Prestes a ser julgado, líder cristão de Hong Kong cita Bíblia: “Me glorio nas tribulações”

Joshua Wong tem liderado um movimento pró-democracia, que confronta uma lei imposta pela China a Hong Kong.

fonte: Guiame, com informações da CBN News

Atualizado: Segunda-feira, 30 Novembro de 2020 as 8:49

O jovem Joshua Wong é um líder pró-democracia de Hong Kong, que foi preso por realizar reuniões em razão do movimento que ele lidera. (Foto: Reuters)
O jovem Joshua Wong é um líder pró-democracia de Hong Kong, que foi preso por realizar reuniões em razão do movimento que ele lidera. (Foto: Reuters)

Três ativistas pró-democracia de Hong Kong foram detidos sob custódia no dia 25 de novembro após se confessarem culpados de organizar e incitar outras pessoas a participar conscientemente em uma assembléia “ilegal”, cuja pena máxima é de 5 anos de prisão. Dessa forma, a sentença de Joshua Wong, Ivan Lam e Agnes Chow será lida na próxima quarta-feira, 2 de dezembro. 

Embora o caso que os levou à detenção tenha acontecido em junho do ano passado, quando manifestantes cercaram a sede da polícia de Hong Kong como parte dos protestos de rua contra o projeto de extradição, as acusações estão sendo feitas de acordo com a Lei de Segurança Nacional, que se tornou retrospectiva.

Pequim impôs essa lei a Hong Kong, que pune crimes, como “secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras”, com pena máxima de prisão perpétua.

Em uma entrevista coletiva fora do tribunal, antes de sua detenção, Wong fez menção aos jovens que têm lutado pela democracia em Hong Kong.

"Sob os contínuos ataques contra os dissidentes da cidade, gerações de jovens vão dos protestos às prisões. Para salvaguardar a liberdade para o lugar onde nascemos, todos eles fizeram sacrifícios silenciosos, mas sem arrependimento. Alguns deles foram torturados, forçados ao exílio, ou mesmo suicidaram-se, depois de entoar palavras de ordem de protesto. Esta é a razão pela qual, desde a minha primeira libertação da prisão, prometi chamar mais atenção do público para a justiça carcerária, em particular, para os presos políticos", disse.

"Talvez as autoridades queiram que eu fique na prisão. Mas estou convencido de que nem as grades da prisão, nem a proibição eleitoral, nem quaisquer outros poderes arbitrários nos impediriam de nosso ativismo. O que estamos fazendo agora é explicar o valor de liberdade para o mundo", acrescentou.

A polícia já fez mais de 10.000 prisões relacionadas a protestos, acusando militantes de crimes que variam de tumultos a assaltos e incêndios criminosos, desde que as manifestações começaram no ano passado. O que mais preocupa Wong são os 12 jovens que estão detidos em Pequim há quase 3 meses. Eles foram pegos enquanto navegavam para Taiwan em busca de asilo. Eles foram acusados ​​de repudiar o controle chinês sobre Hong Kong.

Wong, de 24 anos, não se incomoda com as adversidades que terá de enfrentar na luta pela democracia de Hong Kong. Cristão devoto, ele tuitou versículos da Bíblia, de onde tira forças para não desistir da luta pela democracia.

“‘Nos alegramos nos sofrimentos’, diz Romanos 5:3, 4, ‘pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança’”, postou Wong.

O ativista cristão acrescentou: "Uma vez plantadas, as sementes um dia brotarão. Cansados ​​e perturbados como alguns de vocês podem se sentir, por favor, apoiem-se uns nos outros. As grades podem trancar nossos corpos, mas nunca nossas almas inabaláveis. Um dia nossos indomáveis ​​retornarão e nos encontraremos novamente".

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