Até onde deve ir o otimismo do evangelho?

Até onde deve ir o otimismo do evangelho?

Atualizado: Segunda-feira, 7 Novembro de 2011 as 2:58

Geralmente as pessoas não gostam de quem é pessimista. É horrível ter que conviver com alguém que acha que tudo vai dar errado! Mas o que falar de alguém que possui uma perspectiva exageradamente otimista das coisas?

Claro que de maneira equilibrada, o otimismo, torna-se uma ótima força motriz para se alcançar sonhos e ideais de vida, mas fora de sua dose moderada, o excesso de otimismo traz grandiosos estragos. É como exercer um uso indevido de auto-confiança extrema, estas qualidades podem se tornar um defeito e gerar tendências comportamentais desastrosas. Tudo em excesso faz mal.

Os incontáveis livros de auto-ajuda pregam a máxima de olhar a vida com melhores olhos, e em certo ponto, isto é bom. Mas exagerar os diagnósticos, adotando atitudes positivas demais podem prejudicar a vida de quem “abraça” esse movimento.

O problema é que quem pensa com muito positivismo, fica impedido de ver a realidade necessária para resolver problemas e conflitos, que existem, mas que ficam mascarados pelo excesso de otimismo.

A base deste pensamento exageradamente otimisma, está no princípio de que: Podemos Tudo! - Isso não é verdade. Podemos muito, mas não tudo! Deus colocou em nós limites de preservação. Somos seres limitados, e estes limites nos ajudam na construção de nosso caráter. Só podemos saber quem somos se houverem limites.

Limite é a palavra que está faltando no meio evangélico. Desde que os púlpitos foram tomados pela onipresença do otimismo exagerado disfarçado de teologia do triunfalismo, que prega que riqueza, saúde e felicidade são os “únicos” ideais de Deus para o homem, milhões de pessoas vem depositando sua fé e dízimos em histórias e heresias que garantem a abundante certeza de plena satisfação em tudo, tornando a pessoa um crente exageradamente otimista.

Este tipo de teologia destruidora é patrocinada pelos grupos do momento, que alicerçam seus ministérios na inocência da credulidade alheia, que aposta sua fé numa possível vida sem problemas. Ledo engano.

Pregações disfarçadas de auto-ajuda e positivismo, escondem o verdadeiro evangelho, que anuncia que o mundo é cheio de aflições, e que o bom ânimo do crente não é circunstancial (Jo 16:33).

Que bom seria, se estas pessoas exageradamente otimistas acordassem para a realidade onde o mundo se encontra, não dando mais lugar aos princípios materialistas de felicidade, e sabendo que cedo ou tarde há um momento de reflexão e aprendizado mais profundo no perder e no não ter. Que viver é não ter os olhos no aqui e agora, nem nas coisas, mas na esperança de um Reino Futuro e além deste universo caído.

Por Bruno dos Santos

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