Antes eu era um homem forte e saudável; mas me tornei um inválido

Antes eu era um homem forte e saudável; mas me tornei um inválido

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 10:52

O que aconteceu parecia um pesadelo, mas não era. Antes eu era um homem forte e saudável; mas me tornei um inválido. Outra transformação estava para acontecer, de uma maneira que eu nunca iria imaginar. Era o dia 8 de Agosto de 1987, quando aconteceu uma mudança drástica em minha vida. Estava passando por um bar e decidi entrar para beber. Eu não sabia que ali havia um homem que queria me matar. Tomei minha bebida e calmamente caminhei em direção à porta. Então senti uma forte dor nas costas e caí ao chão. O homem acabara de enfiar uma faca em minhas costas. A lâmina penetrou minha espinha, deixando-me paraplégico. Eu nunca mais seria capaz de andar.

No hospital, fui examinado por um médico. Após olhar os raios X, o médico disse à minha mãe que se eu não morresse, seria um inválido pelo resto de minha vida. Minha esposa perguntou se eu seria capaz de andar, e o médico respondeu que, se acontecesse, seria por milagre. Não existia na medicina uma solução para o meu caso.

Um Homem Inválido

Ali estava eu deitado naquela cama de hospital, um homem inválido. Todos os meus trinta e seis anos eu havia sido saudável. Trabalhava como motorista de taxi na cidade de São Paulo, no Brasil, e gostava muito do meu trabalho. Não era o que ganhava que me fazia gostar de meu trabalho, pois não era muito. A liberdade que eu tinha para passar todo o meu tempo nas ruas era o que eu mais gostava. Achava que aquele trabalho deixava-me livre para gastar meu tempo com mulheres, jogos, bebida, cigarros e festas. Meu desejo era me divertir e jamais, em qualquer medida, eu pensava no futuro.

Minha invalidez fez minha mente mergulhar em um redemoinho de pensamentos e temores. Como ganharia a vida? Se nunca mais fosse capaz de andar, como poderia viver deitado ou sentado sempre em um mesmo lugar? A perda da liberdade deixava-me sem esperança. Eu já estava há um mês deitado na cama do hospital quando apareceram as primeiras escaras. A falta de sensibilidade em minha pele e minha inabilidade de trocar de posição na cama, causaram feridas nos pontos onde a pele ficava em contato com os lençóis. Como as feridas não saravam, minhas condições pioravam cada dia mais.

Tentando curar minhas feridas, deixavam-me deitado de lado noite e dia. Já não permitiam que eu me deitasse de costas. Logo as feridas apareceram nas duas laterais de meu corpo. Isso fez com que as enfermeiras me colocassem de bruço. Passei vários dias nessa mesma condição -- sozinho com meus pensamentos, minhas reclamações, minhas dores. Não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Em minha amargura, pensava: "Meu Deus, que sofrimento!".

As Coisas Ficam Piores

Logo uma infecção me atingiu e trouxe uma febre tão alta que os medicamentos não eram capazes de controlar. O volume de remédios que foram aplicados para combater a infecção me enfraqueceram ainda mais. Adquiri uma grave anemia. A cor resultante da anemia me deixava com a aparência de um cadáver. Nesse ponto os médicos decidiram me transferir para outro hospital.

Chegando ao novo hospital, passei por uma série de exames. Os exames revelaram uma infecção muito grave no sistema urinário. Ela estava destruindo meu corpo. A infecção era o que causava a febre. Recebi ali um tratamento melhor para minhas feridas. Doses elevadas de antibiótico foram aplicadas na tentativa de barrar a infecção. Um mês mais tarde comecei a sentir que estava perdendo a audição. Os exames revelaram que o excesso de medicamentos havia danificado meu nervo auditivo e o médico avisou que logo eu precisaria usar um aparelho se quisesse voltar a ouvir. Na situação em que eu estava, isso nem me preocupava mais. Eu já estava inválido e incapacitado de andar. Se era para ficar surdo, o que importava? Eu já havia perdido toda a esperança e a vontade de viver.

De Volta ao Lar

Passei dois anos naquele hospital. Foram dois anos de tristeza, dores e desespero. Passava os dias olhando para o teto, olhando para as paredes, ou olhando para o piso. Algumas feridas haviam sido curadas enquanto outras novas estavam aparecendo. As infecções iam e voltavam. Um dia o médico disse que já era hora de eu voltar para casa.

Voltar para casa foi um choque muito grande. Eu havia saído de lá andando com duas pernas saudáveis, e agora estava voltando carregado por outros. Era o mês de Julho de 1989. Nada havia sobrado da saúde que eu tinha. Eu era um homem destruído. Tentando fugir de meus problemas, comecei a beber e a fumar dia e noite. Procurava sempre uma forma de fugir da realidade que havia virado sua face cruel para mim. Fiquei irritadiço e cruel, mesmo quando passei a poder usar uma cadeira de rodas.

