Ramadã e provocações nos Estados Unidos

Ramadã e provocações nos Estados Unidos

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 2:21

Laylat al-Qadr (literalmente Noite do Destino) é o aniversário da noite, acreditam os muçulmanos, onde os primeiros versos do Alcorão foram revelados ao profeta Maomé. Embora para o Alcorão não haja uma data específica, Laylat al-Qadr é tradicionalmente crida e pode ser encontrado nos últimos 10 noites de ramadã. A maioria dos muçulmanos observam Laylat al-Qadr ou "Noite do Poder", na 27ª noite do ramadã. O Alcorão descreve Laylat al-Qadr como "melhor do que mil meses”, para que naquela noite os anjos e o Espírito de Deus têm permissão para descer em resposta à oração (Sura 97). Este ano, a Noite do Poder cai sobre ou em torno da noite de 05 de setembro.

Ao longo do ramadã, não é permitido aos muçulmanos comer, beber, fumar ou ter relações sexuais entre nascer e pôr do sol. Os rigores do ramadã elevam stress, frustração e zelo islâmico. Em terras com pré-existente tensões religiosas, o último dia do ramadã pode ser de extrema tensão. No pré-islamismo, o ramadã foi oficialmente um mês de paz, quando as caravanas poderiam viajar desarmadas. Com os muçulmanos em declínio, Maomé decidiu inverter suas fortunas de embandeiramento, atacando uma caravana desarmada durante o ramadã. Quando os árabes protestaram, dizendo que a guerra no mês sagrado era uma "grande transgressão", Maomé teve uma “revelação” e declarou que “Fitna” (qualquer coisa que poderia abalar a fé de um muçulmano) foi pior que o derramamento de sangue (Sura 2:216 - 217).

Segundo o biógrafo de Maomé, Husein Haykal, "essa revelação trouxe o alívio aos muçulmanos, e o profeta aceitou a sua parte na recompensa”. (Haykal p. 210.) Posteriormente, os fundamentalistas islâmicos do Egito, Paquistão e Indonésia e jihadistas da Argélia à Caxemira à Tailândia rotineiramente rivalizaram com Maomé escalando sua jihad durante o ramadã.

Este ano, com o ramadã chegando a sua conclusão, uma igreja Americana planeja realizar um "Dia Internacional de queima ao alcorão”. O dia escolhido para este evento é 11 de setembro, em comemoração aos milhares assassinados por terroristas islâmicos em 11 de setembro de 2001. A igreja - Dove World Outreach em Gainesville, Flórida - afirma fazer uma declaração contra o Islã, que ele denuncia como uma falsa religião impossível de salvar. Embora a declaração esteja certa, o meio é provocativo ao extremo em um espírito de tolerância cristã.

Uma coisa é um muçulmano convertido ao cristianismo queimar o seu próprio alcorão como um sinal de libertação. Outra é uma coisa completamente diferente para os cristãos de queimar algo precioso e sagrado para os muçulmanos no pleno conhecimento de que ele irá causar dor e indignação. Os muçulmanos que buscam espiritualmente algo, sem dúvida, serão repelidos.

Já existe um enorme prédio construído para uma resposta violenta. Os muçulmanos têm publicado em websites jihadistas ameaças para expressar a sua intenção de martirizarem-se como homens-bomba na igreja. Os membros do fórum jihadista da Al-Fallujah (Iraque) têm ameaçado  "derramar rios de seu (americano) de sangue" e "uma guerra do tipo que você nunca viu antes". Na Indonésia, a Linha Defensora do Islã (FPI) prometeu retaliar se o evento seguir adiante. Na sexta-feira de 27 de agosto, muçulmanos protestaram diante da embaixada americana em Jacarta, segurando cartazes onde se lia "queimadores de alcorão" e "resposta à queima do Alcorão com Jihad". De acordo com Roni Ruslan,da Indonésia, Hizbut Tahrir, "Ninguém será capaz de controlar essa reação.”

IkhwanWeb.com, o site da Irmandade Muçulmana (MB), relata que o Dr. Diaa Rashwan, especialista MB no Centro do Al-Ahram Egípcio de Estudos Políticos e Estratégicos, descreve o caso de queima Alcorão como “extremamente perigoso”, acrescentando que "uma grave crise surgirá e o extremismo será iniciado no mundo muçulmano...” A afirmação do Dr. Rashwan de que o evento estaria violando os direitos dos muçulmanos é um disparate - não há tal direito, como o direito de não ser ofendido. O evento de queima ao alcorão será errado, não porque viola os direitos dos muçulmanos, mas porque viola a lei do amor de Cristo(Mateus 7:12).

Tradução: Carla Priscilla Silva

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