As oficinas da Semana Wesleyana: experiências compartilhadas

As oficinas da Semana Wesleyana: experiências compartilhadas

Atualizado: Sexta-feira, 27 Maio de 2011 as 12:56

A BÍBLIA NO COTIDIANO DA IGREJA Oficina promovida pelo Centro Acadêmico John Wesley. A tarde da terça-feira, dia 24/05, dia da experiência de John Wesley, foi o dia escolhido para que os  participantes da Semana Wesleyana compartilhassem suas experiências comunitárias de leitura bíblica, nas oficinas realizadas no período da tarde.  Quatro alunos inscreveram-se para apresentar o assunto a partir da vivência em suas igrejas locais. Um pastor adventista, aluno do curso EAD, também contribuiu com sua experiência.

 1o TEMA: Bíblia como fundamento para a inclusão social – perspectiva de inclusão na prática de Jesus em Lucas 17,12-14.  ROBSON LUIS – 2º ANO MATUTINO – 6a RE Abordagem: Na sociedade judaica do tempo de Jesus, os leprosos, assim como outros enfermos, eram colocados à margem da sociedade, excluídos e deixados para morrer.  Eram impossibilitados de trabalhar, de se relacionarem com os “sãos” e de participar da vida religiosa. A passagem de Lucas 17,12-14 mostra que a preocupação de Jesus era permitir que essas pessoas participassem da vida social. Diferentemente de outras passagens onde ele diz “seja curado” ou “seja conforme sua fé”, aqui ele diz: “Mostrai-vos aos sacerdotes”.  A cura para essas pessoas significou a restauração da dignidade. Agora elas podem voltar a trabalhar e se relacionar com outras pessoas.  Jesus está propiciando restauração da vida social, do gozo dos direitos. A exclusão é uma realidade anterior ao período histórico de Jesus, mas ainda é discutida sem se chegar a um consenso sobre como praticar a inclusão social. A proposta do palestrante é recorrer ao texto bíblico para responder a essas perguntas. “Jesus não realiza práticas generalizantes e difusas, nem quer impressionar o povo com seus poderes extraordinários. Suas ações beneficiam diretamente as pessoas. A intervenção de Jesus visa à reabilitação social.” A igreja hoje tem que influenciar a prática voltada à reabilitação social, não só dentro da igreja, mas influenciando a sociedade em geral. Ou seja, praticar ações “pautadas no exemplo de Jesus. Saúde, lazer e moral: a igreja precisa se preocupar com isso.” “Vivemos hoje conflitos com a política, mas a prática da igreja tem que se posicionar em relação a ela, a fim de exercermos missão evangelística e de apoio” possibilitando melhorias necessárias a essas pessoas.  “Jesus não se preocupa diretamente com a cura, mas diz:  ´vai e mostra-se ao sacerdote´.  Ao irem  até Jesus as pessoas eram curadas porque a cura era necessária para essas pessoas fossem incluídas naquela sociedade.” “A partir do texto bíblico precisa-se encontrar inspiração e estratégias para se fundamentar a prática da igreja no cotidiano em relação aos marginalizados.” “Uma  pessoa  que passa pelo processo de ser incluída já passou por um processo de exclusão. Por isso a palavra aceitação traz novas perspectivas”. Nossa atitude com um diferente deve ser uma atitude de aceitação permitindo a ela/ele o acesso a todas as áreas da vida. “Acessibilidade e aceitação são fundamentais para uma prática inclusiva”. É premente “aceitar aquele que é diferente e permitir a ele o acesso a vida em toda sua integralidade.” “O pecado tornou-se prática fundante para a exclusão social”. “Precisamos trabalhar aceitando o pecado e a partir da inclusão permitir-lhe acesso a palavra de Deus”. A partir dessa integração podemos possibilitar a mudança e melhoria de vida em toda sua complexidade.  

