Assassinato de pastor em Honduras levanta questões de segurança

Assassinato de pastor em Honduras levanta questões de segurança

Atualizado: Sexta-feira, 4 Março de 2011 as 4:20

O assassinato de um proeminente pastor em San Pedro Sula, em Honduras esta semana, chamou a atenção para a taxa de homicídio alarmante no país e às ameaças regulares que os trabalhadores cristãos recebem.

Carlos Roberto Marroquín era pastor e tinha 41 anos quando foi morto a tiros por dois assaltantes enquanto caminhava com seus dois cães no bairro Colonia Aurora, perto de sua residência na segunda-feira (21 de fevereiro).

Inicialmente, a polícia acreditava que o roubo dos cães de raça Schnauzer fora o motivo para o assassinato, porém uma investigação sobre outros possíveis motivos foi aberta.

As autoridades relataram que dois homens armados em um carro branco pararam ao lado do pastor, tentando pegar os cachorros, e quando Marroquín resistiu, abriram fogo contra ele.

O procurador-chefe da cidade, Marlene Bane, afirmou ao jornal El Herado na última sexta-feira (25) que testemunhas afirmam que os assaltantes exigiram o celular do pastor, e não os cães.

Roubos de celulares são comuns em Honduras, mas o apontamento de sua morte ter sido principalmente por ser cristão foi conjecturado.

Marroquín foi o pastor fundador da Igreja Pentecostal de Deus, em San Pedro Sula, a segunda maior cidade do país. Ele também foi o fundador e presidente do Conselho Jurídico do Christian Fellowship e co-fundador da Rede Latino-Americana de Advogados Cristãos. Como presidente eleito da Associação de Pastores Evangélicos em San Pedro Sula, ele era um popular apresentador de programas de televisão e rádio.

Assassinatos Marroquín foi o segundo pastor assassinado em Honduras neste ano. Em 30 de janeiro Raymundo Fuentes, 43 anos, pastor da Nova Jerusalém do Templo foi morto quando saía do culto à noite em sua igreja com sua esposa. Dois dias antes, a filha de um pastor evangélico havia sido morta, embora a polícia não tenha feito ligação entre os dois assassinatos.

A polícia ainda não decidiu se o assassinato de Marroquín será classificado como um roubo, já que alguns acreditam que foi um ataque direto por causa do seu trabalho na igreja evangélica.

"Eu não posso acreditar que era para roubar", disse o pastor Roy Santos. "As autoridades precisam agir. Ele era um homem que trouxe uma mensagem de esperança."

Misael Argeñal, um pastor do Ministério Colheita que é veterano no trabalho em San Pedro Sula, disse aos repórteres: "Isso não foi um roubo de cães. Há já seis pastores que morreram em Honduras nos últimos meses. Deve haver um projeto, uma escala... a polícia deve investigar para descobrir quem está por trás de tudo."

Oswaldo Canales, pastor e presidente da Associação Evangélica de Honduras, disse que Marroquín recebeu ameaças.  "Todos os dias fazemos o nosso trabalho, confiando em Deus e nos preparado para estar com ele", disse.

"A maioria de nós [cristãos]... recebe chamadas de celulares roubados nos ameaçando de morte caso não deposite uma quantia de dinheiro em uma conta da Guatemala. Esse tipo de chantagem não é incomum", afirma um obreiro.

Canales pede medidas de segurança eficazes das autoridades não só para os líderes cristãos, mas para todos os hondurenhos. Ele disse que os pastores estão cientes de que, devido à sua vocação evangelística, "sempre fomos objeto de ameaças, e estamos na mira daqueles que não estão em sintonia com nosso pensamento."

"Todos os dias neste país as pessoas são assassinadas da mesma forma - uma média de 16 pessoas a cada dia", afirma um cristão. "É um país tão violento, principalmente nas grandes cidades de San Pedro Sula, Tegucigalpa e Choloma. As pessoas clamam por justiça e paz."

Um relatório recente do comissário de Direitos Humanos de Honduras Ramón Custódio revelou que nos últimos cinco anos houve 18.500 homicídios no país.

"A vida não vale nada em Honduras", Custódio disse recentemente ao jornal La Prensa.

Muitos apontam a violência do crime organizado, tráfico de drogas e gangues de jovens. Uma denúncia anônima deu à polícia os nomes de dois suspeitos do assassinato de Marroquín. Eles foram identificados, mas ainda não presos.

"A igreja evangélica e o país perdeu um líder forte", Canales da Associação Evangélica de Honduras, disse e acrescentou: "Continuaremos a evangelizar, porque temos visto muitas vidas e famílias restauradas."

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