A religião dos parlamentares e o peso do voto evangélico

A religião dos parlamentares e o peso do voto evangélico

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 9:56

Segundo algumas pesquisas, os evangélicos já representam 25% dos brasileiros. Os católicos estariam pouco acima dos 60%. A pesquisa G1 quis saber a religião dos deputados que comporão a nova legislatura. Veja o resultado.

Dos 414 que responderam, 309 (75%) se disseram católicos — ou 60% do total. Declararam-se evangélicos apenas 43 deputados, ou 10% dos pesquisados e 8% da Câmara. Preferiram se dizer apenas cristãos 13 deles, e 41 deram respostas diversas, incluindo religião nenhuma; 8 são espíritas.

Para que houvesse na Câmara uma representação proporcional ao suposto peso dos evangélicos na sociedade brasileira, seria preciso uma bancada de ao menos 128 deputados.

Pelo menos 85 parlamentares dos 99 que não responderam a pesquisa — 86% — teriam de se declarar pertencentes a essa corrente, o que é praticamente impossível. O mais provável é que os membros do grupo que não aceitou responder se distribuam segundo o padrão verificado entre os pesquisados.

Duvido um pouco que os evangélicos sejam 25%, mas vá lá.

Sendo verdade, os números apurados pelo G1 ajudam a diluir um mito: o de que eles sempre votam pautados por seus orientadores religiosos. É sabido que as igrejas evangélicas se organizam para eleger seus representantes com mais afinco e clareza do que os católicos. Boa parte do eleitorado evangélico, então, não levaria em consideração a denominação religiosa do candidato na hora de votar.

PS - É claro que a composição da Câmara abriga distorções que podem se refletir também na religião dos parlamentares. Estados como São Paulo e Rio estão sub-representados quando comparados, por exemplo, a Roraima, Amazonas ou Rondônia.

Como há uma forte imbricação entre urbanização acelerada e desorganizada e crescimento da massa evangélica, parte de uma possível sub-representação religiosa pode ser  subproduto da sub-representação da população de São Paulo e Rio, por exemplo.

Por Reinaldo Azevedo

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