COMENTÁRIOS DOS PARTICIPANTES CLAUDECIR, PASTOR, 5ª RE No texto utilizado, para ser incluído era necessária a cura e hoje não há necessariamente a questão da cura no sentido prático da palavra. Algumas tentativas de inclusão acabam sendo excluídas devido à ansiedade que há em se incluir. Por exemplo, o governo emite uma normativa tirando da APAE a condição de dar a educação aos de “necessidade especiais”, passando essa atribuição à escola pública dita normal. O problema é que a escola não está preparada para receber essas crianças. Vejo que quem realmente incluía era APAE. SIMPLÍCIO, 3ª RE Ressaltou a importância de enfatizar a prática nos processos inclusivos. Criticou a baixa operância da igreja diante do excesso de teoria. “Precisamos colocar em prática a teoria”. JOAO MARCOS, PASTOR, 4ª RE “Estão os pastores e pastoras preparados para acolher e ressocializar? Sempre prego que temos que estar preparados para receber pessoas vindo elas como estão, mas esse ano estou passando uma experiência interessante.  Entrou uma pessoa para a igreja que coordena um centro de reabilitação e perguntei como a questão religiosa e espiritual era trabalhada ali. A resposta foi que não havia um trabalho fixo nessa área. Começamos então a trazer para a Igreja os mais avançados no processo de recuperação. Para minha surpresa, a comunidade não estava preparada pra receber essas pessoas.” O pastor João Marcos enfatizou a importância do novo ciclo de amizade para quem está em tratamento dizendo que as pessoas que estão em tratamento não querem voltar para o ambiente onde estavam, mas desejam um convívio novo. “Estamos vendo na igreja essa oportunidade de ter esse relacionamento com vocês”, é o clamor deles. Entretanto, “muitas vezes os pais dos meus jovens fizeram cara feia. Não gostariam que os filhos deles se relacionassem com aqueles que estavam sendo recuperados. Agora é preciso me preparar para ensinar a igreja a acolher e socializar esses jovens”, concluiu.    ROSÂNGELA, SEMINARISTA, 1ª ANO, 3ª RE – “Muito importante a colação do Claudecir.  Como professora da rede estadual vejo bem essa situação. Os alunos foram jogados. Essas crianças com deficiência foram jogadas dentro da sala de aulas. Há 3, 4, 5 crianças com necessidades completamente diferentes. Os professores não estão preparados para recebê-los. Nossa igreja também não está preparada.” “Nós, como metodistas, temos a visão wesleyana de recuperação dos oprimidos. Essas crianças precisam de socorro. Há pais que não sabem como cuidar delas.” “Como igreja deveríamos formar pessoas e lideranças olhando para essas vidas. Os próprios membros, por falta de amor e conhecimento,  têm medo que uma pessoa tenha um ataque epilético dentro das igrejas.” Nesse ponto, o palestrante ainda ressaltou a questão dos homossexuais e dos dependentes químicos. “Não estamos preparados para lidar com essa situação. Precisamos parar e pensar que precisamos nos preparar. A igreja precisa estar preparada a se tornar o espaço onde essas pessoas farão novos amigos e amigas,  proporcionando uma firmeza nessa relação.” LUCIO, PASTOR, 4RE “Quando a pessoa volta para o ambiente anterior o trabalho está perdido. Venho de uma realidade onde criamos um trabalho e acompanhamos bem essa realidade.”  O pastor Lúcio ressaltou a importância do trabalho de capacitação que deve ser feito junto à família daqueles que estão no processo de desintoxicação. Declarou  que, infelizmente, hoje há muita “terapia religiosa com base na lavagem cerebral”.   BISPO JOÃO ALVES, 5ª RE “Queria sugerir na sua pesquisa que fosse possível incluir o índice intolerância. Porque, lamentavelmente, hoje vivemos todo tipo de intolerância mascarada, sublimada em nome do evangelho que não cura e não salva ninguém.” PROF. HELMUT: Comentou sobre a ênfase errônea da necessidade prévia de capacitação/curso para depois a ação. Declara que o aprendizado durante o conflito, com avaliação posterior, é muito mais eficaz. Reforçou que “o que mais nos atrapalha é o medo da dificuldade de enfrentar nossa vulnerabilidade”.

