Acusado de ter usado igreja evangélica durante campanha, deputado se defende

Acusado de ter usado igreja evangélica durante campanha, deputado se defende

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 10:38

O ex-deputado federal João Caldas e o filho João Henrique Caldas, conhecido como JHC, eleito deputado estadual no último pleito, foram denunciados ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF) e também ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por supostos crimes eleitorais cometidos durante eventos religiosos que antecederam as eleições de 2010, em que ambos apareceram ladeados pelo missionário RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus.

As denúncias contra pai e filho foram feitas por Bekman Amorim de Souza, que teve sua empresa contratada pelo ex-deputado para registrar suas caminhadas durante a campanha.

“O missionário explicitamente perguntava ao povo se quem era amigo dele poderia ser considerado amigo dos fieis e fazia campanha para os dois perguntando, inclusive, se eles podiam abençoá-los. Em todos os eventos o RR Soares pediu voto para o João Caldas e para o João Henrique”- disse Bekman.

As campanhas cujas imagens foram repassadas aos órgãos competentes teriam ocorrido no Estádio Juca Sampaio, em Palmeira dos Índios; na zona rural em Junqueiro; às margens do Rio São Francisco, em Penedo; e, por último, na Pecuária, em Maceió.

“Na Pecuária foi a gota d’água. O RR Soares sempre faz a transmissão das pregações ao vivo. Durante esse tempo, ele não falou nada, mas assim que encerrou o culto voltou e pediu tranquilamente votos para João Caldas e o filho”- afirma Bekman. A formulação das denúncias acompanha imagens em vídeo e fotografias, além de áudio. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também terá acesso às denúncias, segundo ele.

“Como o próprio João Caldas disse que o dinheiro compra tudo em Alagoas, decidi procurar os veículos de comunicação para entregar os vídeos e todas as outras provas. Quero deixar claro que não tenho compromisso eleitoral e político com ninguém, não busco promoção pessoal. Tenho sido ameaçado de morte por telefone, sendo perseguido, mas aprendi com a minha mãe que dignidade é tudo. Também quero dizer que estou recebendo ameaças tipo ‘cuidado, vou te pegar, estamos no seu encalce, vimos quando você saiu da Polícia Federal”- ressalta Bekman.

O ex-deputado João Caldas, extremamente nervoso, falou por telefone com a Gazetaweb e conceituou o tempo todo Bekman Amorim como psicopata, vagabundo e maloqueiro.

“É uma denúncia vagabunda feita por um vagabundo mercenário, desqualificado e que enganou se passando por jornalista e produtor. Ele foi contratado e era tudo uma fraude, uma mentira , ele é um charlatão, um psicopata e tem algum distúrbio mental”- esbravejou Caldas.

O político afirma que nos palcos onde tudo foi registrado estariam outros políticos, mas que as imagens apresentadas por Bekman ‘teriam sido editadas’.

“Que denúncia é essa desse vigarista? Há algum problema de eu ter ido a cultos evangélicos e o pastor ter me apresentado como amigo? Isso é um maluco, um charlatão, uma pessoa desqualificada, contratada para a campanha e que não tinha empresa nenhuma. E de onde saiu um maloqueiro desses querendo resolver o problema da justiça eleitoral do mundo? Eu acho que deva estar sendo usado por alguém”- declarou, em tom de muita raiva, o ex-deputado João Caldas, ressaltando que irá processar o denunciante.

Na semana passada, João Caldas teve a prestação de contas rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). A decisão adotou fundamentação de pedido da Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas (PRE/AL), por conta de uma séria de irregularidades na documentação.

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