A paradoxalidade do evangelho

A paradoxalidade do evangelho

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 10:54

Disse bem o apóstolo ao afirmar que a Palavra era loucura diante de uma sociedade conturbada e confusa, perdida em suas próprias concupiscências e conceitos. Imaginem se fossemos comparar com o nosso mundo contemporâneo e caído. Quanta paradoxalidade não iríamos constatar? Senão, vejamos:

Como aceitar, em meio a um mundo em que todos querem vencer e a disputa e a busca pelo sucesso é um prato que se come todos os dias, que os últimos serão de fato os primeiros? (Mt 20.16 - Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos).

Como pode o fraco exultar na sua fragilidade, a ponto de, com isso, tornar-se o mais forte, mesmo que necessariamente não seja visto como tal, e indiferente de ser reconhecido ou não, admitir seu estado de fortaleza? Como a necessidade, em todas as suas formas, e a perseguição, podem nos trazer prazer? (2 Co 12.10 - Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte).

Como compreender que os mais simples e humildes alcançam maior graça do que os soberbos que são adulados e paparicados por aquilo que necessariamente não são? (Tg 4.6 - Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes).

Como alcançar a verdade absoluta de que aquilo mais grandioso e rico foi preparado para os mais pobres e incapazes de pagar por tal? (Lc 6.20 - Então, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus).

Como uma rica festa poderia se tornar a mais nobre, quando os convidados são os menos ilustres, os mais sujos e os menos abastados que se possa imaginar? (Lc 14.13 - Mas quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos).

Como entender isto: Triste ao ponto de alegrar aos demais; Pobre ao ponto de fazer abundar os armazéns dos outros;

Desprovido de tudo a ponto de ser o mais abundante. Entendeu? (2 Co 6.10 - como entristecidos, mas sempre nos alegrando; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo).

Como a menor quantidade ofertada pela mais visivelmente miserável das criaturas, torna-se a maior ofertada qualitativamente pelo mais nobre dos filhos? (Mc 12.43 - E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam ofertas no cofre).

Como entender que a maior honra deve ser dada ao que se aparenta com o que há de menos honroso? (Tg 2.3 - e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra; e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés).

Como toda a soma da sabedoria e do conhecimento produzido no mundo, nada mais é que mera e limitada sabedoria humana? (1 Co 3.19 - Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia).

Como aquilo que salva e transforma o homem pode ser interpretado como loucura pelo mesmo homem que dela é o maior necessitado? (1 Co 1.18 - Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus).

Como entender que em meio a crise e as nossas necessidades e ao desejo constante de amontoar bens e riquezas, é melhor dar aquilo que pode até está faltando, e não aquilo que está sobrando? (At 20.35 - Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber).

Como entender que quando choro sou feliz de fato, visto que terei consolo? (Mt 5.4 - Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados).

Como entender que o importante é estar unido não importando a situação? (Rm 12.15 - alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram).

Como entender que crescer é se tornar pequeno? (Jo 3.30 - É necessário que ele cresça e que eu diminua).

Como entender que a sua vida não é sua, e que a morte é o maior de todos os ganhos? Fp 1.21 - Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro).

Como entender que o maior e mais belo de todos os mistérios, aquilo que humanamente não pode ser compreendido, foi anunciado aos que se fizeram pequenos? (Mt 11.25 - Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos).

Como a loucura e a fraqueza segundo Deus, confunde a sabedoria e a fortaleza segundo o homem? (1 Co 1.27 - Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes).

Por:  Edvaldo Melanias, Graduado em História pela Universidade Federal de Alagoas Via Púlpito Cristão

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