2o TEMA: A Bíblia: do papiro ao byte.  CARLOS ALBERTO– 2º ANO NOTURNO – ASSEMBLEIA DE DEUS “Tenho certeza que vocês já ouviram a frase:  ‘Vamos abrir as nossas bíblias’. Como vamos trabalhar isso no futuro próximo ou já no nosso contexto? Talvez a frase centenária esteja com seus dias contados. A  Bíblia Sagrada vem se apresentando cada vez mais na forma eletrônica. Essa questão precisa ser trabalhada”. A partir dessa introdução, o palestrante trabalhou a questão da evolução dos aparelhos eletrônicos e dos meios de comunicação, principalmente a internet, como um fato irreversível, e da necessidade de adequação da igreja. Conflito semelhante foi vivido quando da primeira versão impressa da Bíblia – A Bíblia de Gutemberg , de 42 linhas. Os livros sagrados sairiam dos rolos e pergaminhos considerados santos pelos judeus, para se consolidar como o “livro de capa preta, volumoso, de borda dourada e uma fita de marcação”, que então se consagrou no imaginário popular. A discussão hoje é a passagem do papel para o digital. “Netbook ou notebook podem se conectar aos sites que disponibilizam a Bíblia on line. Pastor, fique esperto!”, brincou o palestrante, dizendo que durante o sermão tudo o que se fala pode ser verificado instantaneamente no Google. “A pergunta é: ‘O que é profano?’ Talvez essa palavra seja forte, mas o que é profano? A Bíblia de Gutemberg em relação ao papiro e pergaminhos (...) ou a e-bible? “As atualizações são inevitáveis: o recolhimento de dízimos com o cartão de crédito ou de débito já é uma realidade. Essas questões estão no dia a dia e cabe a cada um trabalhar isso e interagir. ‘É um processo irreversível’.”

COMENTÁRIOS DOS PALESTRANTES BISPO JOÃO “Estive em uma igreja onde o pastor usava um ipad no púlpito. Não estava usando a Bíblia. Em algumas igrejas é comum aproveitar-se da informática para projeção das leituras assim como dos hinos. O mais importante é a palavra que vai ser lida ou a forma como a palavra vai ser apresentada? CLAUDIO FREIRE , PASTOR, 2ª RE. “Igreja do lar foi indicada (durante uma pesquisa) pelo Google. É uma igreja virtual, você pode ter pastor, pode comprar o ‘kit santa ceia’. Se você está decepcionado com a igreja nós somos a solução. É a discussão “forma x essência”. Como trabalhar a forma para ser relevante no mundo hoje, mas ao mesmo tempo não perder a essência? Essa é a grande questão. Mudar a forma e manter a essência.” SAMUEL, 1RE, 2º ano. “Estava pregando e vi uns jovens pegando o celular. Vou colocar os versículos no telão, pensei.  Mas achei não certo porque desestimularia as pessoas a lerem a Bíblia. Um amigo me fez um comentário que chamou bastante atenção. ‘Precisamos nos desenvolver. Hoje as igrejas usam bateria, instrumentos eletrônicos, etc’.” MARIA NEWNUM, 6ª RE, professora de teologia. “Tivemos um grupo em nosso seminário que era skatista. Precisei me adaptar àquele contexto usando uma roupa mais aproximada a realidade deles, por exemplo, e uma linguagem também diferenciada. Acho que é tão bacana pensar naquela idéia que a gente mesmo sacraliza a Bíblia, mas como essa Bíblia vai chegar até as pessoas? O papa agora faz missas virtuais e ele abriu um hotsite para bate-papo com jovens. E os jovens estão perguntando de tudo, inclusive questões de homofobia. À medida que há necessidade de levar a palavra precisamos desvestir um pouco do preconceito.” O palestrante encerrou a apresentação com a declaração: “O diferente nem sempre é diabólico”.

