Regime norte-coreano doutrina crianças a denunciar pais cristãos nas escolas

Nas escolas, as crianças são ensinadas a venerar a família Kim como seres divinos e a denunciar os próprios pais por qualquer indício de fé em Jesus.

Fonte: Guiame, com informações de Mission Network NewsAtualizado: quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 às 13:28
As crianças aprendem desde cedo a venerar os líderes como salvadores da nação. (Foto: Ilustração/Unsplash/Jerry Wang)
As crianças aprendem desde cedo a venerar os líderes como salvadores da nação. (Foto: Ilustração/Unsplash/Jerry Wang)

A perseguição aos cristãos na Coreia do Norte tem alcançado crianças desde o jardim de infância. Nas escolas, os alunos são ensinados a venerar a família Kim e passam a ser usados como instrumentos de vigilância, sendo incentivados a denunciar os próprios pais por qualquer sinal de fé em Jesus.

O país obriga os cidadãos a demonstrarem devoção pública à família governante. Desde cedo, crianças são ensinadas a se curvar diante dos retratos de Kim Il-sung e Kim Jong-il, exibidos obrigatoriamente em casas, escolas e locais de trabalho.

Em um regime que considera o cristianismo uma ameaça e traição ao Estado, crianças norte-coreanas aprendem desde cedo a venerar os líderes como salvadores da nação. 

Todd Nettleton, da organização cristã The Voice of the Martyrs (VOM), nos Estados Unidos, informou: 

“O governo norte-coreano deixa bem claro que o cristianismo representa uma ameaça direta para eles. À medida que o Evangelho se espalha, eles se sentem mais ameaçados, e é por isso que vemos a intensa perseguição aos irmãos e irmãs cristãos”.

Doutrinação escolar

Questionar ou rejeitar essa idolatria é considerado crime grave. Quando pessoas são encontradas com Bíblias, elas não são as únicas presas e enviadas para campos de trabalho forçado — seus familiares também costumam ser punidos em uma tentativa de “cortar a fé pela raiz”.

“Na Coreia do Norte, eles propagam a ideia de que a família Kim são seres divinos. As crianças do jardim de infância aprendem, quando se sentam para comer, a dizer: 'Obrigado, Pai Kim Il Sung, pela nossa comida'”, contou ele.

Segundo Todd, os cristãos precisam ter cuidado até mesmo na forma como falam de Cristo aos próprios filhos, pois eles costumam ser questionados na escola:

“Este é um país onde é preciso ter muita cautela até mesmo na forma como se fala de Jesus para os próprios filhos, porque é comum que os alunos sejam questionados sobre seus pais na escola, com perguntas como: 'Seus pais olham para o céu e conversam com alguém? Seus pais têm um livro especial que mantêm escondido, mas que ocasionalmente leem?'”.

O Evangelho continua se espalhando

Apesar da intensa perseguição, Todd destacou que o Evangelho continua se espalhando no país. Os esforços para alcançar os norte-coreanos permanecem firmes por meio de ferramentas como transmissões de rádio e até mesmo balões evangelísticos lançados no território norte-coreano.

Além das ações dentro do país, há esforços para contatar norte-coreanos que trabalham na China ou na Rússia, bem como aqueles que fugiram para a Coreia do Sul, com o objetivo de levá-los para um lugar mais seguro.

Apesar do forte isolamento imposto pelo regime, alguns cristãos norte-coreanos ainda conseguem manter contato com familiares e pessoas dentro do país.

Nesse contexto, a organização cristã Voz dos Mártires Coreia treina esses desertores para compartilhar o Evangelho por meio de ligações telefônicas e de outros meios de comunicação usados para manter contato com suas famílias.

“Há esforços muito concertados para levar o Evangelho aos norte-coreanos”, explicou Todd. 

Contudo, enquanto o regime Kim permanecer no poder, é difícil prever mudanças na forma como a Coreia do Norte se relaciona com o mundo.

“O nível de opressão e perseguição é tão alto na Coreia do Norte que precisamos simplesmente orar para que Deus sustente seu povo, para que lhes dê criatividade na maneira de compartilhar o Evangelho e sustentar sua fé, já que muitas vezes estão muito isolados e podem nunca encontrar mais do que um ou dois outros crentes, talvez durante toda a vida”, concluiu Todd.

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