Projeto capacita estudantes de teologia para evangelização

Projeto capacita estudantes de teologia para evangelização

Atualizado: Quinta-feira, 27 Maio de 2010 as 1:43

O termo evangelização tem pelo menos duas vertentes. Ainda mais se entendido sob o ponto de vista bíblico do primeiro capítulo do livro de Atos dos Apóstolos. Lá e dito que os discípulos deveriam pregar sobre os ensinamentos de Cristo, tanto em Jerusalém quanto até os confins da terra. Fica a mensagem, portanto, de evangelização do lado da casa e do outro lado do mundo. É neste contexto que o Núcleo de Missões e Crescimento da Igreja, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp - campus Engenheiro Coelho), avança com projetos arrojados. A novidade é que estão em andamento iniciativas de treinamento de missionários para atuar em comunidades indígenas brasileiras e várias pesquisas e consultorias que ajudarão a promover o real crescimento das congregações adventistas.

O coordenador, pastor e doutor em teologia Berndt Wolter, explica que desde setembro de 2009 o Núcleo existe oficialmente. Na prática, uma das ações é motivar, capacitar e organizar o trabalho missionário de quem quer sair da comodidade e evangelizar longe de casa com êxito. O foco de atuação é a chamada Janela 10/40, região do mundo (parte da Europa, Ásia e África) com os maiores desafios de penetração do cristianismo. Estudantes de teologia brasileiros estão sendo preparados atualmente para pregar o evangelho em Guiné-Bissau, país da costa ocidental africana e ex-colônia portuguesa com mais de 1,7 milhão de habitantes. Outro grupo está sendo qualificado para atuar em uma região da Malásia, país do sudeste asiático com mais de 24 milhões de habitantes que tem como idiomas principais o malaio e o inglês. "Só que o nosso esforço é trabalhar pela evangelização de cada nação, tribo, língua e povo. Estamos indo além e promovendo um entendimento melhor das diferentes culturas que existem ao nosso redor. Isso nos ajuda a criar meios eficazes de evangelização", comenta Wolter. E isso já ocorre na prática. O coordenador do Núcleo afirma que, das mais de 200 etnias indígenas existentes no Brasil, em apenas uma delas há um trabalho sistemático e consolidado que ocorre em Tocantins. Agora, em duas outras regiões, a meta é fincar pé com evangelismo adaptado e que respeita a cultura encontrada. Junto aos paresi (Mato Grosso) e apinajés (Tocantins), missionários voluntários, em sua maioria jovens, vão trabalhar por pelo menos um período inicial de 15 dias. Lá vão encarar uma rotina de projetos comunitários, de saúde preventiva e ensino religioso. "O bonito disso é o diálogo religioso. São trabalhados os conceitos bíblicos em relação aos costumes indígenas de maneira que não se fira a religiosidade dos nativos, mas que se mostre o que o cristianismo bíblico pode representar para suas vidas", declara Wolter.

Crescimento de igrejas - Outro assunto que domina a sala e as mentes de quem trabalha no Núcleo de Missões é justamente o crescimento das igrejas, ou seja, a evangelização caseira, pertinho de casa. As boas-novas nesta área são as pesquisas e consultorias que nortearão um trabalho mais exato em busca do real crescimento do número de membros. Wolter informa que os padrões mundiais mostram que o crescimento saudável de uma igreja só se dá quando o percentual de aumento líquido anual oscilar entre 10 e 12%. A meta é essa nas igrejas brasileiras onde o trabalho começou a ser feito. A equipe do Núcleo levanta informações sobre a própria igreja (estatísticas), estabelece padrões e ajuda a mudar mentalidades e paradigmas que impedem um crescimento real líquido satisfatório. Uma das estratégias está na ênfase ao discipulado. É o contrário do que ocorre mundialmente em muitas religiões com expressivo decréscimo de membros em que os membros vão para a igreja somente para assistir a sermões, cantar um ou dois hinos e saem dos templos com uma espiritualidade fraca ou debilitada. "Estamos elaborando instrumentos para medir a saúde das igrejas brasileiras e que vão ajudar a medir como estão aspectos do tipo liderança, estrutura de pequenos grupos, visão clara da Igreja Adventista do Sétimo Dia, identidade adventista, espiritualidade entusiasmada, entre outros fatores", destaca o coordenador.

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