3O TEMA. Experiências pastorais no presídio de Santana. Pr. Paulo, 3oano EAD, adventista. “Temos realizado um trabalho junto às detentas do presídio feminino de Santana. Muitas pessoas têm preconceito de entrar lá e lidar com pessoas que fizeram coisas erradas. Quando entrei pela primeira vez naquele lugar, me emocionei muito. Não chorei na frente delas. É triste depois de falar de Jesus ver sete portões se fechando atrás de você. Vi Jesus naquele lugar, e Ele me disse: estive preso e fostes me ver. Foi muito importante. Estamos trabalhando lá há seis anos. Alguns se batizaram e estão fora daquele lugar e dentro da igreja. Como instrução,  os aconselhamos a não contar o história da vida deles porque há rejeição dentro da igreja.  ‘Quando quiserem dar o testemunho da sua vida estejam plenamente convertidas porque vocês vão receber apoio mas também muita rejeicão de muitos membros da igreja.’ A comunidade cristã tem essa rejeição de boa parte do povo “de fora” , imagina quem está preso”, disse o pastor. “Há uma moça que era dona de casa, como a maioria das mulheres da Igreja. A comunidade que ela vivia era um local não muito agradável. A favela não é um local agradável. Dona de casa, responsável, estava morando naquele local por falta de oportunidade de morar em local melhor. Houve uma desavença entre a vizinha e sua filha pequenina. A menina tinha 6 anos e a moça que teve a desavença era de má índole e começou a agredir a filha dela. Mãe é uma leoa para defender seus filhos e partiu pra cima da outra com o que tinha na mão. Ela, como dona de casa, tinha uma faca na mão. Ela esfaqueou a moça, não matou. Uma dona de casa acabou sendo presa em flagrante. Passou presa 8 ou 9 meses e nesse ínterim falei para ela: ‘Deus tem um plano na sua vida, se não tivesse você não estaria aqui e você está indo para o caminho do batismo’. Essa moça antes não cria em Deus. Ela conheceu Jesus e hoje está na igreja”, testemunhou o pastor Paulo. “A arte do pequeno grupo é muito importante na vida da igreja. Quando se funda um pequeno grupo, acaba-se fundando uma pequena igreja naquele lugar. Dentro do presídio há 6 pavilhões. Fundamos em cada pavilhão uma igreja. O interessante não é a quantidade, mas a qualidade de quem você tem lá dentro. Oramos por essas pessoas, pedimos que Deus as ajude. Pedimos que elas tenham liberdade física e espiritual. Na nossa igreja entram 3 e saem 4, porque são soltas. Então a Igreja nunca cresce, mas muitas pessoas já conseguiram a liberdade provisória ou foram inocentadas. Nós, como alunos de Jesus. procuramos a qualidade ao expressar o Evangelho às pessoas.” 

  COMENTÁRIOS DOS PARTICIPANTES MARIA NEWNUM, PROFESSORA DE TEOLOGIA, 6aRE. “Gostei da sua fala porque percebo que o trabalho de vocês vai além do aspecto religioso. Em Maringá tínhamos um caso em que mulheres presas estavam em outra cidade em condições degradantes. Estavam dormindo do lado de fora na época do frio. Através do Conselho Municipal de Mulheres conseguimos trazê-las para Maringá para um espaço que era do presídio local e passaram a ser assistidas pela OAB. É importante envolver os conselhos municipais. No nosso caso, envolvemos o Conselho da Mulher e a OAB. Muitas vezes há pessoas na igreja que são advogados. É difícil visitar uma cela de prisão. É preciso uma estrutura muito forte. Pensar que podemos desafiar as pessoas para exercer outros talentos, como correr atrás da OAB, dos conselhos. Em Maringá há empresas acolhendo essas mulheres. É um trabalho que conseguimos através dos conselhos.” O pastor Paulo concordou com a professora Maria e discorreu sobre as dificuldades enfrentadas para desenvolver esse tipo de trabalho. “No presídio entra droga, bebida alcoólica, mas para a igreja entrar é difícil. Existem várias exigências. É difícil conseguir advogado que se disponha a ir ao local. Tem que marcar entrevista com a diretora do presídio se quiser levar um grupo de louvor, por exemplo. Tudo o que pensar de empecilho é o que encontramos.”  

