Pr. Flávio Inahara: um chamado para servir no Japão

Pr. Flávio Inahara: um chamado para servir no Japão

Atualizado: Quarta-feira, 22 Dezembro de 2010 as 10:48

Brasileiro, com 28 anos de idade, casado com Carolina Takamatsu Inahra de Souza, sem filhos, o pastor Flávio Inahara Barbosa de Souza aceitou um desafio em sua vida: ser pastor no Japão. Recém-chegado ao ministério pastoral, em 2009, trabalhou durante oito meses em um distrito da Missão Pernambucana Central até receber o chamado para ir ao oriente.

Hoje, Inahra é pastor da Igreja Adventista Brasileira de Toyota (cidade da província de Aichi-ken) com cerca de 35 membros e também trabalha com a Igreja Seventh Day Adventist Kariya Church, que ficar cerca de 15 quilômetros de Toyota. Kariya é uma igreja japonesa que recebe, além de brasileiros, pessoasde vários países. A igreja conta com cerca de 50 membros. Presente constantemente nas redes sociais, onde divulga mensanges sobre o trabalho realizado neste país, o pastor Flávio Inahara conversou com a reportagem da ASN – Agência Adventista Sul-Americana de Notícias.

ASN - Como o senhor chegou até o Japão e qual seu trabalho atualmente neste país hoje?

Pr. Flávio Inahara - Conheci o Japão pela primeira vez em novembro 2005, quando ainda era estudante de teologia através da minha esposa que é descendente. Resolvemos morar um tempo aqui antes de ingressar no ministério pastoral. Em 2008, retornamos ao Brasil para a conclusão do curso no IAENE (Faculdades Adventistas da Bahia) e, em novembro de 2009, através do Serviço Voluntário Adventista (www.voluntariosadventistas.org), voltamos ao Japão já no ministério pastoral.

ASN -   Conversei, certa vez, com outro pastor brasileiro adventista que trabalha no Japão e ele me disse que realizava um trabalho de distribuição de livros missionários junto às comunidades brasileiras. Como é o relacionamento com os brasileiros que vivem no país em termos de evangelização?

Pr. Flávio Inahara - Tenho percebido que devido às longas jornadas de trabalho e a escassez do tempo o melhor método para evangelizar brasileiros aqui é o "evagelismo da amizade". Sempre recebemos visitas de amigos que trabalham e convivem com nossos irmãos nas fábricas. Também realizamos uma semana de oração e um acampamento por ano (nos feriados japoneses). Trazemos oradores do Brasil e temos obtido bons resultados. Fazemos também divulgação da igreja em uma revista de grande circulação na comunidade e já tivemos vários contatos que também resultaram em batismos.

ASN - Quais são os maiores desafios de evangelização no Japão para a Igreja Adventista? Secularismo, tradicionalismo religioso ou outros fatores?

Pr. Flávio Inahara - Sim, os grandes desafios são o secularismo, que aqui é muito forte e o tradicionalismo religioso  (budismo e xintoísmo), apesar de haver muitos que não praticam religião alguma. No entanto, acredito que outro grande desafio é a própria atitude da igreja que também precisa investir mais em projetos e estratégias e materiais aqui para divulgar a nossa esperança e alcançar o coração do povo. Há muitos que nunca ouviram falar nos adventistas do sétimo Dia. Creio que ter líderes e membros comprometidos com a missão e equipados seria fundamental para o avanço da obra aqui.

ASN - Conte algumas de suas experiências missionárias em relação ao trabalho por aí?

Pr. Flávio Inahara - Como mencionei anteriormente, divulgamos a igreja e o telefone para contato em uma revista de grande circulação aqui e tenho tido o privilégio de receber algumas ligações de pessoas que estavam afastadas da igreja ou nunca frequentaram a Igreja Adventista aqui, mas a conheciam do Brasil. Muitos ao ver o anúncio são tocados pelo Espírito Santo a telefonar e acabam vindo para a família adventista. É muito gratificante receber estas ligações. Há alguns meses, tive a alegria de receber a ligação do Bruno e da Nelma Hamada, que moravam perto da igreja de Igreja de Kariya. Ele havia saído da igreja há mais de dez anos e nunca havia sido batizada. Depois de visitá-los e estudarmos a Bíblia tive a alegria de vê-los entregar a vida a Jesus no acampamento de verão deste ano. Agora eles são grandes incentivadores na igreja e ajudaram inclusive no retorno à fé da Vânia cavalcanti que é irmã de um pastor adventista daí do Brasil. Também estou estudando a Bíblia com uma família maravilhosa: Edmilson, Elísia e suas filhas Ayumi, Sayuri e Kaori. Eles também conhecem a igreja do Brasil e já estão prestes a ser batizados aqui. É maravilhoso ver os convertidos decidindo guardar o sábado e tornando-se fiéis aqui no Japão. Este é um dos grandes desafios de fé aqui.

ASN - Há necessidade de missionários voluntários e com qual perfil?

Pr. Flávio Inahara - Sim, e como há! O perfil seria de pessoas dispostas a se dedicar ao trabalho de obreiros: visitação, estudos bíblicos e pregação. Tenho certeza que a igreja ganharia muito aqui com pessoas deste perfil.

Por Felipe Lemos

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