A cruz sem anestesia

A cruz sem anestesia

Atualizado: Terça-feira, 21 Setembro de 2010 as 9:40

Jesus rejeitou o vinho como fel porque se tratava de um narcótico.

Havia naquele gesto uma comovente piedade, pois concedia aos condenados a neutralização da sensibilidade para que sofressem menos. Há muito tempo a humanidade conhece a anestesia, extraindo de plantas os analgésicos. Vinho como fel era um entorpecente empregado pelos judeus, cumprindo o que está em Provérbios 31.6.

Jesus não só recusou as lágrimas das santas mulheres que o acompanhavam até o Calvário, mas também o que elas lhe ofereciam. Fê-lo com determinação, depois de provar o líquido e certificar-se de sua origem.

Por que?

Porque ele não quis perder algo do quinhão de dor que lhe coubera. Dispensou qualquer ato de compaixão para poder ir até o fim na sua expiação. Cristo recusou o paliativo. Preferiu sofrer tudo. Não tentou minorar seus próprios sofrimentos.

Cristo recusou o cálice do sofrimento.

Cruz com anestesia não é cruz. É instrumento de cirurgia.

Dr. Tácito da Gama Leite Filho   é escritor, autor de 84 Livros; doutor em Teologia (Pontifícia Universidade Católica - RJ); doutor em Psicologia (Florida Christian University, Miame - FL - USA); fundador e diretor do CETEO - Centro de Estudos Teológicos Brasileiro - www.ceteo.com.br .  

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