Treinos promovem integração, disciplina e equilíbrio por intermédio da arte marcial

Presbiterianos de Sorocaba promovem Jiu-jítsu na igreja

Atualizado: Quarta-feira, 15 Fevereiro de 2012 as 11:05

Alguém já ouviu falar em treino de jiu-jítsu que começa e termina com oração devocional? Pois é, essa ideia inusitada surgiu há dois anos com a parceria de uma Igreja Presbiteriana de Sorocaba (IPS) e o Instituto J2. Segundo Emerson Guego, professor de Educação Física e mestre de jiu-jítsu, o projeto começou em Salto de Pirapora quando ele e seu irmão decidiram ser voluntários e mostrar para as crianças como é esse esporte. "Percebemos que muitas crianças iam para a escola de manhã e ficavam a tarde inteira perambulando pelas ruas, então decidimos mostrar para esses jovens o que é o jiu-jítsu. Começamos com cerca de sete crianças. Em uma semana foram 15, em um mês mais de 100 meninos e meninas participavam. Percebemos o sucesso e resolvemos trazer para Sorocaba", explica. 
Jorge Alvarenga, diácono da igreja e presidente do grupo de escoteiro Baltazar Fernandes, mantido pela IPS da Rua Santa Clara, explica que o projeto do Mestre Guego, como Emerson é conhecido, ficou conhecido primeiramente em uma outra igreja e foi trazido para a IPS com a ajuda do reverendo Ivanilson Bezerra da Silva. "Tivemos interesse em trazer para a rua Santa Clara depois que vimos o empenho dos jovens na outra igreja. O que mais me impressiona é ver que depois do treino eles não têm vergonha de orar, eles pedem e agradecem pelo dia. Isso foi surpreendente, muitos participam e sempre saímos renovados dos treinos", comemora o diácono. 
Alvarenga explica ainda que a grande diferença do projeto para uma academia é que não existe rivalidade, eles buscam mostrar para os jovens que basta ter força de vontade. "Não precisa ter gana de ser melhor que o outro. Nós mesmos nos corrigimos e ajudamos o adversário no treino. É muito saudável", completa. 
Apesar das aulas serem ministradas em uma igreja presbiteriana, Mestre Guego deixa claro que o atleta não precisa ter uma religião para treinar. "A igreja apenas cede o lugar como uma forma de ajudar a sociedade e nós, profissionais de Educação Física, damos o treino. Decidimos fazer as orações e dar liberdade para que todos os atletas possam se expressar, seja para falar de um problema pessoal, ou para agradecer uma meta alcançada. No final, fazemos nosso grito de paz." 
Vítor Beneti, de 10 anos, treina jiu-jítsu desde os 7, conta que começou no projeto depois que viu o primo lutar. "Apesar de lutar, eu nunca briguei na escola", conta. 
 
Equilíbrio e respeito 
 
A equipe Guego Jiu-Jítsu Team visa ajudar os jovens ensinando equilíbrio, auto-controle e respeito. "Queremos que as crianças aprendam desde cedo a controlar as emoções. Apesar do jiu-jítsu ser conhecido pela agressividade, é uma arte suave, que ajuda com a disciplina e equilíbrio. Buscamos sempre mostrar que não devemos usar nossa força para brigar, podemos resolver o problema de outro jeito. A ideia do projeto é também trabalhar a questão da espiritualidade, focamos muito o aspecto de respeito ao próximo e a força de vontade", explica o reverendo Ivanilson. 
Segundo Guego, os jovens participam de várias competições em nome da equipe. Francini Motta, 21 anos, terceira colocada nas duas competições que participou, começou a treinar depois que conheceu o projeto e percebeu que mulheres também poderiam lutar. "Antes eu tinha um certo preconceito com o jiu-jítsu, principalmente de mulheres que o praticam. Mas depois conheci melhor e vi que faz muito bem para a saúde e também ajuda a disciplinar. A criança, por exemplo, fica muito mais regrada e aprende a respeitar os mais velhos", enfatiza. 
Maria Gabriela Alvarenga, de 11 anos, iniciou no esporte há quatro meses por curiosidade. "Assisti algumas vezes, acabei gostando. O que eu mais gosto é finalizar! Não é um esporte violento, estamos aqui para aprender e não para brigar", garante. 
Para os interessados em participar das aulas, o projeto é desenvolvido nas Igrejas Presbiterianas dos jardins Magnólia, São Paulo e Filadélfia. Há atividades também em Votorantim, Salto de Pirapora, Iguape e Ilha Comprida. O projeto é gratuito e voltado para todas as idades. Para se inscrever basta comparecer (acompanhado de um responsável, quando criança ou adolescente) até uma das igrejas citadas acima. Não precisa saber lutar, porém ter vontade de aprender. "Todos são bem vindos, não vemos religião e muito menos classe social, queremos que as pessoas sintam a realidade uma das outras. Gostamos de mostrar esse choque social para que todos aprendam a conviver juntos.", garante Guego. 
As aulas são realizadas às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h30. Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo telefone (15) 8801-3502 com Mestre Guego; 3231-1214 no IPS da rua Santa Clara, nº 145; e 8114-0670 com o pastor Cláudio Martins. (Supervisão: Adriano Catozzi)

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