Amante do goleiro Bruno é recebida ao som do hino "Sabor de Mel"

Amante do goleiro Bruno é recebida ao som do hino "Sabor de Mel"

Atualizado: Terça-feira, 21 Dezembro de 2010 as 8:51

Após deixar prisão, amante de Bruno tem apartamento roubado

Menos de 24 horas fora da penitenciária feminina de Belo Horizonte, Minas Gerais, a ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, Fernanda Gomes de Castro já foi parar na 36ª DP (Santa Cruz). Libertada pela Justiça mineira, onde responde pelo sequestro e cárcere privado da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio e seu filho, Fernanda chegou ao Rio no início da tarde de ontem, mas descobriu pela melhor amiga, a xará Fernanda Dias de Oliveira, que seu apartamento em Santa Cruz havia sido arrombado e revirado.

Bandidos levaram lembranças do relacionamento com o atleta, como tênis e perfumes, além do computador de um dos dois filhos de Fernanda. Parte dos pertences do jogador foram encontrados ainda no condomínio, como um par de tênis.“Fico triste com o que aconteceu, mas a felicidade de estar de volta para os meus filhos e família é muito gratificante”, afirmou. Apesar do incidente, Fernanda foi recebida com festa no condomínio onde mora por 40 vizinhos, ao som da música evangélica ‘Sabor de Mel’, do grupo Damares. Emocionada e com a voz embargada, Fernanda agradeceu a recepção.

“Muito obrigada a vocês por cada oração e carinho. (…) Entreguei tudo a Deus”, afirmou, sem querer falar sobre o caso Eliza Samudio. Já sua melhor amiga foi taxativa: “Ela dividia cela com outras 17 presas. Estava triste e deprimida”, contou a xará, que a visitava na cadeia. Fernanda foi libertada pela juíza Marixa Fabiana Rodrigues, do Tribunal de Justiça de Contagem, Minas Gerais. Além dela, a ex-mulher de Bruno, Dayanne de Souza, o caseiro Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha, vão aguardar o julgamento em liberdade.

Advogada diz que Fernanda não volta mais para a prisão

A advogada de Fernanda, Carla Silene Cardoso Lisboa Bernardo, acredita que ela não vai responder à acusação de sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio e o filho dela em vara criminal. “Como a minha cliente não responde por homicídio, ela poderá responder pelos crimes em uma vara comum. Entrarei com o pedido de mudança semana que vem”, afirmou Carla.

Para a advogada, Fernanda não vai mais voltar para a cadeia. Como pelos crimes de sequestro e cárcere privado a pena varia de dois a cinco anos de prisão, na pior das hipóteses, em caso de condenação, ela seria punida com a prisão em regime aberto. “Ela é ré primária, então a pena não poderá atingir o máximo. Com isso, pena menor de quatro anos, a punição pode ser substituída por prestação de serviço à comunidade ou restrição de direitos, como não poder frequentar locais à noite”, explicou. A advogada pediu a Fernanda que não dê entrevistas sobre o caso. “O caminho é longo. A juíza entendeu que não havia necessidade de mantê-la presa”, disse.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola vão a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

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