4o TEMA: A Bíblia como instrumento de libertação dentro da comunidade de fé. WANDERSON – 1o Ano - 1aRE O palestrante partiu da pergunta: Qual a representação da Bíblia no cotidiano da igreja? “Em cada lugar em que passe como membro, a Bíblia tinha uma representação diferente. Qual o significado desse livro que mostra a revelação de Deus? O texto base que proponho é o de Jo 8.32. ‘Conhecereis a verdade e a verde vos libertara’”. O palestrante identificou a Bíblia como instrumento da revelação divina, como instrumento do conhecimento sobre Deus e sobre seu caráter. “Percebo hoje que Deus sempre tem um caráter diferente em locais diferentes. Deus age de formas diferentes. Gera em nossa mente um confronto porque esses deuses batem de frente um com o outro. As palavras de Jesus é que existe somente um Deus e na perspectiva do evangelho de João é o Deus que quero compartilhar. Segundo o palestrante, a  Bíblia também pode ser apresentada como instrumento de opressão. “A Bíblia por si só não traz exemplo de opressão, mas se torna ruim quando está na mão do homem”. Quando a Bíblia é utilizada para praticar ideologia ou justificar conveniências, acaba sendo usada como instrumento de opressão. “Inúmeras pessoas a usam para transmitir a mensagem que querem e, assim, oprimir, prender e subjugar as pessoas.” “No evangelho de João, Jerusalém é o símbolo da opressão religiosa. No meio evangélico isso ainda acontece. Existe caso de lideranças que usam a Bíblia como ferramenta manipuladora, criando faces de Deus para satisfazer seu bel prazer. A Bíblia como instrumento de manipulação funciona. Pessoas usam o lado místico da fé para atingir seus próprios desejos.” “A minha visão de Bíblia no cotidiano da igreja é a palavra como instrumento de libertação do ser humano. Trazer o ser humano a pensar que Deus não quer que o ser humano sofra. A Bíblia como instrumento de libertação nos leva ao mundo real. Tira-nos um pouco do mundo místico. Para chegar a essa conclusão usei a alegoria do mito da caverna. Quando um homem se libertou e saiu da caverna percebeu que o que via era sombra do mundo real. Quando retorna a caverna para libertar os demais é morto.” Da mesma forma Jesus foi morto por promover a libertação. “A igreja que percebo das vivências que tive não conhece a palavra de Deus. Essas pessoas não conhecem Deus. Preferem aceitar um jugo imposto sobre elas por pessoas como justificativa de ser a palavra de Deus. Eu não sei hoje qual o papel da Bíblia no cotidiano da igreja.” “A Bíblia tem que ser o instrumento que alimenta, e transforma o mundo.”  