Logo começaram as brigas com minha esposa, que trabalhava o dia todo para me sustentar. Ela chegava em casa no final do dia só para me encontrar totalmente embriagado e violento.

Fugindo da Realidade

Em Janeiro de 1990 tomei a decisão de voltar para minha terra natal em Alagoas, um estado no Nordeste do Brasil. Se eu tinha que morrer, seria morrer onde havia nascido. Já não podia suportar a vida que era obrigado viver. Mandei que minha esposa comprasse uma passagem de avião e ela, pobre mulher, fez tudo o que pôde para fazer minha vontade. Ela trabalhou o máximo que pôde e emprestou dinheiro de amigos e parentes até poder comprar a passagem.

Antes de minha partida, recebi a visita de alguns Cristãos, que me deram uma Bíblia. Só li um ou dois versículos mas não fizeram nenhum sentido para mim. Eu não tinha nenhum desejo de ler aquele livro. Sentia-me condenado e não tinha nenhum interesse em saber o que Deus queria me dizer.

No dia 11 de Fevereiro de 1990, viajei para o estado de Alagoas. No final do ano minha saúde começou a piorar. As escaras voltaram piores do que antes, e a infecção em meu aparelho urinário também voltou. Para piorar as coisas, a cidade para a qual me mudei não tinha os mesmos recursos que encontrava na cidade de São Paulo. Isso tornava o tratamento ainda mais difícil. Nessa ocasião eu continuava fumando e bebendo sem parar.

Tentando Me Regenerar

Lembro-me muito bem de um dia de chuva em Agosto de 1991. Eu já estava há quatro anos confinado à cama ou à cadeira de rodas. Decidi que não poderia continuar vivendo daquela maneira. Enquanto tomava uma xícara de café e fumava um cigarro na cozinha da casa de minha mãe, com a qual eu fora morar, comecei a sentir um calor dentro de mim. As escaras começaram a doer, causando uma agonia tão grande que achei que iria morrer. Foi nesse momento que pensei em Deus. Orei da única maneira que sabia, "Meu Deus, meu Pai, se não morrer agora, quero que Você me dê forças para não colocar outro cigarro em minha boca." Daquele dia em diante eu consegui viver sem fumar, mas continuei bebendo.

O dia 15 de Dezembro de 1991 chegou, e era o dia de meu aniversário. Eu não podia beber por causa de uma gripe. Quando chegou o Natal, minha vontade era de beber sem parar. Eram oito horas da manhã quando consegui encontrar alguém que comprasse uma garrafa de bebida para mim. Comecei a beber com meu irmão. Acabamos a garrafa quando eram onze horas, mas eu queria beber ainda mais. Eles finalmente conseguiram me levar para a cama, pois eu havia desmaiado na cadeira de rodas. Eu estava me matando aos poucos.

Eu Não Queria Deus

Quando chegou o Ano Novo, pedi a minha família que comprasse cerveja. Eles foram todos contra minha vontade. Eu quase morrera de tanto beber no Natal, mas queria beber outra vez. Por insistirem tanto, tomei uma decisão: seria a última vez que eu iria beber. Eles concordaram em trazer uma cerveja. Tomei aquilo como um desafio. Era minha despedida de anos perdidos naquele vício. Quando me trouxeram a cerveja, bebi apenas dois copos que puseram um fim à minha carreira de alcoólatra. Minha determinação estava voltando, mas minha Bíblia continuava em uma gaveta, esquecida. Eu continuava não querendo nada com Deus.

Minha saúde começou a piorar outra vez e tentei encontrar lugar em um hospital em Arapiraca, mas não consegui. Tentei um lugar para tratamento em um hospital em Maceió, capital do Estado. Esperei um ano por uma resposta que nunca veio. Escrevi para minha esposa que havia permanecido em São Paulo, dizendo que queria voltar. Ela respondeu, insistindo que eu devia ter paciência.

Um Desapontamento após Outro

Em Novembro de 1993, tive outro desapontamento. Com a ajuda do Prefeito de nossa cidade, meu pai conseguiu uma ambulância para levar-me a Maceió. Fiz a viagem contente, com o pensamento de que finalmente receberia um bom tratamento. Quando o médico e o diretor do hospital viram minhas condições e as feridas que cobriam meu corpo, eles simplesmente decidiram que não havia nada a ser feito. Enviaram-me de volta! Até a equipe do hospital achou que não valia a pena perder seu tempo comigo.

Por dois anos fiquei incapacitado de me sentar em minha cadeira de rodas, por causa das feridas. À noite eu dormia em um colchão de água e durante o dia me colocavam deitado de bruços, na cadeira de rodas aberta como se fosse uma maca.

