“Se não levamos comida a alguns lugares, eles morrem de fome”, diz pastor sobre a África

O pastor Elias Caetano, da Missão Mãos Estendidas (MME), falou ao Guiame sobre o trabalho nas comunidades mais carentes da África.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Segunda-feira, 17 Junho de 2019 as 12:19

Há mais de 20 anos atuando em países como Moçambique, Malawi, Zimbábue e Zâmbia, a Missão Mãos Estendidas (MME) nasceu com o compromisso de alcançar as comunidades que vivem nas piores condições de miséria na África.

O trabalho missionário começou em 1999, através da Igreja Presbiteriana Renovada de Portugal. O pastor Elias Marcelo Caetano, presidente da MME, visitou a África pela primeira vez em 2002. Desde então, pelo menos 350 igrejas vinculadas à missão estão espalhadas pelos quatro países africanos.

“Deus falou muitas coisas ao meu coração que até hoje são muito fortes”, disse ao Guiame o pastor Elias, emocionado. “Eu entendi que nós precisávamos ir para esses lugares, que você não pode esperar retorno a nível financeiro. Lugares que você vai para amar e partilhar o que você tem”.

“O que Deus colocou no meu coração não foram as capitais — apesar de todos precisarem do Evangelho — mas alcançar os pobres dos pobres e dar de comer à eles”, explica o pastor. “Eu vou, às vezes, em lugares que se não levarmos comida, eles morrem de fome. Eu estou seguindo algo que eu entendo ser de Deus, dar de comer. Se a dificuldade é no lugar mais pobre, é lá que eu quero estar”.

O pastor Elias conta que, atualmente, a estratégia dada por Deus à missão é reunir os pastores de aldeias remotas no Seminário Bíblico Intensivo, a cada seis meses, para assim fornecer apoio material e espiritual. “Como diz o nome, pretendemos ser mãos estendidas para os lugares mais pobres”, destaca.

A entrevista ao Guiame foi concedida no terreno da sede da MME na cidade da Beira, em Moçambique, que foi parcialmente destruída pelo ciclone Idai em março. Desde a tragédia que devastou 90% da cidade, o prédio foi reconstruído com a ajuda de doações.

 
Sede da MME na Beira, em Moçambique, antes e depois da reconstrução após o ciclone Idai. (Foto: Guiame/Marcos Corrêa) 

“Graças a Deus, já vemos uma superação. Os desafios ainda são enormes, a reconstrução vai demorar muito tempo ainda para ser concluída”, explica Elias.

Nos últimos dois seminários bíblicos, realizados em Malawi e Moçambique, houve a participação de cerca de 300 pastores. Dentre eles, pelo menos metade foi afetada pelo ciclone. Todos os pastores africanos receberam ajuda financeira da MME para recuperar danos causados pela tempestade.

“As casa de muitos pastores, que eram cobertas com chapas de zinco, hoje estão cobertas com lonas para abrigá-los da chuva. É um desafio, mas estamos vendo um espírito de luta e superação”, conta o pastor.

Elias ainda destaca a importância do ensino transmitido aos pastores africanos durante cinco dias de seminário. “A maior parte dos pastores são de aldeias com pouco estudo. Por isso, eles precisam de ensinamentos não apenas espirituais, mas ensinamentos práticos do dia a dia”, afirma. “É claro que o nosso maior foco é que eles tenham a transformação espiritual, mas o social também precisa mudar”.

Compromisso com as doações

Elias, que é pastor da Missão Cristã Portuguesa, na ilha britânica de Jersey, esclarece que seu sustento não vem da MME.

“Eu trabalho para a missão praticamente metade do tempo do meu mês, mas eu não recebo um centavo da missão, assim como nenhum dos nossos diretores. Porque nós não queremos gastar com estrutura — é outra coisa que Deus colocou em nosso coração. Nossos escritórios estão nas nossas igrejas”, explica.

O pastor também reforçou o compromisso com o destino das doações. “Eu posso afirmar que cada centavo é destinado. Se um parceiro doar uma bicicleta, a bicicleta vai chegar. Se um parceiro doar um saco de farinha ou abençoar uma criança no centro infantil, pode ter certeza que a doação vai chegar”.

Ele também falou sobre a importância da unidade no campo missionário. “Antes mesmo de eu estar à frente da missão, Deus colocou algo muito claro no meu coração: missões se fazem com alianças estratégicas. Tentamos minimizar as placas e levar o Reino de Deus”.

Elias ainda agradeceu o apoio do pastor Marcos Corrêa, diretor o Guiame, que está coordenando o projeto na aldeia de Hatone, no Malawi, representando também o Projeto Daniel.

“Através do Portal Guiame algumas portas têm sido abertas”, disse Elias. “Temos a alegria de ver o propósito claro que o Portal Guiame tem de levar as Boas Novas. Temos gratidão no coração por esse canal de missões”.

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