COMENTÁRIO DOS PARTICIPANTES FRANCISCO, PASTOR, 6A RE. Sugere um outro ponto na apresentação: “sobre aqueles que usam a Bíblia como instrumento de libertinagem. Pegam o discurso sobre o amor, muito enfatizado na Bíblia, a postura de Jesus com a mulher adúltera para ‘justificar’ essa questão.” CLAUDECI, PASTOR METODISTA, 5ª RE. “Há um provérbio que diz que entre a minha verdade e a tua verdade há aquela que é a verdadeira. A verdade verdadeira é a verdade bíblica, é a verdade de Deus. Tenho comigo que o estudo teologia tem esse objetivo. É uma faca de dois gumes porque o estudo de teologia busca aprofundar o conhecimento bíblico para estruturar o pensamento e aproximar esse conhecimento da verdade. Ou se aproxima da verdade ou cai fora e torna-se herege. Ou se fecha a esse conhecimento e corre o risco de interpretar a Bíblia ao bel prazer. No meu tempo, muitas pessoas vinham para a faculdade e não se permitiam aprofundar-se no conhecimento bíblico. Na igreja local, tento interpretar e dar um direcionamento para aquilo que creio, mesmo correndo o risco de escandalizar naquele momento. Hoje há o desafio de não termos medo do aprofundamento do texto teológico. O desafio é não se fechar ao conhecimento bíblico profundo. Hoje há uma superficialidade do conhecimento bíblico. IVARDA, PASTORA, 5a RE. “As pessoas estão sendo manipuladas e isso é notório”. Muitas pessoas são levadas a fazer coisas que não gostariam de fazer. Vejo na nossa igreja uma ênfase muito grande ao louvor, adoração e quando o pastor vai pregar todos estão cansados e não prestam mais atenção à palavra da libertação. O que fazer para despertar mais o desejo de ler e estudar, além do desejo de louvar, adorar etc.?” RAFAEL, 1oANO, 1aRE. “A cultura do brasileiro é estar acostumado a engolir tudo que nos oferece. É dessa forma que somos ‘educados’ desde a escola primária, recebendo o conhecimento de forma superficial, sem reflexão, sem a construção do pensamento. Essa é a mesma realidade experimentada na igreja. Falta o conhecimento profundo da palavra. É preciso repensar a educação cristã. As reuniões de estudo bíblico, de certa forma, não existem mais; a Escola Dominical está defasada; o estudo em pequenos grupos é conduzido por pessoas despreparadas. Enfim, a superficialidade impera nas igrejas, como reflexo das mazelas da nossa sociedade. O que fazer como igreja? É preciso agir!” Respondendo aos comentários, o palestrante posiciona-se contra os que “usam a Palavra para forjar um conhecimento. Aceitação do homossexualismo usando a palavra pra justificar é usar a Bíblia para opressão”, disse ele.  O palestrante enfatiza que a palavra deve ser pregada na essência e no caráter de Deus. A ênfase deve ser o amor. “Não é um amor que você tenha que amar as práticas que todos cometem. Há um chavão que diz: “Deus não ama o pecado, mas ama o pecador.” Sobre a questão da educação religiosa superficial, o palestrante completa: “ A pessoa é educada a engolir o que é ensinado. Se usar a palavra filosofia na igreja, por exemplo, ouvirá alguém dizer:  ´isso é coisa do demônio´ou  ´filosofia não tem nada a ver com a fé’. Não tenho apontamento para solução. A questão da superficialidade do ensino é culpa de quem? De algum lugar tem que partir uma postura de mudança.  Hoje, quem tenta transmitir algo mais profundo é rejeitado.” “Nosso desafio é pagar o preço da pregação da verdade. O evangelho de Jesus Cristo não era um evangelho que dava ibope, mas o evangelho da cruz.”  

5o TEMA: INCLUSÃO À MESA. CARLOS EDUARDO – 3OANO – 1ARE O palestrante traçou um paralelo da questão sócio-cultural do partir do pão para a comunidade judaica com a necessidade da inclusão hoje, principalmente daqueles que passam fome devido às mazelas do sistema capitalista. “Pão é muito significativo para a Bíblia e para o cotidiano. Pão sempre foi alimento básico da mesa de Israel. Participar da comunhão da mesa era participar da bênção de Javé.” “A ceia na igreja primitiva tinha uma significação enigmática. O amigo dos publicanos e pecadores levava a presença e a misericórdia de Deus na comunhão da mesa.” “Hoje há alimentos suficientes para todos e a fome ocorre devido à má distribuição da renda. O grau de concentração da terra no Brasil é um dos maiores do mundo. Dos 32 milhões dos que passam fome no Brasil, metade vive no meio rural, outros 75 milhões se alimentam de forma precária. Somos desafiados a trazer à inclusão na mesa da salvação milhares de homens e mulheres.” “Desafio é a mesa que inclui. Precisamos oferecer uma mesa de salvação. Direito de comer é direito de participação na salvação que não pertence a nós, mas vem de Deus.”    Professor Helmut Renders, do Centro de Estudos Wesleyanos e Rejane Gama, presidente do Centro Acadêmico João Wesley: parceria que permitiu aos estudantes a possibilidade de compartilhar experiências práticas do estudo da Bíblia na comunidade de fé  

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