Após noite na prisão, dona da Daslu quer evangelizar favelas

Após noite na prisão, dona da Daslu quer evangelizar favelas

Atualizado: Terça-feira, 31 Março de 2009 as 12

Na quinta-feira da semana passada, dia 26 de março, Eliana Tranchesi foi surpreendida ao receber três policiais à porta de sua casa, no bairro do Morumbi, às seis horas da manhã, com uma ordem de prisão. Atordoada, mas calma, Eliana acordou os filhos Bernardino, de 23 anos e Marcella, de 17, e disse que não queria ver nenhum dos dois chorando, nem se desesperando. Em seguida, telefonou para sua advogada, Joyce Roysen, e com a ajuda de Marcella preparou uma mala com mudas de roupa, artigos de higiene, Bíblia,caneta e bloco de anotações, para ter o que fazer lá e uma bolsa térmica com seus medicamentos. Demorou cerca de cinquenta minutos e assim que se aprontou Eliana entrou no carro da polícia, sem algemas, foi conduzida para o Instituto Médico-Legal para exame de corpo de delito e, de lá, para a Penitenciária Feminina do Carandiru. Lá dentro, a dona da internacionalmente conhecida Daslu, preparou-se para passar sua primeira - e até agora - única noite na cadeia.

Eliana Transchesi foi condenada a pena de 94 anos e seis meses de prisão, por crimes como formação de quadrilha, descaminho (importação fraudulenta de produto lícito) e falsidade ideológica.

Segundo Sérgio Simon, o médico de Eliana, sua paciente necessita diariamente de "aplicação subcutânea de medicação e controle de exames de sangue", pois "tem alto risco de infecção generalizada" e ainda pode sofrer "crises de hipertensão e sangramento". Na manhã da prisão, a injeção que Eliana precisa tomar todos os dias foi aplicada por seu ex-marido, o cardiologista Bernardino Tranchesi, quando ela ainda se encontrava no IML. Na sexta-feira, um enfermeiro do serviço domiciliar contratado por ela teve autorização para aplicar a injeção na cadeia e uma equipe de um dos melhores laboratórios de São Paulo pôde ir ao Carandiru colher sangue para exame.

Eliana ficou em um espaço juntamente com outras detentas. Em uma entrevista, ela contou que "as pessoas aqui são muito humanas, solidárias e desprovidas de qualquer preconceito. Chamei duas companheiras de cela e fizemos orações por muito tempo". Eliana dormiu sozinha numa cela de 9 metros quadrados, onde às 21h30 foi instalado um colchão especial recomendado pelo médico. Recebeu frutas, livros, lençóis e toalhas, e na sexta-feira, almoçou a comida da prisão.

Na mesma entrevista, ela manifestou seu "inconformismo pela injustiça que estou vivendo e pela desproporção da pena". "Tenho a sensação de que o tempo parou enquanto a vida corre lá fora", comparou. E anunciou seu primeiro projeto em liberdade: "A evangelização em favelas onde o tráfico é intenso".

Em uma carta à imprensa, Eliana escreveu:

"Não vejo sentido para estar presa novamente. Não represento perigo para a sociedade. Este processo começou há quase três anos. Minha vida foi revirada. Fui presa por um crime tributário cujas multas já haviam sido lavradas e estavam sendo pagas. Vocês acompanharam tudo e viram que enfrentamos muitos problemas".

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