Após enchente, Pastor de Petrópolis relata situação atual da cidade

Após enchente, Pastor de Petrópolis relata situação atual da cidade

Atualizado: Terça-feira, 1 Fevereiro de 2011 as 2:38

"Hoje, 25 de janeiro, faz 13 dias que vivemos a mais terrível das tragédias brasileiras na região serrana do Rio de Janeiro. Incrível, mas nem mesmo as fotos são capazes de mostrar a dor, a tristeza e a angústia que dezenas de famílias viveram e estão vivendo.

Há gente que ainda procura por familiares, por documentos, por um pedaço de história, que ajude resgatar a lembrança levada pela fúria da natureza.

Nestes 13 dias, lutamos contra o tempo, contra as ordens autoritárias de quem diz que é autoridade e da lentidão de quem deveria ser o primeiro a chegar, mas que chegou depois.

Desde o dia 12 de janeiro, às oito horas da manhã, reunimos voluntários da igreja e, com R$ 1.000,00, compramos carne, frango, arroz, feijão, massa de tomate, alho, cebola e começamos a preparar quentinhas para quem estava trabalhando no socorro às vítimas e para quem havia perdido tudo e não tinha o que comer e nem a quem pedir.

Até ontem, 24 de janeiro, seis mil pessoas foram atendidas com comida pronta e outras milhares com cesta básica, água, colchonete, material de limpeza, higiene pessoal, bota, luva, máscara, roupa e Bíblias da Sociedade Bíblica do Brasil.

Dezenas de pessoas juntaram-se a nós, gente de todo lugar, credo, cor, profissão e condição financeira, numa demonstração incrível de humanidade e bondade, sem precedente. Dezenas de ligações dos quatro cantos do Brasil foram recebidas de pessoas impedidas pela distância, mas presentes na solidariedade e no amor cristão. Mesmo sem conhecer a liderança do movimento, acreditaram na seriedade de quem não trabalha para si mesmo, mas em prol do próximo. Não tenho dúvida de que Deus viu essa manifestação dentro de cada um!

Agora só nos resta conviver com as notícias cruéis que podem abortar o sonho de muita gente: ar contaminado, doenças, pestes, desvios de verbas, falta de vagas nos hospitais...

Quem foi o culpado ou quem deixou de fazer? O que importa é que temos de prosseguir, lutando para que maus políticos não tirem vantagens desta e de outras desgraças, que não usem a dor das pessoas sofridas como palanque de campanha, que não mintam para a sociedade tentando justificar o injustificável.

Continuaremos fazendo a nossa parte e, unidos, faremos chegar a comida da terra e a comida do céu, sem impedimento algum."

*Carlos Carnavalli é pastor, residente em Petrópolis (RJ).  

veja também