"Quem é voluntário só quer um 'muito obrigado'", diz consultor de ONGs

"Quem é voluntário só quer um 'muito obrigado'", diz consultor de ONGs

Atualizado: Sexta-feira, 2 Julho de 2010 as 5:25

O que as organizações de ação social devem fazer para captar recursos? Essa foi a pergunta central que levou a RENAS - Rede Nacional de Ação Social - a realizar seu 2° Fórum Temático deste ano.

Pastor presbiteriano, administrador de empresa e consultor para planejamento estratégico de organizações sociais e igrejas, Wilson Costa veio de Campinas (SP) para palestrar sobre o tema "Mobilizando Recursos Financeiros Para as Nossas Organizações", na última quinta-feira, 1° de julho.

No encontro, realizado no prédio do Seminário Teológico Betel Brasileiro, em São Paulo, o consultor relatou "as dez coisas mais importantes para uma organização captar recursos nos dias de hoje".

Ter pensamento estratégico; cuide do aprendizado; o lugar ímpar dos voluntários; equipe comprometida e altamente capacitada; captação de recursos é tarefa de todos; o exemplo que vem da diretoria; desenvolva uma cultura de filantropia; desenvolva doadores para sua organização; trabalhe na mobilização de recursos; utilize todos os meios sem deixar de lado os digitais; esses são os itens que compunham a lista  de orientações às organizações.

O Pastor Tércio Sá Freire de Oliveira, gestor da RENAS, que conduziu o encontro, reconheceu a importância do tema e, em entrevista ao GUIA-ME.com.br, falou sobre confiança das organizações e voluntários. "Um pilar fundamental da capacitação é a confiança. Ninguém dá dinheiro, nem presta serviço desconfiando. A organização precisa ser transparente, todo mundo tem que saber de tudo o que está acontecendo."

"Não adianta só mostrar as coisas bonitas, o voluntário também quer saber das tuas dificuldades, você tem que dizer que é frágil. Se você mostrar tudo pronto, ou só tuas conquistas, ele vai perceber que você não precisa dele. Não adianta pintar a casa no dia que o voluntário vai, leva ele no dia que estiver precisando pintar, quem sabe ele não vai comprar a tinta (...) Encante as pessoas pelo o que você não consegue fazer."

Pastor Tércio Sá Freire de Oliveira, gestor da RENAS

Dentro da lista das dez coisas mais importantes para uma organização captar recursos, Wilson Costa falou de olhar o presente com os olhos do futuro.

"Imagine sua organização daqui cinco anos e o que você deve fazer para chegar até lá", ensinou. Outra orientação do palestrante diz respeito ao aprendizado. "Às vezes, receitas que deram certo no passado não dão mais certo hoje", disse ele que, em seguida, deu um exemplo de como as soluções de antigamente podem interferir nas novas, como por exemplo ao relacionar a distância entre os trilhos dos trens dos Estados Unidos influnciada pela largura dos cavalos da Roma antiga

Sobre os voluntários e o comprometimento com o trabalho, Costa frisou a importância da paixão ao exercer o voluntariado e do benefício que isso dá às organizações; ele fez referência ao ditado que diz que "pessoas contentes falam para três, pessoas frustradas falam para dez". As funções do diretor também foram citadas pelo consultor, que criticou aqueles que só fazem meia hora de expediente para assinar cheques.

Dicas para o sucesso entre a ONG e o voluntário:

"O discurso não deve ser de grana, deve ser do que você vai fazer, o que vai mudar a sociedade. Se conversar com alguém e só falar de dinheiro, você não vai captar recursos; tem que criar vontade", ensinou Costa a respeito de como criar uma esfera de filantropia. Não usar o termo "captador de recursos" para exercer a função foi outra dica da palestra, assim como a não necessidade de falar sempre para convidar pessoas a colaborarem com o trabalho. "Pegue o depoimento de alguém beneficiado pela sua instituição e divulgue", disse Costa. E-mails, telefone, facebook, twitter, blog, orkut, foram alguns meios de divulgação indicados como essenciais para as organizações.

Um ponto importante citado não só pelo palestrante, mas também pelo pastor Tércio e convidados, foi o reconhecimento das organizações com o trabalho dos voluntários. "Quem é voluntário só quer um 'muito obrigado'. Isso enche o coração de alegria", afirmou o consultor.

Em entrevista ao GUIA-ME, Wilson Costa descreveu o erro mais comuns cometido pelas entidades no processo de captação de recursos.

"Provavelmente as organizações conseguiriam mais recursos se sistematizassem a forma de buscá-los, e aprendessem com outras organizações que são mais efetivas (...) Talvez o erro mais comum seja a organização ser dispersiva, ela ouve uma ideia e acha que aquilo é a solução, aí começa a agir e depois desiste. Aí vai tentar outra metodologia, outra forma, também não persiste e para. Seria bom parar com essa coisa de ficar atirando em várias direções e elaborar um projeto de captação de recurso, ser um pouco mais persistente e perseverante", alertou.

Por Juliana Simioni

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