Pastor metodista conta experiência em missão indígena

Pastor metodista conta experiência em missão indígena

Atualizado: Sexta-feira, 12 Agosto de 2011 as 12:59

Confira o testemunho emocionante do Pr. Paulo da Silva Costa da Missão Metodista Tapeporã, na reserva indígena em Dourados, Mato Grosso do Sul:

Era sábado dia 11 de junho de 2011, por volta das 21h, fazia mais ou menos uns quarenta minutos que tínhamos encerrado o culto, quando voltei ao templo para arrumar as “coisas” (retroprojetor, caixa de som, projetor, etc.) para levarmos para Amambaí, como fazemos todos os domingos! A Pastora Ima estava em uma sala ao lado arrumando algumas roupas usadas para levarmos para uma família carente.

As luzes de dentro e de fora estavam acesas, mas fazia muito  silêncio, pois o tempo estava frio.  Eu estava de costas para porta de entrada, quando ouvi alguém chamando! Virei e me deparei com um homem postado na porta vestindo uma calça Jeans e uma blusa de Moletom, com capuz.

Quando me dirigi em sua direção, ele postou as mãos e curvou a cabeça num gesto de reverência e ficou nesta posição até que cheguei bem perto dele e o cumprimentei, então pude perceber que era bem jovem (hoje sei que ele tinha dezoito anos) e também pude sentir um forte odor etílico e de tabaco. Ele tinha bebido e fumado! Ele balbuciou algumas palavras em Guarani, que não pude entender.

Neste momento eu o convidei para entrar, foi quando ele me disse: - Eu tenho medo de entrar ai!!.  Na hora não tive curiosidade de perguntar: Por quê?  Mas tentei tranqüilizá-lo, dizendo que ali era um lugar seguro e  onde nós adorávamos a Ñhandejara (Nosso Deus). Fez-se mais silêncio, então ele me perguntou se eu podia colocar a mão na cabeça dele e orar.

Até este momento um degrau nos separava, ele estava na porta do lado de fora e eu na porta do lado de dentro.  Neste momento perguntei o seu nome e ele me disse que era Fábio (Fábio Paulo, fiquei sabendo quando li a notícia abaixo), então o puxei para dentro da Igreja e colocando as minhas mãos sobre sua cabeça orei por ele.  Após a oração o convidei para vir ao culto que realizamos aos sábados às 18h30, me despedi  dando-lhe um abraço e desejando que Deus o abençoasse “Ñhandejara Tandero vasã”. E ele se Foi!!

Terminei de arrumar as coisas e a pastora também, fechamos a igreja e fomos para a casa do Ronaldo e da Rita, nossos hospedeiros, onde perguntei para o Ronaldo se ele conhecia, algum Fábio e o descrevi, no momento ele não  recordava, contei para ele o ocorrido e fomos dormir!

No domingo pela manhã, seguimos para Amambaí (130 km de Dourados) e de La, após o culto para Ponta Porã ( 100 Km de Amambaí).

Na terça-feira dia 14, fui em Lan House próximo de casa, (estava sem internet) e após verificar os meus e-mails, abri um site notícias (www.douradosinforma.com.br ), e na grade de manchetes do dia 12 (domingo), uma notícia: “Indígena de 18 anos comete suicídio na Aldeia Bororó”, abri a notícia e me deparei com o Fábio Paulo! Neste momento é difícil não chorar e, aí sim, perguntar: por que será que ele tinha medo de entrar na Igreja?  Não sei a resposta! Mas sei o porquê ele tinha medo entrar na Igreja, ele não teve medo de se enforcar, mas tinha medo de entrar na Igreja!!

  Indígena de 18 anos comete suicídio na Aldeia Bororó

Um indígena identificado como Fábio Paulo, 18 anos, foi  enforcado na manhã deste domingo (12) em seu casebre, localizado na Aldeia Bororó, em Dourados. Segundo a esposa, o jovem andava deprimido e já havia tentando se matar outras vezes.

Depois fiquei sabendo que o Fábio tinha vindo de outra Aldeia em Caarapó (“Teí ‘Kuê” ) fica 50 km de Dourados) há pouco tempo por ocasião da morte de seu pai, que, pelo que tudo indica, também se suicidou.    

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