Finalmente uma Esperança

Minha humilhante volta de Maceió me fez pensar que jamais haveria uma solução para meus problemas. Naquela noite, só consegui dormir muito tarde. Foi estranho, mas quando acordei, senti que o Senhor Jesus me confortava. Naquele momento abri minha Bíblia e li alguns versículos. Entendi que era hora de tomar uma decisão, mas ainda não tinha certeza. Eu estava paralizado, sem qualquer esperança. Apesar de ter conseguido, pela força de vontade, parar de fumar e beber, ainda não tinha paz.

No dia 20 de Novembro de 1993, por volta das duas horas da tarde, uma perua parou em frente de casa. Três homens e uma mulher desceram. Quando me viram deitado ali, perguntaram o que aconteceu. Contei-lhes minha história. Um deles perguntou se eu sabia que o Senhor Jesus tinha tanto poder para curar meu corpo quanto para salvar-me de meus pecados. Respondi que sim. Então ele abriu a Bíblia e leu em Marcos 16:16, "Quem crer e for batizado, será salvo. Quem, prorém, não crer, será condenado".

Aquele versículo da Palavra de Deus me convenceu de que eu precisava crer no Senhor Jesus. Eu precisava aceitar que o Senhor Jesus havia morrido na cruz em meu lugar para pagar por minha culpa. Aceitei o Senhor Jesus naquele dia e O recebi como meu Salvador. Graças a Deus eu era uma nova criatura. Meus pecados haviam sido todos perdoados e o céu passou a ser meu destino certo e eterno.

De Volta Para Minha Esposa

Escrevi à minha esposa contando o que tinha acontecido. Ela respondeu, dizendo que eu voltasse a São Paulo, pois seria bem vindo. Ela também havia se convertido. Agradeci a Deus. Ele começou a mostrar que nunca havia me abandonado. Ele sempre esteve ali, esperando que eu aceitasse todo o amor e cuidado que queria me dar. No dia 6 de Janeiro de 1995, voltei a São Paulo e ao meu lar. Fui muito bem recebido por minha esposa. Ela logo levou-me ao Hospital das Clínicas, onde pude receber tratamento. Não demorou e eu já estava me recuperando de minhas feridas e da infecção urinária.

Um Novo Começo

Eu tinha muitas coisas para aprender. Era impaciente e não gostava de esperar por coisa alguma. A diferença era que agora eu tinha a Palavra de Deus para me ensinar e o Espírito Santo para aplicá-la em minha vida. Certo dia, lendo Tiago 5:7, eu compreendi o que Deus desejava para mim. Ele me deu a paciência que eu precisava. Glória a Ele por isso! "Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia."

Daquele dia em diante comecei uma nova vida com minha esposa, uma vida de paz e felicidade. Até hoje parece que estamos vivendo em lua de mel. Que coisa maravilhosa é quando um casal crente vive na presença do Senhor. Não importa quão grandes sejam os problemas. O bendito Senhor sempre tem uma solução.

Um Salvador que Se Importa

Hoje sei que o Senhor Jesus me ama. Porque Ele morreu na cruz por meus pecados, Deus me perdoou. Se o Senhor quis me alcançar através de minha angústia, posso descansar por saber que a Sua vontade é perfeita. O que são os anos de meu sofrimento comparados com o sofrimento que o Seu amor fez Ele passar por mim? Hoje posso dizer sinceramente, "o Senhor é meu Pastor, nada me faltará" (Salmo 23:1). Agora, mesmo quando estou deprimido no leito de dores, clamo a Ele do fundo do meu coração: "Cura-me, SENHOR, e sararei; salva-me, e serei salvo; porque Tu és o meu louvor." (Jeremias 17:14).

Por tudo o que Ele me fez, quero servi-Lo de coração. Desejo, sinceramente, que você preste atenção a estas palavras. Talvez você não tenha sofrido como eu, talvez nunca tenha sido esfaqueado como eu fui. Talvez você nem imagine o que é ficar paralítico, mas assim como eu, você é um pecador que precisa de um Salvador, que precisa de perdão para seus pecados. Deus usou o sofrimento para me atrair a Ele. Espero e oro que Ele não tenha que usar os mesmos meios para chamar sua atenção.

Cristo morreu na cruz para nos salvar; Ele recebeu de Deus o castigo que você e eu merecemos. Tudo o que Ele sofreu foi para que você e eu pudéssemos ficar livres de nossos pecados e da morte. Mas é necessário que você aceite isto, que você creia nEle como seu Salvador pessoal. É preciso que você receba dEle o perdão de seus pecados para poder ter paz. Espero sinceramente que você vá a Deus, aí mesmo onde você está, e tome a decisão de crer no Senhor Jesus como seu único e todo suficiente Salvador. Fale com Ele -- Ele está esperando por você!

"Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?" (Hebreus 2:3).  

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