é lidar diariamente com um problema comum da sociedade atual.

"Hoje nós temos 60 pessoas internadas em processo de recuperação, que dura de 6 a 9 meses em três fases: adaptação, recuperação e reintegração. Lá o aluno que está internado - chamamos de alunos porque acreditamos que eles estão lá para aprender algo -, têm tratamento psicológico, psiquiátrico, espiritual, além de uma ampla área de lazer, um ambiente adequado, alimentação adequada, tudo pra oferecer o mínimo de condição pra que ele possa se recuperar".

Na última edição da ExpoCristã, a Conquista Comunidade Terapêutica teve a oportunidade de ter um estande e divulgar seus trabalhos, como a bala de coco - feita manualmente pelos alunos -, além do chaveiro de biscuit, a padaria, a horta e várias outras atividades que há na chácara para ocupar o indivíduo e oferecer a ele uma condição de emprego. Pelo fato de muitos deles terem passado pela polícia e por um presídio, eles podem ser discriminados pela sociedade e a Conquista acredita que se eles saírem de lá sabendo fazer algum trabalho desses, eles conseguirão sobreviver no mercado informal e sustentar uma família.

O índice de viciados em álcool e drogas é cada vez mais alarmante e os tratamentos cada vez mais caros. O pastor explicou que 20 das 80 vagas da associação são totalmente de graça e 60 delas são sustentadas pela colaboração das famílias. "Muitas vezes é feita uma pesquisa sócio-econômica com a família pra saber qual é a condição. A Conquista hoje veio pra dar condição a todos, porque até mesmo um salário mínimo, ou 400, 350 reais está ao alcance das famílias e as que não têm condições e estão na linha de pobreza, entram nessas vagas sociais... Sabemos que é muito difícil hoje um indivíduo conseguir um tratamento por ser muito caro. Um tratamento como o nosso, hoje está por volta de R$ 1.800,00 a R$ 2.500,00".

Foto da Chácara da Comunidade Conquista, em Itapecerica da Serra-SP

"Pela grande procura por tratamento, a associação tem lista de espera para internação. As pessoas nos encontram através da etiqueta que vai na ‘balinha’, no chaveiro, através do site, através da RENAS, aí entra em contato com a gente e entra em uma fila de espera. Essa fila tem sido um problema, porque muitos não têm a possibilidade de esperar. E quando a gente vai retornar ele já morreu, ele está preso, então precisaria ter um atendimento mais emergencial, mas não conseguimos, porque a capacidade é de 60 apenas."

Sobre abrir outra unidade, Luiz Gustavo disse que falta material humano, pois poucas pessoas querem se envolver integralmente a essa causa pelo fato de dar pouco resultado financeiro e muita dor de cabeça.

Testemunho e alerta

O pastor, ex-viciado em drogas, revela que chegou a usar 30 pedras de crack por dia, e acredita que seu chamado para trabalhar com pessoas que tenham problemas relacionados a drogas e álcool, veio através de seu testemunho.

"Quando eu fui para um centro de recuperação precisei ficar dois anos para me recuperar e esse centro de recuperação só tinha como auxílio a Palavra de Deus. Foi mesmo através de Jesus Cristo que eu me libertei  por completo... Eu já não tinha vida e Jesus me deu, então eu estava disposto a me doar para aquilo que Ele queria que eu fizesse, aquilo que fosse meu chamado".

Luiz Gustavo tem filhos e como pai diz que o alerta deve começar dentro de casa. "A gente tem visto que as informações a respeito de droga são equivocadas. Essa história de traficante na porta de escola, droga em balinha, isso nunca existiu. Quem faz a propaganda da droga precisa ser alguém de confiança e não um estranho. Geralmente é aquele amiguinho que entra na nossa casa e chama nossa mãe de tia, que vai dizer 'olha, maconha é o maior barato, cocaína é legal, vamos beber um negocinho'".

"Enquanto o amigo está dizendo que maconha é legal, ninguém está dizendo o contrário", lamenta o pastor que revela a experiência de ter recebido instruções de forma equivocada de seu pai a respeito do que é e o que faz a droga.

Para conhecer melhor e obter mais informações sobre como ajudar a Comunidade Conquista, acesse: http://www.comunidadeconquista.com.br .

Por Juliana Simioni

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