Projeto Tenho Fome busca mudar a história de crianças angolanas

Projeto Tenho Fome busca mudar a história de crianças angolanas

Atualizado: Quarta-feira, 29 Setembro de 2010 as 5:07

O Ministério Jeová Nissi é conhecido pelas famosas peças de teatro como "Jardim do Inimigo", "A Senha", "Surpresa" e "Jó". Mas engana-se quem pensa que o Jeová Nissi é apenas um Cia. de teatro evangélico. O ministério vai além disso e as crianças angolanas o sabem muito bem.

Missões tornaram-se, há quase cinco anos, um braço do ministério. Caíque Oliveira, líder do Jeová Nissi explica, em entrevista ao GUIA-ME, como foi o início dessa paixão.

"Eu nunca pensei que iria para a África porque todo mundo quer ir para a África, parece que é o currículo missionário, é o top 'vou para a África fazer missões'. Aí assisti ao DVD de uma missionária que está em Angola e fui muito impactado, mas pensei assim 'vou divulgar o projeto dela no nosso DVD', mas foi mais forte do que eu. Não conseguia mais dormir, ouvia choro de madrugada, até que Deus confirmou claramente que era pra eu ir para lá. Fui para a Angola e quando pisei naquela terra fiquei impactado demais e foi ao pisar ali que Deus me deu a visão: 'quero que você construa isso para mil crianças' e foi bem legal".

O objetivo, de acordo com a visão que Caíque teve, é acolher mil crianças. Por enquanto eles atendem a trezentas e em janeiro vão pegar mais duzentas.

Todo mês de janeiro é realizado o projeto 'Mão na Massa', no qual voluntários são enviados para trabalhar em Angola. "Deus desperta no coração de várias pessoas e eles mandam e-mail dizendo 'eu quero ir' e eu digo 'amém, vamos'", explica Caíque que acredita que cerca de oitenta/noventa pessoas já foram enviadas no total.

Algumas pessoas que são enviadas, vão para trabalhar em uma área específica, o que não significa que vá trabalhar só naquilo, de acordo com o ensina o líder do ministério.

"A gente já levou marceneiro, professor de dança, médico, psicólogo, dentista vai agora pela primeira vez, tanta gente legal que abençoa mesmo e que não usam só a profissão deles, chegam lá e cavam buraco, levantam parede, enfim, é muito legal".

Crianças angolas em momento de gratidão a Deus

A dificuldade financeira é principal barreira do Tenho Fome. De acordo com Caíque, as pessoas até tem boa vontade e doam as coisas que nem sempre têm como ser enviadas. Mas ele afirma que quanto mais pessoas forem tocadas e ajudarem, mais agilidade vai ter o andamento do trabalho.

Ao falar do carinho das crianças, Caíque não deixa dúvidas, são amorosas demais, diz ele. "Eu chorei tanto quando fui embora porque fiquei três meses lá esse ano. Uma coisa que me marcou muito foi que logo no dia seguinte de quando cheguei a Angola, eu fui ao velório de uma criança de pouco mais de um ano, e o lamento deles, o choro entrou na minha alma. Quando eu vim pra cá, em março, eles fizeram um culto surpresa de despedida para mim e começaram a chorar muito e lamentaram da mesma forma que no velório, e Deus confortou meu coração porque havia trocado o choro deles".

O Tenho Fome lançou um CD com a participação de vários cantores do cenário gospel para arrecadar fundos para o projeto. E o líder do Jeová Nissi revelou como nasceu a idéia desse CD. "Eu pensei assim: 'a gente conhece tanta gente legal, vou aproveitar esse povo todinho e colocar em um CD'. Todas as pessoas que cantam nesse CD realmente amam missões. Mesmo sendo famosos e estando na mídia, são aqueles que param para abençoar missões. A gente atirou para tudo quanto é lado e descobrimos que tem um monte de gente na mídia que não está nem aí para missões porque não traz retorno nenhum para eles financeiramente, mas os que estão, você pode ter certeza que são homens e mulheres de Deus".

Na entrevista, Caíque contou a história de Valério, garoto angolano que tem feito várias pessoas se mobilizarem em busca de ajuda através do twitter.

"O Valério é um menino muito especial e por quem pegamos um amor muito grande. Ele teve um trauma na guerra, machucou a maxilar e não abre a boca de jeito nenhum. Tem que comer com as mãos, enfiando comida pelos vãos dos dentes". O líder, que não se cansa de twittar pedindo ajuda conta que ano passado chegou uma cirurgiã-dentista que nem é cristã dizendo que queria ajudar. "Ele vai vir com o responsável dele para cá e ficar aqui por um mês fazendo fisioterapia. Além de abrir a boca, ele vai ficar deslumbrado com o Brasil e vai ver que Deus nunca se esqueceu dele", comemora Caíque.

Por Juliana Simioni

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